Tock-categoria: Estudos Estranhos.

Não se navega mais como antigamente

O internauta, diferente de alguns anos atrás, sabe o que quer na Web, conecta-se à Internet apenas para cumprir seus objetivos imediatos e sai dela tão logo esse objetivo seja cumprido. Quem afirma isso é o “Guru da Internet” Jacob Nielsen, diretor da Nielsen Norman Group, consultoria de usabilidade na Internet.

A empresa realiza anualmente uma pesquisa sobre os hábitos do internauta e o relatório divulgado em 2008 mostra que o internauta vai cada vez mais direto ao ponto, em vez de “navegar à deriva”, como era comum lá pelos idos dos anos 90. Outra característica interessante apontada pelo relatório é que os internautas procuram cada vez mais as ferrramentas de busca como primeiro passo de consulta por uma informação em vez de ir direto à página daquela informação em especial. Por exemplo: se a pessoa quiser saber algo sobre o Windows, ela não vai ao site da Microsoft e clica na área dedicada ao sistema peracional – ela vai ao Google e digita Windows na ferramenta de busca, que pode oferecer, como primeiro link do resultado, o canal dedicado a ele no site da Microsoft.

Isso, de certa forma, deve ser frustrante para a área profissional de Web: termos como “arquitetura de informação”, “usabilidade” e “visual atraente” são muito usados na esperança de prender o internauta cada vez mais tempo em uma página, ao lado de decisões editoriais para a criação de conteúdo curioso e interessante. Quando finalmente os profissionais Web adquirem esse know how, o comportamento de nosso público-alvo muda com a evolução tecnológica da Internet e, à medida que a velocidade de conexão que temos hoje aumenta, a paciência e o prazer do internauta em “navegar por aí” diminui – o que antes era uma diversão, tornou-se um meio para chegar ao fim, de preferência o mais rápido possível. Algumas conseqüências disso? Fica cada vez mais difícil seduzir o internauta com promoções, propagandas ou algo mais específico que você queira mostrar a ele – se não for aquilo que ele esteja procurando, é mais fácil que essa pessoa repare em um outdoor na rua.

Não sei dizer se a pesquisa foi corretamente apurada, mas eu me identifico com o resultado apresentado por ela. Lembro que, nos ídos de 96, eu adorava ficar navegando pelos diversos endereços cadastrados no “favoritos” de meu browser, muitos deles de sites sobre música, cinema ou humor, passando um bom tempo navegando na Internet “por prazer”. Desde que passei a usar a Web como instrumento de trabalho, a única diversão online (que não é totalmente diversão, mas também uma forma de exercício de escrita) tem sido escrever aqui para o Tocks – de resto, é ler as notícias pelo leitor de RSS (é mais rápido receber as notícias pelo programa do que navegar pelos sites dos jornais e portais noticiosos) ou realizar tarefas online, como banco e afins, o mais rápido possível. Visitar sites? Pra que, se tenho o Google pra buscar a informação que quero de forma muito mais rápida do que seguir o raciocínio de navegação de uma página até meu objetivo? Desculpe, arquitetos de informação, sei que vocês tiveram o maior trabalho para pensar em dispor tudo de forma lógica e fácil para nós quando o site foi planejado.

E você? Já parou pra pensar se seu hábito de navegar mudou muito de alguns anos pra cá? Pense um pouco nisso e comente aí embaixo?

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