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16 February 2010       Tock-Categoria: filmes

1001 maneiras (ou menos) de se matar um zumbi

Quando vemos o trailer de Zumbilândia, a primeira impressão que temos é a de que será uma comédia-paródia com todos os filmes de zumbi que existem por aí, desde os clássicos de Romero até os atuais, que correm e pulam sobre suas vítimas com uma fome de outro mundo. Pura diversão descerebrada para exercitar o humor negro e pensar em formas criativamente sádicas de se matar um morto-vivo.

Até que a primeira metade do filme é assim e é bem divertida enquanto mantém essa proposta. Os personagens sem nome, definidos apenas pelas cidades de onde vem, são os mais chavões possível dentro de um filme que seria uma paródia de chavões. O nerd virgem de Columbus (Jesse Eisenberg) é o nosso guia pelos Estados Unidos, um país vitimado por uma praga que transformou a maior parte da população em zumbis irracionais, que vivem atrás de carne humana fresca. Suas regras e inabilidade de se socializar com outras pessoas (vivas ou mortas-vivas) o mantiveram vivo, mas não prepararam para encontrar o valentão de Tallahassee (Woody Harrelson) que descobriu, nessa terra, sua verdadeira vocação: ser um bastardo safado sádico e criativo para matar pessoas – como elas já estão mortas mesmo, não é preciso ter remorso algum nisso. As irmãs de Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) são bem mais úteis para o filme e história que apenas posarem de beldades do que qualquer aparição de Megan Fox nos dois Transformers juntos. As aventuras e desventuras desse quarteto tentando se relacionar enquanto matam e escapam de zumbis é absolutamente previsível, mas seu cérebro está tão desligado quanto os dos mortos vivos, então tudo bem. A diversão é garantida.

A partir da segunda metade, parece que estamos assistindo uma versão tragicômica de eu sou a Lenda, aquele com Will Smith. Fora a piada do “Grande B.M.” (para entender o que quero dizer, assista o filme – mais que isso, vou acabar dando spoiler aqui), o filme dá uma caída para apresentar a parte sentimental da história, revelar um pouco do passado e motivação de alguns personagens e criar momentos românticos que devem haver em todo filme americano mas, caramba, isso é um filme de zumbi! Nós, espectadores que nos dispusemos a desligar nossos cérebros para ver carnificina de cadáveres começamos a ficar com fome típica de zumbi pelas atrocidades com esses mortos-vivos e começamos a achar que tem menos “matança” do que o trailer nos vendeu. Fome essa que é um pouco saciada ao final do filme, mas nos deixou um gostinho de quero mais. Tudo bem, o final do filme deixou em aberto a possibilidade para continuações mesmo…

As referências com outros filmes, séries da atualidade e a trilha sonora (destaque para a excelente abertura do filme ao som de For Whom the Bell Tolls, do Metallica) são atrações à parte, mas estão longe de segurarem o filme. Eu, que não gosto muito de temas como zumbis e vampiros, faço aqui uma metáfora sexual: senti-me como uma mulher que acreditou no papo do cara que diz ser AQUELE CARA que vai te deixar arrasada, mas, na hora H, morreu nos primeiros 15 minutos. Agora entendo vocês quando ficam em dúvida quanto a dar uma segunda chance à figura.

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12 January 2010       Tock-Categoria: filmes

“Elementar, my f***in’ Watson”

Sou fã do diretor Guy Ritchie e, desde Homem de Ferro[bb], passei a admirar o trabalho de Robert “Tony Stark” Downey Jr – mas, até aí, quem não passou? Mesmo assim, não levei fé no filme de Sherlock Holmes quando surgiu o trailer. A prévia já mostrava uma evidente e radical desvirtuação do personagem em relação àquele que lia nos livros de sir Conan Doyle. a primeira coisa que me passou foi “Isso tem cara de ser um novo Van Helsing…”

O primeiro blockbuster do ano superou minhas expectativas: é divertido, tem cenas de ação interessantes, uma ambientação bonita, a “química” entre Downey Jr e Judy Law, que interpreta o leal amigo Dr. John Watson, funciona bem e o filme, no geral, é infinitamente superior àquela bomba vivida por Hugh Jackman em 2004, mas, mesmo assim, eu estava certo: definitivamente, este NÃO É o Sherlock Holmes que Arthur Conan Doyle criou em clássicos como O Cão dos Baskervilles[bb].

