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Timidez em tempos de Internet social

Outro dia pipocou pelo Twitter uma matéria sobre o Flitters, uma festa criada nos EUA para os twitteiros flertarem uns com os outros associando o “passarinho azul” para vencer a timidez do primeiro contato e a proximidade física de estarem todos no mesmo local para continuarem esse papo aqui no mundo offline. Quem sabe temos mais um casal nerd que venceu a timidez com o auxílio da informática e se forma para montarem sua casinha cheia de action figures e DVDs de ficção científica?

Essa não é a primeira, décima, centésima ou milésima vez que vemos a Web servindo de escudo para pessoas tímidas (sejam elas nerds ou não) conseguirem dar aquele primeiro passo para chegar perto daquela outra pessoa que despertou interesse. Quem não tem um “alvo” em vista, sai – caça pelas diversas redes sociais. Sentindo-se protegida pelo seu monitor, a pessoa toma coragem em mandar uma primeira frase, um gracejo, um “oi, você é muito bonito(a)” que seja. Se rolar alguma rejeição, o ego não sentirá o golpe como sentiria se fosse cara-a-cara. Isso acontece desde os tempos do “oi, q tc?” das salas de chat do UOL e dos mIRC lá pelos idos de 1996. Será que não estamos percebendo uma epidemia cada vez maior de timidez no ser humano ou é só impressão minha mesmo?

Pode ser que a humanidade seja sempre assim desde o início da civilização, afinal, quem nunca teve aquela sensação de pernas tremendo, frio na barriga e a repentina gagueira na hora que você está em frente daquela figura que te faz sonhar acordado? Só a idéia de comunicar a ela que a mesma tem esse estranho poder sobre você te deixa apavorado, com vontade de colocar a cabeça na terra como um avestruz. Se não fosse essa reação comum a todos nós, não haveria roteiro para as comédias românticas.  Talvez seja só uma evidência maior do assunto, mas me parece que os tímidos de hoje são muito mais tímidos que os das gerações anteriores, com medos muito maiores de sofrerem uma rejeição e reações muito mais drásticas a isso, de modo que eles só conseguem dar esse primeiro passo através da Web, incapazes de, ao serem apresentados a alguém interessante por um amigo em comum, não conseguirem desenvolver um diálogo com mais de três palavras.

Eu mesmo estou atirando pedra sem olhar pro meu teto de vidro: sim, eu já fui aquele moleque que sentia as pernas congeladas na frente de uma garota e não conseguia falar mais de três palavras. A vida me ensinou a não ser mais assim – hoje, só os pés ficam gelados e eu consigo falar quase seis palavras. Não é nenhum avanço, mas ainda estou no lucro quando comparado a muitos que, se não estiverem atrás do teclado, sofrem um curto-circuito mental e cardíaco.

Ok, a Internet ajuda, a galera está mesmo “na pista pra negócios” e essa pista pode ser o Orkut, o Facebook, o Twitter ou qualquer outra rede social – sua escolha, mas não vamos fazer dessa pista única plataforma para se chegar a alguém. Caso contrário, teremos uma geração de supertímidos que não conseguirão chegar perto de quem está ao seu lado na festa, com o mesmo objetivo, se a figura não tiver uma “@” antes do nome. Usemos a Web como uma ferramenta, não como único meio para se chegar a um fim comum.

Timidez é uma merda, superá-la é uma tarefa que parece ser impossível e a Internet parece ser um placebo muito sedutor para tal finalidade, mas no fim das contas, não passa disso: um placebo. É inegável que a Web aumenta a possibilidade de relações interpessoais, mas que tal usar essa experiência adquirida para aprimorar também a sua capacidade própria de gerar e cultivar essas relações interpessoais sem a muleta dos bits e bytes? Esse é um exercício dificílimo que venho me forçando a praticar e vejo resultados nisso. Se eu consegui tirar minha cabeça da terra, tenho certeza de que você também pode. Deixa de timidez e experimente dar a cara à tapa – dói menos do que parece…

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One Response

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  1. Tenho a impressão que a timidez cresceu por que cresceram as cobranças sociais. Apesar de instituições como casamento estarem mais flexiveis olha-se com mais estranheza para quem está só.

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