Tocks de April 2009

29 April 2009       Tock-Categoria: Outros

O mundo geek é pequeno

Tenho um computador co 4Gb de memória, três HDs (um deles só para música) e um grande monitor LCD ligado nele. Minha conexão de 3Mb à Internet permite que eu assista conteúdo multimídia, navegue por páginas diversas e  converse com várias pessoas pelo Messenger, tudo ao mesmo tempo. Quase todas as pessoas que conheço vivem uma “situação tecnológica” semelhante, muitas vezes até mais avançada que a minha com seus notebooks, mini-laptops e smartphones conectados via 3G, que lhes permitem twittar da fila do banco ou do trânsito, além de seus desktops com dois monitores e configurações muito mais avançadas que a minha. Cercado desta realidade, só posso concluir que este é o cenário do típico internauta brasileiro.

Este é um erro muito comum, cometido pelos internautas heavy users. Neste cenário, nós trocamos idéias e sugestões, via Twitter, de como tornar a Internet cada vez mais colaborativa, funcional e cool de se usar e viver. Mergulhamos de cabeça em cada nova ferramenta e tecnologia que aparece com a fome de quem não vê nada mais substancial que uma alface há meses, participamos de eventos e palestras de Internet e tecnologia em geral, fazemos amizades reais cujo contato é mantido de forma virtual, criamos e ouvimos podcasts, criamos e lemos blogs, criamos e participamos de fóruns… Normalmente trabalhamos nesta área ou em algo que envolva a Internet em nosso dia-a-dia e, por conseqüência, nossos colegas de trabalho também. E nossos amigos. E nossas caras-metade. E os amigos de nossos amigos, que se tornam nossos amigos também. Mas nós não somos referência.

Em janeiro deste ano, foi divulgado o número de internautas domésticos no país: 24,5 milhões. Perto dos cerca de 170 milhões de brasileiros, de acordo com o último censo no país, realizado em 2000, esta quantidade de internautas ainda não me impressiona a ponto de dizer que o Brasil é um país conectado, mas vá lá: vamos trabalhar apenas neste universo – se considerarmos a galera que navega pelos mares virtuais através de lanhouses, podemos arredondar este número para 25 milhões.

Então são 25 milhões de internautas brasileiros ávidos por novidades tecnológicas, que criam blogs, ouvem podcasts, vão aos Descolagens, BlogCamps e CampusPartys da vida, certo? Na verdade… Não. O CampusParty, evento geek mais badalado até agora, registrou cerca de 6,5 mil pessoas inscritas. Agora sim: são 6,5 mil geeks ávidos por tecnologia e novidades online e… Ainda não. Foram vários os blogs (os donos desses, sim, geeks de carteirinha) que relataram um público que não era exatamente o perfil do evento, que chegou lá pro oba-oba por conta do burburinho criado e se decepcionou quando viu que não era bem sua praia.

Não é todo mundo (na verdade, uma grande maioria) que conhece os hypes do momento na Internet e, pra falar a verdade, não está nem aí para eles. Second Life, Twitter, qualquer outra coisa do Google que não seja o GMail e a ferramenta de busca… Nada disso faz parte da vida dessas pessoas e eles estão muito bem assim, obrigado, concentrados mais em suas vidas offline, usando a Web como ferramenta ocasional de trabalho ou, nos momentos de lazer, fazendo uso da dobradinha “Orkut+MSN” e considerando que isso é o máximo de inovação digital que eles precisam.