Bem contrário ao original, o Sherlock de Guy Ritchie e Downey Jr. é um anti-herói sujo, charmoso, bom de briga (participa até da versão da época de Ultimate Fithing) e mulherengo, daqueles que atrai as mulheres por seu jeito “acabei de acordar” tal qual o rabugento médico Gregory House da série House[bb]. As semelhanças entre esse Holmes e o personagem vivido por Hugh Laurie na série médica vão além: assim como House, o Sherlock do filme é mal-humorado, anti-social, irritante, sua mente nunca pára de trabalhar e só tem um amigo no mundo – no caso, Watson, que, por sua vez, deixou de ser o pacato e ingênuo médico das clássicas histórias para se tornar valente, ousado e viciado em jogatina na pele de Law. O criador de House, David Shore, já disse ser fã do grande detetive e que se baseou na mente analítica de Holmes para criar o “jeito de pensar” do personagem principal – e quem assiste a série nota, nas telonas, como o jeito de ser do médico de bengala foi roubado pelos roteiristas para ser aplicado no investigador do fim do século XIX e começo do século XX, fechando um ciclo curioso.

O mais surpreendente para quem conhece a obra literária é ver como a dupla de distintos, elegantes e quase celibatários cavalheiros transformam-se em verdadeiros aventureiros descolados e sedutores no universo de Ritchie.  O diretor britânico, por sua vez, arrisca-se sair daquela fórmula de filmes “histórias paralelas bizarras de diversos criminosos que se encontram no final” que o consagrou para dirigir um filme padrão – divertido e bem feito, sim, mas padrão. Definitivamente, não é uma obra de Ritchie, nota-se que ele foi apenas contratado para conduzir os cavalos dessa carruagem.

Se você é fã dos contos e livros de Sherlock Holmes, tenha em mente de que você verá uma aventura vivida por personagens inéditos, nunca apresentados antes em qualquer obra e que, por mera coincidência, foram batizados com nomes que você já leu em algum lugar. Assim, você vai curtir as duas horas de boa diversão que Guy Ritchie lhe oferece. Se você nunca leu nada de Sherlock Holmes, não fará diferença: compre sua pipoca com refrigerante e divirta-se.

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29 October 2009       Tock-Categoria: filmes

Ao ver um não-humano, denuncie!

Não sou um fã de ficção científica – aliás, percebo que nunca fui um fã do gênero. Gosto de Guerra nas Estrelas e semelhantes porque a história é mais um “capa-e-espada” ambientado no espaço sideral do que ficção científica propriamente dita. Sendo assim, pode acreditar quando digo que é um grande feito um filme como Distrito 9 tirar de mim um adjetivo como “interessante”.

O filme está sendo vendido para o público em geral como a nova empreitada de Peter “Senhor dos Anéis” Jackson, desta vez na produção, mas os grandes méritos da obra são realmente o roteiro de Terri Tatchell e Neill Blomkamp, diferente de tudo que já vi em matéria de filmes de alienígenas, e a direção do mesmo Blomkamp, que mistura o estilo documentário (ou mockumentary, como estão chamando hoje em dia) com a narrativa tradicional, mas nunca caindo no lugar comum.

Se você espera algo como um Independence Day ou Marte Ataca, onde os tiros e batalhas aéreas de naves espaciais acontecem a todo instante, no melhor estilo hollywoodiano, esqueça. Distrito 9 tem uma missão mais profunda e crítica que isso: a de jogar na nossa cara como a espécie dominante deste planeta é irracional, preconceituosa, medrosa e ignorante com nossa própria raça – imagine então como seríamos com uma raça alienígena que fica presa em nosso planeta e não consegue voltar pra casa. Antes que você pense, não há absolutamente nehuma relação com o E.T. de Spielberg.

