Tock-categoria: Produzindo Podcasts.

A cara do seu podcast

Chegou o momento! Você finalmente comprou o equipamento adequado, de acordo com seu bolso, para gravar seu podcast (headset, placa de som decente, etc.) e fez milhares de testes de gravação com os outros integrantes do programa para definirem a melhor forma de registrar suas vozes com qualidade. Agora vamos apertar o play / rec e falar sem parar sobre… o que? Que assuntos vamos abordar? De que maneira? Como começar? É por causa deste momento que vou jogar um balde de água fria nos seus planos e dizer que esta ainda não é a hora de começar a gravar seu primeiro podcast.

Agora que sua estrutura está montada, certamente Você sente a necessidade de dar uma “cara” ao seu programa – e isso não se limita a apenas pensar no nome do podcast e definir o assunto. Planejar bem esses detalhes representa, pelo menos, 60% do sucesso de seu podcast, pois são eles (junto com a espontaneidade dos apresentadores, claro) que criarão o carisma do podcast junto aos ouvintes. O programa terá um caráter sério, divertido ou palhaço? O tema será abordado de forma opinativa, informativa ou avacalhando? Haverá produção sonora (vinhetas, fundo musical, etc.)? De que tipo? Quanto tempo deve durar cada edição? Esse “planejamento editorial” ajudará Você a conduzir a gravação e a edição do podcast mais tarde.

Não existe uma “fórmula do sucesso” a se seguir para que seu podcast tenha sucesso; o que existe é um formato usado pelos dois maiores podcasts mais populares no Brasil atualmente, o Nerdcast e o Rapaduracast, que possuem linhas editoriais diferentes, mas são executados da mesma maneira: enquanto o primeiro fala de assuntos variados sob uma ótica nerd, o segundo é voltado para o cinema em geral, mas ambos contam com sua equipe, formada por amigos, que batem papo sobre esses assuntos de forma informal e divertida, como se o ouvinte escutasse um papo de bar. Por serem os mais conhecidos, os novos ouvintes de podcasts acabam conhecendo esta mídia através deles e muitos tiram a errada conclusão de que esta é a única forma (ou pelo menos a única forma interessante) de se fazer um podcast. O Metacast traz um episódio que debate justamente os vários formatos existentes, vale a pena ouvir com atenção.

O que posso sugerir aqui (mas nunca levem isso como uma regra imutável, por favor) são algumas dicas para que o seu podcast não caia em armadilhas que fazem com que os ouvintes o achem enjoativo e queiram ouvi-lo até o fim:

  • o assunto do seu podcast pode ser abrangente (por exemplo, um “podcast sobre variedades em geral” que, no final das contas, é um podcast sobre qualquer coisa), mas procure pensar em pautas objetivas para que Você e/ou os outros participantes não fiquem divagando muito e não falando nada (por exemplo: “verão” é um assunto por demais aberto, mas “o que rolou de bom no cinema em 2009″ é bem mais objetivo).
  • Considerando que seu podcast é daqueles que duram uma hora ou mais, divida sua pauta em tópicos e procure gravar um ou dois desses tópicos em blocos separados. Assim, Vocês não se perdem na hora de conversar e o ouvinte não se cansa de ouvir uma conversa initerrupta de mais de uma hora sem tomar fôlego
  • Se Você pensa em usar introduções musicais e intervenções sonoras para separar blocos, use com moderação. Não coloque um ou dois minutos inteiros de uma música para começar um bloco ou efeitos sonoros muito longos, pois isso irrita o ouvinte, que quer começar a ouvir o próximo ponto quando este complemento sonoro já fez sua função segundos atrás – e acredite: segundos demais ou de menos fazem MUITA diferença para quem ouve
  • Se Você pretende inserir um fundo musical por baixo das vozes dos participantes conversando, cuidado para não deixar o som muito alto, atrapalhando o entendimento do papo. Se possível, dê preferência a músicas instrumentais, pois a voz do cantor, mesmo que em volume muito baixo, ainda pode se misturar com as vozes da equipe. O resultado é a gente ouvindo um maluco a mais no meio do pessoal que fica cantando coisas “nada a ver” durante o papo
  • Ainda sobre o fundo musical, um toque interessante é colocar músicas que produzem um clima de acordo com o assunto em questão, por exemplo, um heavy metal ou uma música industrial se o assunto for literatura ciberpunk ou algo medieval se Vocês forem relembrar os tempos do Rei Arthur
  • Seja Você mesmo, nem que Você seja um personagem de si mesmo, mas não queira imitar ninguém. Nós, ouvintes, percebemos quando alguém está falando ou se comportando de modo forçado e isso incomoda, nos dá uma sensação de vergonha alheia que nos faz desligar o player no segundo minuto de programa e decidir nuca mais voltar. Se for para ouvir pessoas falando as mesmas gírias e assuntos do Nerdcast ou do Rapaduracast, eu baixo semanalmente os originais
  • Fale do seu jeito, mas fale de forma clara e correta. Parece conselho de mãe: é tão óbvio que nem deveria ser necessário dizer, mas como tem gente que acaba cometendo o erro mesmo assim, o desnecessário torna-se vital
  • A gravação pode ser uma bagunça, mas faça disso uma bagunça organizada e evite que todos falem ao mesmo tempo. Caso contrário, o ouvinte não entende o que nenhum de Vocês fala e Vocês acabam falando muito e não dizendo nada

O último e mais importante conselho que posso dar pode parecer antagônico, mas garanto que faz sentido no final: ouça quantos podcasts Você puder e esqueça-se de todos eles. Por mais que haja programas por aí que copiam o formato dos podcasts mais conhecidos, existem muitos podcasts cujos realizadores colocaram a massa cinzenta pra funcionar a fim de oferecer propostas diferentes. Conheça todas elas e, depois, tente criar algo que diferencie o seu podcast dos demais, seja no formato, na edição, nas pautas, no assunto, na organização do conteúdo dentro do áudio… Saia do lugar comum. Este será um exercício diário e muito recompensador – para o seu podcast e para tudo o mais em sua vida também.

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