Tock-categoria: Estudos Estranhos.

Eu não sou nerd…

… ou pelo menos não sou mais. Olhando pra trás, não sei dizer se esse adjetivo um dia já se aplicou a mim, mas não me sinto mais adequado para portá-lo. De acordo com uma pesquisa que saiu recentemente, mais de um terço dos nerds entrevistados tem em navegar na Internet seu passatempo preferido e que eles preferem ficar a frente do computador a sair com os amigos. O caso é tão sério que tem gente até mesmo tendo aula de comunicação para saber interagir com as pessoas e falar de algo que não seja de computação.

Não é difícil identificar traços como esses em meu passado, adolescente tímido e com baixa auto-estima que tinha medo e vergonha de chegar perto das pessoas e falar besteira. Por conta disso, me fechava sim no meu mundo dos livros, das revistas em quadrinhos, dos filmes e do rock. Depois de 34 anos na cara (completados hoje, por sinal), olho para trás e me vanglorio em dizer que consigo identificar aquele cenário como uma fase pela qual quase todo adolescente passa. A forma como lidamos com ela é que moldará parte da nossa personalidade e caráter na vida adulta. Ainda sou muito tímido, me calo em um grupo com mais de quatro pessoas e, até hoje, detesto tirar fotografia, mas percebo algumas evoluções: consigo falar mais de três frases em uma conversa, não falo mais apenas de super-heróis e RPG e prezo muito a minha vida offline.

Esse lance de vida offline é outro tópico que já abordei por aqui antes (mais especificamente aqui e aqui). Depois de trabalhar como jornalista de tecnologia durante uns cinco anos aproximadamente, não tenho mais saco para ficar horas sentado à frente da máquina. O computador ainda é um grande amigo do dia-a-dia, funciona como instrumento de comunicação, aparelho de som e ferramenta de trabalho, mas ao receber um convite qualquer para sair, ir para uma festa (mesmo que não saiba dançar), para um bar, um cinema ou simplesmente ficar de papo por ar cara-a-cara com os amigos, não vou pensar duas vezes em apertar o botão de desligar – talvez, se eu tivesse computador e Internet rápida na minha adolescência como há hoje, eu pensasse diferente. Ainda bem que não tive.

E daí que eu gosto até hoje de Guerra nas Estrelas, quadrinhos de Marcel e DC e possuo, também, uma vida online com blog, Twitter, podcast e tudo mais? Tudo isso hoje é considerado “cultura pop” e não “coisa de nerd”. Vejo atualmente que, para ser um nerd hoje em dia, é preciso atender a muitos mais requisitos que eu não atendo mais. Se isso é bom ou ruim, eu não sei. Acho que é apenas um sinal de que, aos 34 anos, estou abandonando a adolescência. E isso é uma coisa boa.

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One Response

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  1. Sinceramente ?? Importante é voce gostar de si próprio…Estando bem consigo mesmo, o resto é consequencia…
    Já nos falamos, mas novamente PARABENS !!!!
    Abraçao

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