
Em 2007, a loja de CDs americana Amoeba Music recebeu ninguém menos que sir Paul McCartney em sua filial de Hollywood para uma apresentação intimista para as centenas de fãs que acamparam por dias na porta do estabelecimento. A apresentação de cerca de uma hora e meia lembrou os áureos tempos em que os desconhecidos Beatles se apresentavam no minúsculo Cavern Club, mesmo que a casa de shows inglesa tivesse um terço do tamanho da loja. Clique aqui e assista a um vÃdeo com cenas da apresentação.
Como se essa novidade, mesmo que antiga, não fosse interessante, a Amoeba lançou recentemente, em homenagem ao Grammy que McCartney ganhou em 2009, um CD exclusivo da loja com algumas músicas dessa apresentação. A bolacha prateada não é privilégio para o ex-Beatle: a rede de lojas (exstem mais duas, uma em São Fancisco e outra em Berkley) possui uma espécie de selo que lança CDs de gravações de shows que acontecem em suas filiais. Por aqueles palcos já passaram outros nomes como Supergrass, old 97′s e até os nossos Mutantes deram sua “palhinha” por lá! Alguns desses shows também viraram CDs que são vendidos nas lojas da Amoeba e também pelo seu site.
Em um cenário tecnológico-econômico onde as gravadoras choram uma declarada queda de venda de CDs, a Amoeba criou uma forma de continuar no mercado muito interessante, que atinge direto o coração do apaixonado por música, mudando o seu conceito aos olhos do cliente. Com esses shows, a Amoeba deixa de ser aquele lugar onde o consumidor, interessado no CD, entra (ou entrava) simplesmente para comprar a bolacha prateada e ir embora e passou a ser um lugar onde a pessoa quer estar e ficar, pois há ainda mais atrações para ela lá. Comprar um CD ou qualquer outra coisa relacionada ao artista torna-se uma feliz conseqüência para aqueles que passarão a entrar naquele local quase que diariamente. A Amoeba deixa de ser uma “loja de CDs” e passa a ser um ponto de encontro de amantes de música, onde você pode encontrar tudo a respeito dos seus artistas musicais preferidos – inclusive suas obras e, se der sorte, até mesmo o próprio artista dando o ar de sua graça no pequeno palco.
Esta é uma excelente alternativa para um problema que, talvez, a Amoeba não esteja sofrendo, que é o da queda de venda de CDs. Recentemente, conversei com alguns amigos que são donos de lojas de rock (cuja principal mercadoria que vendem são os CDs das bandas) e eles foram honestos comigo ao responderem que não sentiram uma queda tão acentuada nas vendas desde o surgimento do Napster e a evolução da tecnologia de compartilhamento de músicas. Isso acontece porque seu público é um nicho muito especÃfico, que é, em sua maioria, colecionador daqueles que se orgulham em ter algo fÃsico em mãos. Não basta ter a música – é preciso ter a obra paupável, com encarte e tudo mais.
Isso ainda não é o fim da questão, mas dar uma atenção cada vez mais dedicada aos seus diversos públicos pode ser mais uma alternativa que as gravadoras poderiam pensar com carinho a fim de se adaptarem ao mercado da nova música digital.


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2 Responses
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Nossa, que sensacional isso
Adoro Beatles eternamente!!!!!
Mas vc falando da Amoeba me lembra dos videos do Tomahawk tocando lá também.. =)
Enfim, agora fiquei bem curiosa com esse CD, vavleu querido, :*
Engraçado que eu li uma matéria há alguns meses, acredito que foi na UOL, que falava a mesma coisa: a venda de CDs de rock (no caso eles foram ainda mais especÃficos: heavy metal) manteve-se estável, exatamente por causa do perfil especÃfico do consumidor.
De qualquer forma, estamos vivendo a transição de um modelo antigo para algo novo, ainda não completamente definido. Quem viver verá!