
Sim, eu sei, todo mundo já assistiu ao Curioso Caso de Benjamin Button, mas vamos lá, antes tarde do que mais tarde. Até a festa do Oscar, o filme estrelado por Bradd Pitt e Cate Blanchett era um dos favoritos, levando pra casa as estatuetas de melhor maquiagem e direção de arte. Saí do cinema achando dois Oscars muito merecidos, mas que não bastaram.
Sim, é verdade, a transformação de Brad Pitt em velho está excelente e quase sempre convincente, fora a ousadia em mostrar na tela o ator, motivo de suspiros da mulherada em todo o mundo, que preferem manter a imagem do ator imortalizada em seu estado jovem atual, em um velho em fim de carreira logo no início do filme. Também digo “sim” para a direção de arte, com imagens tocantes, belas e singelas cenas e jogos de luz e sombras que realçaram as atuações, principalmente as de Julia Ormond e Cate Blanchett, já no hospital, durante os momentos finais de Daisy, personagem de Cate.
O que mais me surpreendeu, no entanto, foi ver que, em meio a uma era de escassez de criatividade de Hollywood, veio de lá uma história tão singela, ainda que simplória. Há alguns anos que não fico antenado no circuito cinematográfico (americano ou de qualquer outro país), mas do jeito superficial que leio a respeito, só vejo os estúdios americanos preocupados em fazer adaptações de outras mídias para fazer os filmes que estourarão nas telonas: videogame, quadrinhos, remakes de séries antigas de TV, quadrinhos, remakes de filmes antigos, quadrinhos, brinquedos de parque de diversões, quadrinhos… Foi uma tremenda satisfação sentir que todos os envolvidos neste curioso caso trataram a história com carinho para que ela se tornasse um conto de fadas que atravessaria o século XX. Uma verdadeira “história da Mamãe Ganso” sobre um a vida deste homem que nasce velho e está fadado a morrer jovem, com todas as vantagens e os dramas que sua “circunstância incomum” lhe proporciona. Sem precisar de efeitos pirotécnicos, computação gráfica de última geração ou outros recursos indispensáveis para encher os olhos dos cine-espectadores, o filme traz, sem ser piegas, belas mensagens sobre como devemos aproveitar nossa curta passagem neste mundo, curtir todas as pessoas que cruzam nossa vida e tudo que elas podem nos ensinar e estar preparado para tudo que a vida lhe oferecer – as coisas boas e as ruins também, pois tudo é aprendizado e tem um objetivo na sua vida.
Antes de encerrar este texto, devo acrescentar que foi uma injustiça que Cate Blanchett não tivese sido ao menos indicada ao Oscar por seu brilhante trabalho neste filme. É incrível ver a transformação de sua pessoa à medida que a personagem envelhece, não apenas de corpo e rosto por conta da maquiagem, mas seus gestos, olhares e tons de voz diferentes que ela conseguia extrair nas diferentes décadas que a “camaleoa” Daisy atravessa em seus encontros e desencontros com Benjamin. Foi uma das raras vezes que vi uma atriz falar com todo o seu corpo no cinema – e seu corpo fala alto.
Depois de não ter me empolgado em nada com Watchmen, assistir O Curioso Caso de Banjamin Button foi uma excelente experiência para mostrar que eu ainda estou vivo por dentro e que a indústria americana de cinema ainda pode produzir coisas interessantes. Ainda bem que deixei para assisti-lo depois…

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