Claro que é interessante que todos tenham esse mesmo interesse e curiosidade de experimentar as novidades que a Internet oferece e cabe a nós, entusiastas digitais, evangelizar isso por aí, mas este não é um processo rápido – não basta simplesmente abrir o navegador e mostrar o “maravilhoso mundo do Twitter” que a pessoa arregalará os olhos como se estivesse vendo a Terra Prometida. Enquanto isso, não podemos nos tomar como referência de povo brasileiro conectado e estranhar toda vez que alguém não souber o que é Twitter, linked in, Digg, Flickr, etc. E não me venha dizer “ah, não é assim, todo mundo que eu conheço tem isso tudo”. Todas as pessoas que eu conheço também têm, mas pensar que nós conhecemos todo mundo no Brasil só por conhecer quem conhecemos é o grande tropeço. As ferramentas sociais ainda são muito pouco conhecidas por aqui e só podem ser consideradas populares mesmo quando todos no Brasil, inclusive a imprensa offline como os telejornais e revistas, deixarem de falar delas como novidade e tratá-las como uma ferramenta corriqueira. Até lá, é nossa responsabilidade descermos de nossos pedestais, assumirmos que nosso mundo geek não é tão vasto quanto costumamos pensar e desbravarmos as terras estrangeiras para evangelizar e agregar cada vez mais pessoas à nossa causa, com paciência e um sorriso no rosto.

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27 April 2009       Tock-Categoria: Máquina do Tempo, Podcasts

Máquina do Tempo #030: 1984

Esta edição foi praticamente um tributo à minha adolescência. Foi legal descobrir que muitos hits que embalaram as festinhas de play e matinées foram lançadas em 1984. É nesse clima de deliciosa nostalgia que Leandro Bulkool e eu fizemos mais uma viagem a bordo de nosso DeLorean voador, para reviver com vocês os melhores momentos dos bailinhos. Embarque você também: meninos trazem refrigerantes e as meninas, pratinhos de salgados!

E o que vai rolar nesse bailinho? Bruce Springsteen, Scorpions, Van Halen, Pretenders e muito mais!

Gostou do programa? Quer sugerir mais algum ano, uma música, uma banda? É só mandar um e-mail para podcast@maquinadotempo.blog.br. Esperamos que curta e aguarde as novidades que estamos preparando.

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26 April 2009       Tock-Categoria: As Leis de Murphy

Lei de Murphy da semana

“LEI DA CHEGADA: Os que moram mais perto são sempre os últimos a chegar.”

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25 April 2009       Tock-Categoria: Outros

Construa sua privacidade

Como falei no post passado, parei em frente ao GNT na última quinta-feira para assistir a um documentário britânico sobre o Facebook, o site de relacionamentos que faz tanto sucesso por lá quanto o Orkut por aqui. Uma parte do programa abordou o tema privacidade ao mostrar casos como o da menina que postou fotos de uma brincadeira da qual participou no campus da Universidade e depois levou um “puxão de orelha” dos diretores pela brincadeira – como os “cabeças” da Universidade souberam? Eles viram as fotos no perfil dela, oras! E o cara que não estava satisfeito com seu emprego em uma grande empresa inglesa? Ele criou uma comunidade no Facebook chamada “Eu odeio a (nome da empresa)” e, no dia seguinte, foi chamado pela diretoria para conversar a respeito.

Nos dois casos, as “vítimas” reclamaram no programa que se sentiram invadidas pela universidade onde estuda e pela empresa onde trabalha ao saberem que seus superiores andam os espionando na Web. Outra entrevistada do programa, membro do parlamento inglês e também usuária do Facebook, não entendeu o escarcéu: se eles colocaram informações em um serviço online que, por definição e propósito, divulga suas informações para quem quiser ver, eles deveriam considerar que os altos funcionários da Universidade e da empresa em questão teriam tanto acesso a elas quanto qualquer outra pessoa.

