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Cai, cai, diploma…

E lá vem de novo o mesmo papo que ouço desde que estava prestes a me formar: a queda da obrigatoriedade diploma para a profissão de jornalista. Quando eu estava no sétimo período da faculdade de jornalismo, em mil novecentos e Kurt Cobain ainda vivo, este cobiçado documento por todos nós, alunos daquela sala, foi derrubado pela primeira vez. Alguns meses depois, ele voltou. Depois caiu de novo e voltou e caiu… Já perdi a conta de quantas vezes este diploma ioiô foi e voltou.

Aparentemente, agora foi de vez – afinal, a discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal, que resolveu limar a exigência. Teve gente que levantou até a questão da proliferação dos blogs, da Internet colaborativa e da liberdade de expressão como defesa para a queda. De acordo com esses argumentos, aqueles que defendiam a tese de que todo blogueiro é jornalista ganharam a discussão, enfim.

Eu me formei em jornalismo. Atuo na profissão de forma secundária, produzindo e editando conteúdo da Intranet de uma grande empresa, escrevendo notícias sobre ela para o público interno, exercendo, portanto, o que podemos chamar de “jornalismo corporativo”. Já trabalhei, no entanto, com esse jornalismo tradicional que vocês conhecem. Fui free-lancer dos maiores jornais cariocas, trabalhei em revistas de circulação nacional e escrevi para canais de notícias de portais de conteúdo que fazem parte dos endereços mais acessados da Internet brasileira. Na minha euforia de recém-formado, queria mostrar que havia acabado de sair da faculdade, que era oficialmente “um deles” e a resposta que eu recebia em quase todos os lugares era:

“Rapaz, que bom que você fez faculdade, mas o que me interessa de você, mais do que isso, é a qualidade de seu texto.”

E assim levei minha vida profissional, contando apenas com a experiência e os ensinamentos que vinha adquirindo com os profissionais com mais tempo de estrada. E é isso que vai contar para o mercado de comunicação: que os profissionais sejam qualificados, tenham talento e já saibam a maior quantidade possível de manhas da profissão. Essa qualificação será obtida através de cursos e faculdades como a de comunicação. No fim das contas, não importa muito se a obrigatoriedade do diploma cai, pois o mercado o exigirá – e exigirá mais ainda para separar o joio do trigo e selecionar aqueles que realmente têm tino para a coisa e quem é apenas um blogueiro de primeira viagem que, só porque escreveu dois posts sobre o novo filme de Jornada nas Estrelas sente-se apto a escrever sobre cinema no Segundo Caderno.

Os profissionais sérios à frente dos veículos de comunicação não querem se consultar com um médico que não seja formado. Não querem que um advogado não-formado os defenda no tribunal, não querem que seus filhos aprendam em uma escola com professores não-formados. Eles sabem que, para que seus veículos de comunicação sejam levados a sério, ele precisa de bons profissionais, portanto, um curso formador e preparatório para esta profissão é fundamental, mesmo que não mais obrigatório por lei.

É claro que essa história da queda da obrigatoriedade é “testa de ferro” para desviar os olhos dos jornalistas de outros assuntos que ocorrem por trás das cortinas de ferro da política brasileira e não duvido que, daqui a um ano ou dois (talvez menos, talvez mais, não sei), a obrigatoriedade do diploma volte a vigorar para, anos mais tarde, voltar a cair e continuarmos com esse jogo de ioiô do qual já cansei de acompanhar ou mesmo de levar a sério há muito tempo.

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2 Responses

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  1. Sergio said

    Acho que muito dessa decisao decorre do fato de muitos profissionais antigos nao possuem o diploma, sem contar que isso “legitima” que, no caso do esporte, vários ex-peladeiros possam comentar jogos a vontade.No final é lobby para cá,lobby para lá…
    Abracao..

Continuing the Discussion

  1. Jornalistas sem diplomas « Meme de Carbono linked to this post on 18/06/2009

    [...] Outra pergunta que devemos nos fazer é “Por quê a obrigatoriedade do diploma de comunicação foi derrubada?” [...]

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