O filme ganha a atenção de quem procura por originalidade na telona ao trocar a guerra entre nós e os alienígenas pela tensa situação das duas espécies convivendo de forma tensa no meio da África do Sul (está pensando que os ETs só vão para os Estados Unidos, é?), em uma grande favela conhecida como distrito 9, onde os alienígenas se viram para sobreviver, vítimas do preconceito dos nativos que não os querem por perto. A campanha de divulgação do filme, com cartazes espelhados pela cidade indicando que os pontos de ônibus e outros locais são proibidos para não-humanos, assim como é mostrado no filme, foi uma grande sacada. Adicione isso à burocracia dos órgãos públicos para lidar com isso, diversas questões sociais e culturais e você tem os ingredientes para um bom filme cheio de mensagens fortes, que fica ainda melhor quando começa o drama do franzino e inofensivo Wikus Van De Merwe (vivido por Sharlto Copley), funcionário da A Multi-National United (MNU) encarregado de transportar os aliens para o Distrito 10, menor, mais distante dos humanos e com menos condições de vida. Confesso que, ao ver Sharlto fora de seu personagem em entrevistas para divulgar o filme, quase não o reconheci. Se Hollywood não o fisgar logo esse talento, vai marcar bobeira.

Distrito 9 não é um filme blockbuster. É um filme para refletir, pensar e te inspirar a fazer algo mais produtivo para a sociedade ao redor. É um filme que te faz não querer ser um alien aos olhos de seus próximos e sentir vergonha de ser humano o suficiente de querer mudar isso. Como toda boa ficção científica. E olha que não sou assim um fã do gênero…

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9 September 2009       Tock-Categoria: filmes

O que acontece em Vegas fica em Vegas. Ainda bem!

Essa máxima já foi usada em vários filmes que abordam a mitologia (ou é a verdade nua e crua?) de que tudo MESMO pode acontecer – e acontece – na cidade de Las Vegas, estado de Nevada, Estados Unidos. Já vemos, nas telonas, muitas histórias de uma pessoa ou grupo de amigos que partem para o “parque de diversões da América” (normalmente para uma despedida de solteiro) e passam por tanta coisa que voltam totalmente mudados. Quando pensava que esse plot já estava saturado, me aparece Se beber, não case.
O roteiro não é diferente do padrão que descrevi acima: noivo mais três amigos farão despedida de solteiro em Las Vegas, bebem todas, lapso de memória, acordam com a suíte revirada e não se lembram de absolutamente nada – as besteiras que aprontaram durante esse lapso de memória vêm batendo às suas portas à medida que o filme segue, enquanto eles tentam descobrir o que fizeram e consertar o rastro. O que diferencia Se beber, não case dos outros filmes do gênero são as seqüências de besteiras que eles vão descobrindo em ordem cronológica inversa e os tipos de conseqüências que elas trazem: sem poder entrar em detalhes para não estragar surpresas, são absurdos quase possíveis de acontecer que tiram seu fôlego, sem apelar para certas humorísticas de maus gosto muito usadas nas comédias sem graça dos últimos tempos, como escatologia, menções a sexo bizarro ou diálogos carregados de palavrões sem sentido com a intenção de chocar.
Foi um grande prazer encontrar no telão uma comédia inteligente e espirituosa que prova que é possível fazer rir com um tema tão batido como “porre em Las Vegas” sem apelar para o mau gosto. Está na minha lista particular de melhores filmes de 2009, com todos os méritos!
PS: isso não é um aviso, mas uma constatação: você VAI acompanhar os créditos no final do filme e concordará comigo que, ao acompanhar um dos melhores créditos de filme de todos os tempos, o que acontece em Vegas deve mesmo, definitivamente, para o bem da humanidade, permanecer em Vegas.

Essa máxima já foi usada em vários filmes que abordam a mitologia (ou é a verdade nua e crua?) de que tudo MESMO pode acontecer – e acontece – na cidade de Las Vegas, estado de Nevada, Estados Unidos. Já vemos, nas telonas, muitas histórias de uma pessoa ou grupo de amigos que partem para o “parque de diversões da América” (normalmente para uma despedida de solteiro) e passam por tanta coisa que voltam totalmente mudados. Quando pensava que esse plot já estava saturado, me aparece Se beber, não case.