Eu entendo esse escarcéu: entendo como mimimi fajuto de gente que fez besteira na Internet sem pensar e depois não quer assumir a culpa da própria burrada. A universitária e o empregado insatisfeito são dois exemplos do tipo de internauta que existe em todo o mundo – no Brasil, tem aos montes: é aquele cara que não tem a mínima consciência de que serviços como o Facebook e o Orkut amplificam a sua voz, lhe colocam em uma exposição extrema por conta da imensa quantidade de usuários neles – exposição que essas pessoas mesmas anseiam estar, afinal, foi pra isso mesmo que eles criaram seus perfis e o preencheram com tantos detalhes. Pensando que apenas “pessoas físicas”, internautas como eles, têm acesso a essas ferramentas, ficam impressionados em saber que as “entidades empresariais” também passeiam pelos Orkuts da vida. Há duas coisas a considerar neste cenário:

  • O seu superior na hierarquia onde você vive (sua escola, sua faculdade, seu trabalho, etc.) pode ser, na sua percepção, o representante da instituição onde atua durante o horário comercial mas, depois das 18 horas, o cara é tão “pessoa física” quanto você. Como tal, o cara também tem gostos, hobbys e costumes e é perfeitamente normal que ele também curta ter seu perfil no Orkut e sair navegando por aí para saber o que acham dele (vai me dizer que nunca procurou pelo seu nome no Google?). Olha aí a grande possibilidade de ele se esbarrar, sem querer ou mesmo intencionalmente, em busca de elogios e críticas da instituição onde ele trabalha, com a sua comunidade “Eu odeio o Fulano de Tal, da contabilidade”.
  • as instituições estão cada vez mais empenhadas em navegar pelas redes sociais, atrás das opiniões dos internautas sobre elas, a fim de melhorar a qualidade de seus produtos e serviços a partir das reclamações e sugestões que recebem de seus consumidores pontocom praticamente em tempo real. Existem até mesmo agências especializadas nisso, que contratam dezenas de pessoas para passarem seus dias úteis nesta função. Está na cara que, de uma forma ou outra, seus superiores saberão da existência daquele post no seu blog, daquele seu twitt mal-criado, daquela sua comunidade de desabafo no Orkut ou seu comentário maldoso em algum fórum, trazido até a mesa dele por uma dessas agências.

Invasão de privacidade? Por que? Tudo que eles fizeram foi descobrir informações que estão lá pra todo mundo ver – sem cadeados, sem a ativação de sistemas que esses sites oferecem para exibir tal conteúdo apenas àqueles considerados amigos na sua lista, sem nenhuma placa “Vá embora! Ogro!” na porta do seu texto. Invasão de privacidade seria, sim, se o tal conteúdo voltado apenas para determinadas pessoas estivesse em um sistema privado como na sua caixa de e-mail ou dentro de um álbum de fotos do Orkut que estivesse trancado e alguém tentasse (conseguindo ou não) invadir sua caixa ou quebrar o cadeado de privacidade do álbum só para ver o que tem lá dentro. Caso contrário, foi você quem jogou no ventilador para quem estivesse por perto – e acredite: a empresa onde você trabalha está perto.

Todos nós temos nossos comentários e momentos que não devem chegar aos ouvidos de alguém. Se você tem a mínima noção deles, NÃO OS COLOQUE NA INTERNET! Guarde seu desabafo para a happy hour no boteco em frente ao escritório, mande as fotos apenas por e-mail para outras pessoas e peça-as para não publicarem em lugar nenhum (melhor ainda: não tire fotos) e construa sua própria privacidade. O que você pensa é problema seu, assim como o que você fala ou mostra é responsabilidade sua.

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24 April 2009       Tock-Categoria: Outros

Desconcentração

“Vai começar um programa sobre o Facebook na GNT agora!” Esse foi o conteúdo das várias mensagens que recebi ao mesmo tempo no Twitter e no MSN ontem à noite. De repente lá estava eu: televisão ligada, computador ligado. Ao mesmo tempo eu assistia TV, comentava sobre o programa com outras pessoas pelo MSN, acompanhava os twits e, nos comerciais nem dava tempo para correr até a cozinha para furtar algo da geladeira: as mensagens pelo MSN não paravam de pipocar, perguntando sobre milhares de outros assuntos além do programa.

