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Planeta nojento

Assisti neste fim de semana o DVD de Planeta Terror, a parte que cabe a Robert Rodriguez da seção Grindhouse, idealizada por ele e Quentin Tarantino. Para quem não vive neste mundo e não sabe do que estou falando, os dois diretores de cinema mais sanguinolentos da atualidade cresceram fãs deste estilo de filmes de horror e ação mal filmados e com roteiro fraco (tinha algum?), que davam mais ênfase às cenas fortes. Esses filmes, chamados de “grindhouse”, tinham pouco mais que uma hora de duração e as seções de cinema passavam dois ou três seguidos, devidamente após os trailers daqueles que estavam por vir.

O DVD de Planeta Terror traz, antes do média-metragem de Rordiguez, um fake-trailer do filme Machete que, possivelmente, é o melhor de toda a mídia! O chico loco Denny Trejo, que sempre faz papel de figurante/coadjuvante capanga latino mal-encarado nas grandes produções, ganhou seu primeiro papel principal neste trailer como um assassino de aluguel traído que jura vingança. É tanta mentirada, explosão, ação e diálogos bregas em poucos minutos que Rodriguez recebeu uma enxurrada de cartas e e-mails pedindo para que o filme fosse realmente feito. Pois o assassino das grandes lâminas não só ganhará seu longa como também pode ter sua própria trilogia!

O filme principal é exatamente tudo aquilo que se esperava para quem viu algum trailer ou leu sua premissa: muitos tiros, sangue pra todo lado, cenas nojentas com zumbis que “se derretem”, mulheres gostosas e uma go-go dancer com perna de metralhadora (???). Alguns atores, no entanto, são conhecidos das telonas, como Bruce Wills, que fez questão de participar assim que soube da idéia dos dois diretores, e Quentin Tarantino na ponta de um soldado zumbi doidão.

Além de se divertir com as mentiradas e as cenas grotescas, uma das coisas mais legais do filme é o tratamento de má qualidade na filmagem. A impressão que se tem é a de que você está assistindo àquele rolo antigo, com chuviscos e linhas ocasionais que indicam o quão gasto ele já está, cores que desbotam às vezes e a nítida impressão de que o rolo está quase queimando em determinadas cenas – justamente na cena mais “quente” é quando o filme realmente se perde, fazendo com que o espectador perca um pedaço da história e alguns mistérios ficam sem resposta.

A idéia dos dois diretores era a de cada um dirigir um desses médias-metragens e alguns trailers falsos e juntar tudo em uma única seção de cinema, mas os estúdios de Holywood acharam mais lucrativo lançar as obras de cada um separadamente. A metade de Rodriguez chegou primeiro por aqui, enquanto que a de Tarantino, Death Proof, chega ainda este ano. É diversão descartável garantida pra quem gosta de rir com o horror alheio.

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