
Nesta noite de Haloween, o Foo Fighters transmitirá seu show no Estúdio 606, na Califórnia, em tempo real através do perfil da banda no Facebook (no horário de Brasília, começa à meia-noite de hoje). A iniciativa segue a onda da transmissão do show do U2 pelo YouTube, que aconteceu a poucos dias atrás. O Download Festival, que aconteceu na Inglaterra entre os dias 12 e 14 de junho também foi todo transmitido através do próprio site do evento – pude ver Dream Theater, Faith No More (se não me engano, foi a segunda apresentação da banda após seu retorno) e várias outras apresentações com uma qualidade de som e imagem impecável, como se estivesse vendo a transmissão de um Rock in Rio pela Globo.
É uma tendência interessante essa de transmitir shows ao vivo, em tempo real, através da Internet, mas que pode se chocar com outra proposta de lucro para os artistas, que é a de investir nos shows para ganhar o dinheiro que eles não estariam ganhando com a (não) venda de CDs – afinal, se dá pra ver pela Web, pra que pagar mais de 100 reais para ir ao show? Ese é o primeiro pensamento que vem à mente, mas calma: vamos analisar a situação um pouco mais detalhadamente.
Parto do princípio de que não dá para piratear show e nem mesmo replicar em vídeo, seja em DVD ou em transmissão pela TV ou Web, a emoção de estar lá no local, junto com a galera, cara a cara com aquele artista ou banda que você adora. Ele está cantando para você e não importa se ele não consiga te ver ou identificar no meio daquele mar de gente onde você é só uma gota. você faz parte de algo quando estamos todos lá – público e artista – vivendo uma experiência que simplesmente não dá para descrever em palavras.
Sendo assim, pra que, então, transmitir um show pela Web? Para dar água na boca de quem não foi? Sim! Exatamente isso! Principalmente se a pessoa que não foi em questão mora em outro país. Voltando ao exemplo do Faith No More no Download Festival, a banda ainda não havia confirmado, em junho, seus shows aqui no Brasil, mas tenho certeza de que, quem viu aquela apresentação do quinteto no palco, mostrando que eles estão ainda melhores do que na época em que encerraram as atividades, falou “depois dessa, se eles vierem tocar no Brasil, eu preciso ir ao show de qualquer jeito!” Quem diria que um festival na Inglaterra garantiria a eles, no mínimo, algumas centenas de ingressos comprados a mais…
É claro que o custo de uma transmissão de alta qualidade como foram as do U2, do Download Festival e, daqui a pouco, a do Foo Fighters, é alto, mas com as parcerias certas para dividir o investimento, o retorno em publicidade é garantido. Assim como as bandas atingiram ainda mais fãs pelo mundo, o YouTube ganhou ainda mais usuários e a quantidade de perfis no Facebook vai aumentar consideravelmente a partir desta noite.
As transmissões ao vivo podem, então, trazer cada vez mais pessoas para as futuras apresentações das bandas – e isso não precisa ser apenas para o grandes nomes mundiais da música. A tecnologia e o acesso 3G à Internet estão, cada vez mais, se popularizando ao ponto de, em breve, casas alternativas de shows transmitirem as apresentações das bandas independentes em seus sites ou até mesmo as próprias bandas conseguirem fazer isso, tornando-se mais um atrativo para o internauta conhecer esse trabalho e interessar-se em ver outros vídeos, ouvir as músicas no perfil do grupo no MySpace e querer saber quando será o próximo show deles para curtir ao vivo aquilo que viu através do navegador.
Não sei se o Foo Fighters vai tocar no Brasil no ano que vem mas, mesmo que não venha, estou até pensando em abrir uma conta no tal de Facebook só pra não perder essa…

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