Para mim, criatura analógica e adestrada me concentrar em uma coisa de cada vez, foi uma experiência interessante, da qual evitava vivenciar, mas que, ao mesmo tempo, me perguntava como seria tentar desviar minha atenção em tantos pontos diferentes ao mesmo tempo: TV, MSN, Twitter, textos aleatórios…

A geração pontocom não sofre desse problema: li a alguns meses atrás que o perfil dessa galera que nasceu após a Internet e cresceu com ela está acostumada a direcionar sua atenção para diversos pontos diferentes: além de conseguirem fazer, com um pé nas costas, o que eu fiz ontem à noite, a galera ainda adiciona ouvir música, comer, navegar no Orkut e fazer buscas no Google à equação.

Impressionante? Para mim, sim, mas não no geral. Era óbvio e esperado que a Internet influenciasse profundamente no comportamento das gerações que viessem após ela. Sua característica multi-tarefas seria passada do virtual para o real de alguma forma – e a forma encontrada pelas circunstâncias foi essa. Hoje a garotada realiza várias funções ao mesmo tempo mas, como conseqüência, não conseguem manter o foco e a atenção em nada por mais de cinco minutos. Eu mesmo, por lidar diariamente com a Internet, começo a proceder assim: para escrever este texto, levei muito mais tempo do que levaria normalmente, porque parei diversas vezes para falar com três pessoas no MSN, ler os e-mails que chegavam durante a redação ou simplesmente parar para ouvir uma música ou outra simplesmente porque deu uma vontade incontrolável de colocá-la bem alto no meu Windows Media Player. Resultado? Aquilo que eu queria dizer quando comecei a escrever o primeiro parágrafo, esqueci completamente ao chegar neste ponto da redação. Essa situação, porém, serve de gancho para um novo texto sobre a falta de foco que a Internet nos dá e… Peraí: não é exatamente sobre isso que estou escrevendo até agora?

Acho excelente que as gerações seguintes consigam realizar várias tarefas ao mesmo tempo, mas, sinceramente, espero que eles também aprendam a focar toda sua concentração em uma única função quando for necessário, para que o trabalho em questão seja feito sem erros bobos que esta “desconcentração” pode gerar. Siga o conselho deste ancião de 34 anos de experiência de vida, crianças…

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23 April 2009       Tock-Categoria: Estudos estranhos

Escurecimento global

Adoro essas contradições da ciência… De acordo com um novo estudo, publicado recentemente na revista Nature, a poluição, indiretamente, ajuda a combater o aquecimento global.

Trocando em miúdos, o estudo revela que as colheitas e florestas se aproveitam dos dias cinzentos porque a poluição “distribui” melhor os raios solares, que atingem mais as folhas que, por sua vez, absorvem mais carbono. A prova disso? Os caras observaram o impacto nas plantas dos céus mais cinzentos e com menos luminosidade desde os anos 60, e acreditam que o tal “escurecimento global”, como chamam, foi responsável por aumentar a produtividade das plantas em 23,7% entre 1960 e 1999.

Sou tão cientista quanto a caneca de Coca-Cola sobre minha mesa enquanto escrevo este texto, mas enquanto lia a respeito dessa pesquisa, uma questão me passava pela cabeça: se essas plantas desenvolveram 23,7% em 39 anos em um ambiente poluído, será que elas não desenvolveriam muito mais se esses ambientes fossem mais limpos?

Esse é um dos motivos de eu classificar esses estudos científicos que comento por aqui de “estudos estranhos”: além de algumas pesquisas bizarras, alguns estudos inicialmente sérios trazem resultados que atiçam minha desconfiança. Isso quer dizer que agora devemos manter o ar moderadamente poluído para combatermos o aquecimento global e lidar com “o demônio que conhecemos”? Não, obrigado, senhores cientistas, prefiro prezar por um mundo melhor sem demônios, poluição e nem aquecimento. Espero eu que o resto da humanidade também pense assim.

