
As próximas semanas podem representar um interessante grande passo para a Internet no Brasil. Seguindo a máxima de que o ano só começa mesmo por aqui depois do carnaval, os líderes do país se reunirão no começo de março para definir os parâmetros do Plano Nacional de Banda Larga – o principal deles seria a reativação da empresa estatal de telecomunicações Telebras, que seria a responsável em prover esse acesso gratuito à Internet rápida para todos.
Traduzindo para uma linguagem que os jornalistas de economia não conseguem ou não podem usar nos veículos onde trabalham, o lance é que o governo quer oferecer Internet em banda larga de, no mínimo, 1Mb de velocidade a todos os municípios do país a um preço baratinho, o suficiente para que até a população de baixa renda possa pagar por ele. A estrutura pra isso está praticamente pronta: os planejamentos prevêem usar redes ociosas de fibra ótica que já existem pelo país, mas as cidades distantes das metrópoles não serão esquecidas: os envolvidos no projeto pretendem criar conexões com redes móveis para atender até mesmo a zona rural.
De acordo com o cronograma do plano, até 2012 (se o mundo não acabar até lá), quase todo o país já terá “banda larga baratinha”, com exceção da região Norte, que ganhará seu um mega de velocidade até 2014. Hoje em dia, cerca de 18% das casas brasileiras tem Internet; com a banda larga popular, o governo espera que esse número aumente para 50% – isso sem contar com escolas, serviços públicos e até mesmo empresas privadas que podem contratar o serviço. De acordo com declarações do presidente, parece que o modelo escolhido foi mesmo o estatal, ou seja, o controle e responsabilidade pela venda e distribuição dessa rede ficará nas mãos da Telebras, tornando-se assim um concorrente direto – e bem forte, diga-se de passagem – das empresas que provêem banda larga em suas regiões como Speedy (Telefonica), Virtua (NET), Velox (Oi) e outras.
É claro que as empresas privadas não estão gostando nada nada da idéia. Com tantas reclamações que vejo dos usuários de Internet a respeito dos serviços de acesso que contratam, fica evidente que elas vão ter que rebolar muito para competir com uma estatal que parecerá muito atraente pelo preço que cobrará. Só pra começar, eles terão que garantir maior qualidade no serviço prestado ou diminuir drasticamente o preço cobrado ou os dois! Talvez a declaração do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, de que o governo pretende estabelecer parcerias com as teles no fornecimento da banda larga acalme ânimos do setor privado, mas nem tanto.
De qualquer forma, tudo isso na teoria é muito bonito: praticamente o Brasil inteiro conectado, todo mundo terá sua Internet de 1Mb para fazer o que quiser e a classe C não precisará mais ir até às lan houses para fazer uso da dobradinha Orkut/ MSN que faz a alegria da galera – eles poderão, finalmente, fazer uso daquela webcam que veio com o computador que eles compraram a 34 prestações na Casas Bahia. O que espero que não aconteça é que a estrutura a ser montada/ aproveitada revele-se frágil demais para atender a demanda e a banda larga popular fique mais fora do ar do que audiência de TV pequena no horário da novela da Globo. As empresas particulares, por sua vez, não precisarão melhorar sua qualidade e esfregarão na cara de todos “Nosso serviço é melhor . Vale a pena pagar um pouco mais por uma Internet banda larga que funcione.” O mercado de banda larga no Brasil melhorará bastante com a iniciativa sim, mas ainda dá pra ir bem mais fundo nesse poço antes de começarmos a subir.
Tudo isso, no entanto, são só especulações. Se bobear, a tal reunião que acontecerá em março resultará em uma direção totalmente oposta àquela que estou traçando aqui ou ainda não dar em nada, adiando a decisão mais uma vez. Eu sempre traço um cenário tenebroso, mas mesmo assim, estou curioso em ver como essa história da banda larga popular para todos vai terminar – ou começar.

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One Response
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O Velox já me deu muita dor de cabeça, inclusive frustrou algumas tentativas de gravações do Bermudacast via Skype. No entanto, não confio muito nessa tentativa de “Brasil no País da Banda Larga”. O investimento na Telebrás para montar essa mega-estrutura vai ser altíssimo. O Brasil e muito grande, e duvido muito que em 2 anos eles consigam fazer isso. Pago pra ver.