
O cartunista Charles Schultz, criador do Snoopy, ficou entre as celebridades mortas que mais ganharam dinheiro no ano passado, segundo essa notícia na Folha Online. Não estou impressionado, afinal, Charlie Brown e sua turma são sucesso garantido e influenciaram gerações de jovens e adultos até hoje, como vários outros personagens e títulos.
De repente, me toquei: que personagens me influenciaram e me marcaram durante a infância, adolescência ou até mesmo hoje em dia? Botando a cabeça pra pensar, cheguei ao seguinte Top Five:
Charlie Brown – Primeiro lugar, disparado. Dos desenhos que passavam no SBT às tirinhas de jornal, era impossível, quando criança, não me identificar com o azarado, tímido e melancólico Charlie Brown e, em menor escala, com um ou outro personagem a mais da galerinha de Peanuts. Era meu dia-a-dia descrito na tela ou no papel: as trapalhadas, os esforços que nunca davam certo, os amores platônicos não correspondidos, os rompantes de bravura que não davam em nada? E como tudo isso tinha uma importância tão grande, tão “fim do mundo” naquela época. Charles Schultz me espionou como um Big Brother e roubou minha infância para escrever as histórias de Charlie Brown – e quer saber? Fico muito feliz com isso.
Garfield – Não podia ser um Charlie Brown pra sempre. à medida que crescia, sentia que precisava ter uma nova postura pra encarar a vida e o mundo – e foi aí que eu comecei a andar com más companhias. Não por acaso, esse gato gordo, cínico, preguiçoso, egoísta, resmungão, convencido e guloso tem adjetivos que também podem ser aplicados a mim (tirando o convencido, não preciso disso pra saber que sou bom). É uma postura nada honrosa de se adotar para viver a vida, mas ela ficou muuuuito mais divertida depois das aulas deste filósofo da lasanha.
Calvin – Conheci as histórias deste garoto hiperativo e seu tigre de pelúcia quando já era adolescente, mas um saudável sentimento de nostalgia sempre batia quando via aquela imaginação fértil em ação. Naves espaciais, monstros destruindo cidades, aventuras cinematográficas? Igualzinho às horas que eu passava brincando com meus bonecos e brinquedos ou saia andando de bicicleta pela rua. Foi muito saudável acompanhar as tirinhas de Calvin e Haroldo.
Turma da Mônica – Falem o que quiser do Maurício de Sousa, dizer que a Turma da Mônica é ruim ou o que for: eu aprendi a ler com os gibis do Cebolinha, da Mônica e do Cascão, ria muito com os planos infalíveis, com as aparições do Louco e a adrenalina subia quando o Capitão Feio entrava em cena. Foi o melhor incentivo que eu poderia ter na época para aprender a ler e escrever e recomendo, até hoje, essa mesma experiência para quem tiver filhos pequenos.
Dilbert – Quadrinhos para adultos. Quando comecei a trabalhar e viver esse dia-a-dia de escritório, prazos, clientes, tecnologia, informática, etc., vi que não estava sozinho no mundo quando conheci as histórias de Dilbert. Naquele universo onde o personagem principal vive, com um chefe burro, um cachorro que é mais esperto que todos os humanos, duendes de demônios na área de contabilidade, dinossauros que cuidam da burocracia, atitudes corporativas imbecis e completos insanos na área de marketing, tudo que eu (e milhões de leitores pelo mundo) pude dizer é “cara, isso parece a empresa onde trabalho!”

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