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23 April 2009       Tock-Categoria: Outros

20 coisas que (quase) ninguém sabe sobre mim

Faz tempo que não participo desses memes que costumavam rolar muito pela blogosfera. Foi a Claudia Simas que começou e eu continuo daqui, em um exercício de exposição que é bem difícil para mim, mas vamos lá:

1. Tenho os dois joelhos fissurados
2. Já fiz escola de circo para ser palhaço
3. Já fiz teatro e encenei três peças, mas não terminei o curso
4. Em uma dessas peças, eu fiz papel de Drag Queen
5. Já virei madrugadas jogando RPG
6. Nunca me interessei pelo tal de videogame
7. Já trabalhei num telessexo (e ri muito das besteiras faladas lá)
8. Não gosto de admitir que gosto de academia
9. Tentei aprender a tocar saxofone, mas não consegui
10. Quando criança, queria ser carteiro
11. Dividi ração com o cachorro durante dois meses
12. Não agüento ver operações, cirurgias ou mesmo partos – nem pela TV
13. Tenho grandes crises de baixa auto-estima (cada vez menos, mas ainda tenho)
14. Sempre me achei feio, mas depois da adolescência, isso não me incomoda mais (quer dizer, só um pouquinho…)
15. Não saía de casa sem boné desde os 6 meses de idade até meus 16 anos
16. Já tive cabelo grande, mas…
17. …fiquei careca após um acidente de ônibus que me deixou desacordado por uma semana
18. Já morei com três mulheres diferentes (uma de cada vez), mas nunca casei no papel
19. Tenho duas medalhas de prata e uma de ouro em campeonato latino-americano juvenil de bicicross
20. Já ganhei dinheiro como músico, mas nunca estudei música

Não vou negar: foi difícil colocar isso no “papel”, mas queria ver outros blogueiros aceitando esse desafio. O que acham, Leandro Bulkool, Dekka e Andrea Alves? Quem mais quiser participar, é só repetir a brincadeira e avisar por aqui para todo mundo acompanhar!

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22 April 2009       Tock-Categoria: CDs

Entendendo o soldado americano

Em tempos de “novo mundo digital”, onde os consumidores de música ouvem canções separadas e afastam-se cada vez mais do conceito de que determinadas músicas fazem parte de um determinado CD, chega o Queensryche com mais um álbum conceitual, daqueles onde todas as músicas da obra, juntas, contam uma história. E quer saber? Às vezes é legal nadar um pouco contra a maré, só para agitar um pouco mais as águas e ver no que dá.

O resultado foi, para mim, um dos melhores trabalhos do ano até o momento. O vocalista Geof Tate mergulhou fundo para escrever as letras de American Soldier, cujas músicas falam da guerra a partir da ótica dos soldados nas trincheiras. Para isso, o cantor entrevistou vários veteranos americanos, desde os mais velhos que estiveram na segunda guerra mundial até os mais recentes, que lutaram no Iraque – entre eles, seu próprio pai, militar reformado que lutou na Coréia e no Vietnã. Não é um tema novo, mas ver um americano refletir sobre os efeitos, as conseqüências e indagar sobre o que é realmente um cidadão daquele país “apoiar o país” é um indício de que existem cabeças pensantes nos EUA e que nem todos possuem a mentalidade tacanha de seu último presidente antes de Obama.

Uma das coisas mais legais do Queensryche é que, mesmo falando de aspectos tensos como as condições físicas e psicológicas dos soldados durante a batalha, convicções abaladas ou não e o retorno para casa, a banda não perde a característica que a acompanha desde o início, que é a de compor melodias elegantes, que te fazem viajar, mesmo que os arranjos estejam mais pesados e marcados para acompanhar o clima militar das letras.

