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1001 maneiras (ou menos) de se matar um zumbi

Quando vemos o trailer de Zumbilândia, a primeira impressão que temos é a de que será uma comédia-paródia com todos os filmes de zumbi que existem por aí, desde os clássicos de Romero até os atuais, que correm e pulam sobre suas vítimas com uma fome de outro mundo. Pura diversão descerebrada para exercitar o humor negro e pensar em formas criativamente sádicas de se matar um morto-vivo.

Até que a primeira metade do filme é assim e é bem divertida enquanto mantém essa proposta. Os personagens sem nome, definidos apenas pelas cidades de onde vem, são os mais chavões possível dentro de um filme que seria uma paródia de chavões. O nerd virgem de Columbus (Jesse Eisenberg) é o nosso guia pelos Estados Unidos, um país vitimado por uma praga que transformou a maior parte da população em zumbis irracionais, que vivem atrás de carne humana fresca. Suas regras e inabilidade de se socializar com outras pessoas (vivas ou mortas-vivas) o mantiveram vivo, mas não prepararam para encontrar o valentão de Tallahassee (Woody Harrelson) que descobriu, nessa terra, sua verdadeira vocação: ser um bastardo safado sádico e criativo para matar pessoas – como elas já estão mortas mesmo, não é preciso ter remorso algum nisso. As irmàs de Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) são bem mais úteis para o filme e história que apenas posarem de beldades do que qualquer aparição de Megan Fox nos dois Transformers juntos. As aventuras e desventuras desse quarteto tentando se relacionar enquanto matam e escapam de zumbis é absolutamente previsível, mas seu cérebro está tão desligado quanto os dos mortos vivos, então tudo bem. A diversão é garantida.

A partir da segunda metade, parece que estamos assistindo uma versão tragicômica de eu sou a Lenda, aquele com Will Smith. Fora a piada do “Grande B.M.” (para entender o que quero dizer, assista o filme – mais que isso, vou acabar dando spoiler aqui), o filme dá uma caída para apresentar a parte sentimental da história, revelar um pouco do passado e motivação de alguns personagens e criar momentos românticos que devem haver em todo filme americano mas, caramba, isso é um filme de zumbi! Nós, espectadores que nos dispusemos a desligar nossos cérebros para ver carnificina de cadáveres começamos a ficar com fome típica de zumbi pelas atrocidades com esses mortos-vivos e começamos a achar que tem menos “matança” do que o trailer nos vendeu. Fome essa que é um pouco saciada ao final do filme, mas nos deixou um gostinho de quero mais. Tudo bem, o final do filme deixou em aberto a possibilidade para continuações mesmo…

As referências com outros filmes, séries da atualidade e a trilha sonora (destaque para a excelente abertura do filme ao som de For Whom the Bell Tolls, do Metallica) são atrações à parte, mas estão longe de segurarem o filme. Eu, que não gosto muito de temas como zumbis e vampiros, faço aqui uma metáfora sexual: senti-me como uma mulher que acreditou no papo do cara que diz ser AQUELE CARA que vai te deixar arrasada, mas, na hora H, morreu nos primeiros 15 minutos. Agora entendo vocàs quando ficam em dúvida quanto a dar uma segunda chance à figura.

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