
Sou fã do diretor Guy Ritchie e, desde Homem de Ferro, passei a admirar o trabalho de Robert “Tony Stark” Downey Jr – mas, até aí, quem não passou? Mesmo assim, não levei fé no filme de Sherlock Holmes quando surgiu o trailer. A prévia já mostrava uma evidente e radical desvirtuação do personagem em relação àquele que lia nos livros de sir Conan Doyle. a primeira coisa que me passou foi “Isso tem cara de ser um novo Van Helsing…”
O primeiro blockbuster do ano superou minhas expectativas: é divertido, tem cenas de ação interessantes, uma ambientação bonita, a “química” entre Downey Jr e Judy Law, que interpreta o leal amigo Dr. John Watson, funciona bem e o filme, no geral, é infinitamente superior àquela bomba vivida por Hugh Jackman em 2004, mas, mesmo assim, eu estava certo: definitivamente, este Não É o Sherlock Holmes que Arthur Conan Doyle criou em clássicos como O Cão dos Baskervilles.
Bem contrário ao original, o Sherlock de Guy Ritchie e Downey Jr. é um anti-herói sujo, charmoso, bom de briga (participa até da versão da época de Ultimate Fithing) e mulherengo, daqueles que atrai as mulheres por seu jeito “acabei de acordar” tal qual o rabugento médico Gregory House da série House. As semelhanças entre esse Holmes e o personagem vivido por Hugh Laurie na série médica vão além: assim como House, o Sherlock do filme é mal-humorado, anti-social, irritante, sua mente nunca pára de trabalhar e só tem um amigo no mundo – no caso, Watson, que, por sua vez, deixou de ser o pacato e ingênuo médico das clássicas histórias para se tornar valente, ousado e viciado em jogatina na pele de Law. O criador de House, David Shore, já disse ser fã do grande detetive e que se baseou na mente analítica de Holmes para criar o “jeito de pensar” do personagem principal – e quem assiste a série nota, nas telonas, como o jeito de ser do médico de bengala foi roubado pelos roteiristas para ser aplicado no investigador do fim do século XIX e começo do século XX, fechando um ciclo curioso.
O mais surpreendente para quem conhece a obra literária é ver como a dupla de distintos, elegantes e quase celibatários cavalheiros transformam-se em verdadeiros aventureiros descolados e sedutores no universo de Ritchie. O diretor britânico, por sua vez, arrisca-se sair daquela fórmula de filmes “histórias paralelas bizarras de diversos criminosos que se encontram no final” que o consagrou para dirigir um filme padrão – divertido e bem feito, sim, mas padrão. Definitivamente, não é uma obra de Ritchie, nota-se que ele foi apenas contratado para conduzir os cavalos dessa carruagem.
Se você é fã dos contos e livros de Sherlock Holmes, tenha em mente de que você verá uma aventura vivida por personagens inéditos, nunca apresentados antes em qualquer obra e que, por mera coincidência, foram batizados com nomes que você já leu em algum lugar. Assim, você vai curtir as duas horas de boa diversão que Guy Ritchie lhe oferece. Se você nunca leu nada de Sherlock Holmes, não fará diferença: compre sua pipoca com refrigerante e divirta-se.

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2 Responses
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Ock, confesso que esse era um dos filmes que mais esperava para este início de ano. Assisti ontem a noite e achei o filme bem despretencioso e cumprindo o papel de que lhe foi dado.
Eu consegui ver Guy Ritchie em algumas tomadas, lutas e construção de persongens.
Nunca tinha parado para prestar atenção na semelhança com o House.
Abraço.
Oi Ock..
depois de muito tempo consegui ver um filme bem na estreia e nao me decepcionei.Realmente, o diretor mostrou uma Londres bem “dark”, sinistra, mas o filme foi bem realizado e os dois ( Robert Downey Jr. e Jude Law ) arrassaram.
Valeu o ingresso, o refri e o pipocao !!
Abraços