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GeoCities e os sobrinhos “GeoSites”

Então o GeoCities fechou ontem. E com ele, toda a primeira geração de serviços da Internet chega, simbolicamente, ao fim.

Em tempos onde um site pessoal é sinônimo de blog, que, por sua vez, pode ser construído com poucos cliques em um Blogger ou WordPress da vida, é inconcebível pensar que, um dia, você tinha que “meter a mão” em um HTML estático (naquela época, tecnologias como PHP e ASP eram pura ficção científica) para criar um site. Registrar um domínio e hospedar em um servidor? Para internautas normais como eu e você, isso era uma verdadeira busca pelo cálice sagrado e mesmo as empresas passavam por dificuldade$$$ para conseguir isso. Era aí que entrava o GeoCities para salvar a pátria.

O primeiro serviço de hospedagem gratuita oferecia um espaço mediano para você hospedar seu site – um conjunto de arquivos .htm montados no editor de HTML Frontpage, da Microsoft (os experts no assunto usavam o complicadíssimo editor de HTML Hotdog) e, de preferência, pouquíssimas imagens para as páginas carregarem rápido, te dando um endereço enorme, que representava cidades, bairros e ruas virtuais dentro daquele sistema. Era algo como www.geocities.com/soho/greenville/seunome. Ei, antes isso do que não ter nada!

Hoje em dia, a história é outra. A Internet se profissionalizou a ponto de haver grandes profissionais do ambiente online capazes de construir serviços que abrem sua “casa” no mundo virtual em poucos minutos, seja ela um blog, uma galeria de fotos ou simplesmente seu perfil no Orkut, Facebook ou outra rede social semelhante. Ah, você quer um endereço próprio? Sem problemas: no Registro.br você compra o domínioseunome.com.br, contrata um serviço de hospedagem por 10 reais mensais e redireciona o endereço que você comprou para aquele servidor, que vem equipado com ferramentas que instalam seu blog na hora, em segundos. Em menos de duas horas, você já tem seu site pronto, funcional, com endereço curto e de fácil memorização e com conteúdo para espalhar por aí.

É fato: o GeoCities ficou obsoleto – mas algumas culturas que vêm de sua época ainda estão, infelizmente, em voga. Foi na época das páginas pessoais estáticas que a então garotada se interessou por essa linguagem alienígena chamada HTML. A partir daí, qualquer calças-curtas que sabia o que é <body><a href> já era considerado um webmaster apto para construir o site daquele seu tio que é dono de uma padaria naquele subúrbio onde pensam que Internet é o nome da cachaça nova – daí nascia a tão falada expressão “sobrinho pontocom” no mercado de trabalho. Até hoje, os profissionais Web ouvem a fatídica frase “eu tenho um sobrinho que faz o site pra mim rapidinho, sem cobrar isso tudo que você está me pedindo”. O que esse (im)potencial cliente não sabe é que o seu sobrinho ainda faz GeoSites (sites para a GeoCities). O sobrinho e esse cliente são tão obsoletos quanto uma página HTML feita no FrontPage.

Em prol dessa evolução, deixo de lado meu sentimentalismo de testemunha do nascimento deste serviço que trouxe tantas alegrias (e dores de cabeça, com seu contínuo mau funcionamento) para entender que sua morte representa um passo decisivo da evolução da Web e um importante recado talhado em sua lápide: clientes, modernizem-se! Sobrinhos , profissionalizem-se ou saiam do caminho. Internet é coisa séria, não estamos mais em 1996. Enquanto o GeoCities sai da Web para entrar para a história, faço questão de aplaudir de pé enquanto esta verdadeira cidade virtual caminha de cabeça erguida, certa deque cumpriu seu dever com competência.

Os blogs, fotologs e Orkuts ainda podem aprender muito com o legado deste velho serviço de hospedagem.

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2 Responses

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  1. Lembro desse tempo com saudosismo, pelo contexto da época e não por causa do serviço em si. Em 1998, eu e meu primo montamos um site com MP3 de bandas desconhecidas, underground. O nome da nossa “página” era Pipoca Moderna, e não me pergunte porque escolhemos esse nome, pois não lembro mesmo.

    Lembro também de ter páginas sobre quadrinhos e outros assuntos em serviços semelhantes como Fortunecity e Angelfire. Sim, eu sempre fui rato de internet e ficava fuçando em busca de novidades.

    Hoje sou um profissional na internet, aplaudo de pé o caminho que esse meio tomou, rumo a uma profissionalização. Hoje não há espaço para amadorismo, mas entendo que o Geocities e similares foram uma boa escola para mim.

    Abraços.

  2. Não sei do que vcs estão falando. Não é do meu tempo! Rá! =P

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