
Durante o dia de ontem, os twitteiros não paravam de falar do Google Buzz, o novo recurso que integra redes sociais como o próprio Twitter, YouTube e outros serviços de interação ao Gmail, fazendo com que o serviço de e-mails do Google fique ainda mais “sociável”. E os comentários eram, como sempre, nada construtivos: um terço dizia que estava com problemas para acessar suas mensagens depois da instalação do Buzz; o segundo terço entrava em parafuso com o fato de ter que aprender a comportar-se com seus e-mails de forma diferente; e o terceiro terço questionava veementemente a utilidade ou validade do serviço.
É claro que um primeiro dia de qualquer novidade, serviço ou tecnologia não é suficiente para dizer se o mesmo terá sucesso ou não, mas a rejeição inicial que este grupo de internautas manifestou me fez lembrar de outros lançamentos e acontecimentos pela Internet que foram verdadeiros tiros n’água. Só para citar alguns:
- Google Wave – Eu sei que ainda há usuários ferrenhos que fazem uso desta “plataforma multi-tarefas faz tudo e ainda descasca batatas” do Google (nunca vou me acostumar em chamar “a” Google), mas o fato é que a grande maioria dos internautas ficou louca para conseguir um convite para esse negócio e, quando finalmente conseguiu passar pelos portões da novidade, disse: “Ah, então é isso. Legal. O que será que está rolando no Twitter agora?” e nunca mais voltou. Alguns acharam complicado demais, outros não viram utilidade no serviço exatamente por ter muitos recursos concentrados em um mesmo ambiente… Estou sendo crítico demais neste tópico, o Google Wave não pode ser considerado um fracasso: nós, internautas regulares, talvez não estejamos prontos para o conceito que ele apresenta e pode ser que, em alguns anos, torne-se realmente o padrão de comunicação e trabalho em grupo da Web, mas, por enquanto, é só mais um negócio sem explicação ou utilidade que fica muito bonito na estante dos internautas que se enchem de orgulho ao apontar para ele e dizer “eu tenho, você não tem”.
- Campanhas desastrosas em redes sociais – Com a popularização das redes sociais, o Marketing viu uma chance única de aproximar seus produtos dos clientes de uma forma segmentada nunca antes imaginada. O que muitos amadores afobados com essa possibilidade não imaginaram é que essa ferramenta é uma faca de dois gumes: se for usada de modo indevido ou um erro diplomático ou de relacionamento for cometido neste ambiente, a imagem da empresa ou produto vai por água abaixo. Foi o caso do BestShopTV, que abalou as estruturas do Twitter no ano passado (clique aqui e leia a matéria da INFO para relembrar). A imagem da loja ficou tão arranhada por não conseguir atender à promoção que ela mesma lançou no Twitter que até hoje ela é sinônimo de fail nas redes sociais. Este é apenas um entre muitos outros “cases de fracasso” que existiram por aí.
- Caça às bruxas do MP3 – Desde que o Napster foi condenado em 2001 e uma legião de artistas, encabeçada pelo Metallica, bradou aos quatro cantos a acusação de que “quem baixa música da Internet está roubando o dinheiro do artista”, a prática só aumentou vertiginosamente. O primeiro programa de compartilhamento de músicas foi fechado e, depois, tornou-se a plataforma de venda de música digital de uma major, mas, d lá pra cá, novos softwares, serviços virtuais e métodos ainda mais práticos e eficientes que o “gato de headphone” surgiram, disseminando cada vez mais novas e antigas obras de novos e antigos artistas. Os caçadores de internautas criminosos, com o apoio da Igreja da RIAA, bem que tenta, mas a nova ordem musical já se instaurou e boa parte dos músicos famosos e independentes já está se adaptando à nova realidade. O circo ainda continua sendo armado por muitas gravadoras, pela própria RIAA e por outros músicos e bandas, mas ninguém mais presta muita atenção nos milionários, ridículos e pontuais processos que eles aplicam em um ou outro internauta pelo mundo, rendendo notícias nos sites e blogs e incitando ainda mais antipatia pelo resto do mundo.
- Segway – O patinete motorizado virou um artigo cult, mas sua campanha de lançamento na segunda metade dos anos 90 foi uma grande palhaçada. Eu era estagiário em uma grande revista de Internet quando recebemos a notícia de que, nos Estados Unidos, uma empresa fazia o maior alarde ao anunciar um lançamento que seria MAIS REVOLUCIONÁRIO QUE A INTERNET, com direito à caixa alta e tudo! Por semanas, ficamos desconfiados, incrédulos e, por que não dizer, ansiosos e empolgados com aquela novidade que prometeria virar o mundo de cabeça pra baixo, como a Web o fez. No esperado dia, em transmissão via streaming para todo o mundo, os jornalistas do planeta dão de cara com… Um patinete? Um patinete motorizado? É isso mesmo que vai revolucionar o mundo mais que a Internet? É alguma gozação, a grande novidade virá logo depois disso? Não? Ok, deixa eu conferir meus e-mails que ganho mais…
- Tecnologia Push – Ainda na minha época de estagiário dessa revista, uma novidade que realmente me empolgou foi a tal tecnologia Push, também chamada de webcasting: através de um software, você poderia “assinar” o serviço que cada site de notícias proveria e esse mesmo software “empurrava” as notícias desse determinado site até você, sem precisar visitar a página a cada cinco minutos para ver se havia alguma novidade por lá. Sim, esse é exatamente o mesmo conceito do RSS como conhecemos hoje – acontece que os feeds são feitos com a linguagem XML que ainda não existia naquela época. O conceito de receber conteúdo on demand fez nossos olhos brilharem, só que o tal Push foi um fiasco: o software que os internautas deveriam instalar travavam os computadores, era pesadíssimo, o serviço era lento demais, poucos aderiram a ele… Enfim, tudo que tinha que dar errado, deu, e o tal de webcasting deixou todos nós, encantados com o conceito de receber conteúdo em vez de ir buscá-lo, na mão. Essa vontade só foi saciada mesmo anos mais tarde, com o surgimento do famoso ícone laranja com ondas brancas.

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One Response
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Fala Ock! Sobre a caça as bruxas do mp3.. nao sei se voce sabe de uma curiosidade. nos anos 90 foram destribuidos varios “mp3 encoders” que na verdade PROPOSITALMENTE detanavam a qualidade do mp3 ou colocavam varios defeitos.. isso ajudou a propagar o mito de que “qualidade de mp3 nao presta”… e ate hoje vejo nomes respeitosos falarem que “mp3 sempre ha perda”, o que nao é verdade (pode ter perda de informacao, mas nao de qualidade sonora na pratica, ja fiz dezenas e dezenas de testes em tudo que é equipamento e software).
Até hoje alguns tipos de DJs tentam impedir o trafego de mp3, como por exemplo os de psy, disseminando o mito que “dj de verdade toca WAV” (uma versao do “dj de verdade toca vinil”).. ha muita gente com intuito reacionario, principalmente quem ganha dinheiro com os padroes antigos.. como as grandes gravadoras agora, num ato risivel de tentar resgatar o vinil, por exemplo…
abs