
Às vésperas de lançarem No Line On The Horizon, o U2 dava declarações a quem quisesse ouvir, dizendo que iriam “reinventar o rock” com este novo trabalho. Sempre tenho medo de declarações como essa, pois normalmente são presságios de álbuns ruins. Bom, Bono e seus amigos passaram longe deste objetivo declarado, mas o presságio é falso desta vez: o CD é muito bom.
E o que faz de No Line On The Horizon um bom CD? Ele é parecido com How To Dismantle An Atomic Bomb? Não. Ele remete a clássicos da carreira da banda como The Joshua Tree, Boy e War? Também não. Ele é bom porque ele é original – em tempos de reinvenções e revisitações aos próprios umbigos, só isso já representa alguma coisa. Mas esta “alguma coisa” é uma boa coisa? Sim, é!
As músicas mais lentas de No Line On The Horizon têm um clima bem onírico, com melodias simples regidas por um teclado leve, enquanto o baixo e a bateria seguram o andamento (como sempre) e a guitarra de The Edge faz riffs e “barulhinhos” que encaixam muito bem com a voz de Bono, que experimenta umas linhas vocais muito interessantes, lembrando levemente o oriente médio. Essas mesmas músicas, aliás, devem ter alguma mensagem subliminar por injetarem rapidamente em seu cérebro belas imagens de paisagens arenosas no cair da tarde, como dunas ou cidades árabes das Mil e Uma Noites, mesmo que as músicas não tenham nenhum arranjo que remeta a esse clima de gênios e 40 ladrões.
As músicas mais agitadas não ficam atrás. Mesmo com uma pegada mais rock, com guitarras mais rápidas e riffs mais marcantes, elas conseguem se manter no clima do restante do CD, mostrando-se desde já presenças obrigatórias no setlist dos shows da banda. Todas bem simples e que funcionam muito bem.
Se a banda fez aquele tipo de comentário para gerar marketing de interesse em cima do novo trabalho, posso dizer que foi totalmente desnecessário: No Line On The Horizon fala por si só. Sem precisar reinventar nada, ele entra, fácil, na lista dos melhores e mais inspirados trabalhos dos irlandeses. Destaque para a emocionante White As Snow, a divertida Stand Up Comedy e a viajante Breathe.

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One Response
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Não sou muito fã de U2. Gosto sim de várias músicas, afinal U2 é U2. Mas estou super curioso para ouvir esse novo álbum, justamente por ter lido várias criticas elogiando e falando sobre essa declaração deles. Deve ser bom!