Este era um trabalho muito esperado pelos fãs, que acharam desnecessário o grupo revisitar seu maior sucesso ao lançarem uma continuação do disco Operation Mindcrime em 2006 – de lá pra cá, eles só lançaram um EP de covers, deixando todo mundo na sede por um trabalho 100% original. A espera foi compensada com todas as honras concedidas a um herói de guerra com mais um excelente e impecável trabalho deste quinteto de Seattle.

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20 April 2009       Tock-Categoria: Máquina do Tempo, Podcasts

Máquina do Tempo #029: 2001

Não tem como falar de do ano de 2001 e lembrar da data de 11 de setembro daquele ano. Desastres a parte, muitos sons estranhos e excelentes embalaram os roqueiros antes e depois do fatídico ataque terrorista – e foi pra lá que Leandro Bulkool e eu fomos desta vez!

E o que encontramos em 2001? System of a Down, Gorillaz[bb], R.E.M., Incubus[bb] e muito mais. Gostou da seleção? Não? Quer indicar uma música, ano ou simplesmente bater um papo com a gente? Então atualize seu catálogo de e-mails e anote nosso novo endereço para contatos: podcast@maquinadotempo.blog.br! Se você tem uma banda, aproveite para mandar também sua música e um pouco da história de seu grupo para tocarmos em um programa só sobre rock alternativo em breve.

Apertem os cintos, pois lá vamos nós para mais uma viagem a bordo deste DeLorean Voador!

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19 April 2009       Tock-Categoria: filmes

Como matar um espírito

Tenho que pedir desculpas a vocês: não consegui chegar ao fim de The Spirit. O filme, dirigido por Frank Miller, é uma adaptação da obra prima do grande mestre dos quadrinhos Will Eisner – ou pelo menos deveria ser.

Quando sai um filme baseado em uma história em quadrinhos, não sou de ficar fazendo comparações da história nas duas mídias , pois defendo as adaptações de uma para outra,  mas o que Miller fez não pode ser chamado de “adaptação”, mas sim de “desrespeito à obra”. Como renomado escritor / desenhista de quadrinhos, criador de algumas das histórias que revolucionaram o gênero, fã confesso de filmes noir e amigo e discípulo do “mestre” Eisner até sua morte, Frank seria realmente um nome mais que cotado para levar ao cinema a história do detetive Danny Colt, dado como morto em uma ação policial, mas que mantém sua sobrevivência em segredo, fazendo-se passar por um espírito justiceiro que assombra os bandidos de Central City. Por mais que essa descrição o faça parecer um Batman dos anos 20, Colt é bem mais humano que o homem morcego: ele continua sendo só um policial bonitão que sente atração por qualquer rabo de saia tanto quanto as mulheres que caem de amores por ele.

O grande problema é que, ao ser convidado a co-dirigir, ao lado de Robert Rodriguez, a transcrição para as telonas de uma de suas maiores obras dos quadrinhos, Sin City, Miller deve ter imaginado que pode se tornar aquele tipo de diretor de um estilo só, usando a plástica de filmes preto-e-branco superpostos em seu estilo de desenhar Sin City em qualquer filme – e foi isso que ele fez em The Spirit. O resultado é desastroso para ambos os públicos. Quem conhece a obra de Eisner não consegue ver, naquele Danny Colt obcecado, cuja personalidade mais parece uma mistura de Batman com o truculento Marv, a leveza e o clima que mistura inocência com sensualidade que sempre foi o grande atrativo do “Espírito de Central City”. Quem nunca leu os quadrinhos vai encontrar uma paródia muito mal feita daquele sucesso de 2005 com Bruce Willis e Mickey Rourke: personagens ridículos, caricatos de si mesmos e com uma história que, além de fazer o velho Will revirar em sua tumba, é uma ofensa à inteligência do espectador.

Ainda não vi Dragonball Evolution mas, por enquanto, esta fica sendo, pra mim, a bomba do ano.

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