O roteiro não é diferente do padrão que descrevi acima: noivo mais três amigos fazem despedida de solteiro em Las Vegas, bebem todas, lapso de memória, acordam com a suíte revirada e não se lembram de absolutamente nada – as besteiras que aprontaram durante esse lapso de memória vêm batendo às suas portas à medida que o filme segue, enquanto eles tentam descobrir o que fizeram e consertar o rastro. O que diferencia Se beber, não case dos outros filmes do gênero são as seqüências de besteiras que eles vão descobrindo em ordem cronológica inversa e os tipos de conseqüências que elas trazem: sem poder entrar em detalhes para não estragar surpresas, são absurdos quase possíveis de acontecer que tiram seu fôlego, sem apelar para certas humorísticas de maus gosto muito usadas nas comédias sem graça dos últimos tempos, como escatologia, menções a sexo bizarro ou diálogos carregados de palavrões sem sentido com a intenção de chocar.

Foi um grande prazer encontrar no telão uma comédia inteligente e espirituosa que prova que é possível fazer rir com um tema tão batido como “porre em Las Vegas” sem apelar para o mau gosto. Está na minha lista particular de melhores filmes de 2009, com todos os méritos!

P.S.: isso não é um aviso, mas uma constatação: você VAI acompanhar os créditos no final do filme, um dos melhores de todos os tempos,  e concordará comigo que o que acontece em Vegas deve mesmo, definitivamente, para o bem da humanidade, permanecer em Vegas.

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13 August 2009       Tock-Categoria: filmes

Ação, drama, magia e hormônios

Com isto em mente, lá fui eu assistir Harry Potter e o Enigma do Príncipe, assim mesmo, de cabeça limpa e sem saber o que esperar dele, mesmo ciente de seu dramático final (sim, os amigos “Pottermaníacos” me contaram, de luto, o final do livro na época em que saiu – como ficar alheio a este acontecimento que chocou o mundo?). Devo[bb] dizer que, de toda a série, este foi o único que me deixou curioso para ver o próximo e último da saga que, pelo que li por aí, será dividido em duas partes.
O filme anterior deixa bem claro que a escola de magia de Hogwarts começaria a viver, na película seguinte, o momento mais negro de sua história e que o talentoso e poderoso aprendiz de feiticeiro é a única esperança do lado do bem sair vitorioso. O Enigma do Príncipe deixa bem claro que eles não vieram para brincadeira nos momentos de ação e drama, que realmente convencem, mas a história é bem equilibrada com momentos distintos de comédia e até romance. A autora JK Rowling e o diretor David Yates não esqueceram que, a esta altura, nossos heróis Harry, o atrapalhado Rony Weasley e a perfeccionista Hermione Granger são, agora, adolescentes, com hormônios à toda e corações acelerados. Junte isso àquelas confusões adolescentes de “fulano gosta de beltrana, que gosta de cicrano” e você se sente assistindo a um filme de John Hughes como Clube dos Cinco ou Gatinhas e Gatões ambientado em uma escola de magia.
Por mais que os filmes anteriores de Potter tenham sido, para mim, “uma agradável diversão momentânea e nada mais”, admito aqui que valeu a pena ter acompanhado a série para testemunhar esse clímax da vida do personagem principal. Aqueles que leram o livro devem sentir falta de muitos detalhes descritos no livro de aproximadamente mil páginas que, obviamente, não caberiam em um filme, mesmo que este tenha duas horas e meia de duração. Espero que, mesmo assim, os fãs leitores entendam isso e curtam a experiência de assistir a esse que é, até o momento, o capitulo mais emocionante da saga nas telonas.
Como é dito em toda a série, os humanos que sequer sabem que magia existe são chamados pelos magos de “trouxas” – em nosso mundo de espectadores, é uma interessante analogia pensar que os “trouxas” são aqueles que, como eu, só conhecem o universo de Harry Potter através dos filmes, sem terem lido os livros. Neste momento, não me importo de ser um trouxa, pois isso me fez curtir bastante o filme. Em certos momentos, a ignorância é uma dádiva…

Deixe-me, primeiro, tentar explicar minha relação com Harry Potter: nunca li os livros do menino-bruxo, pois o personagem e seu universo nunca me interessaram muito. Inevitavelmente, acabei assistindo todos os filmes, um ou outro no cinema, mas a grande maioria no DVD, e minha opinião não mudou – é um universo divertido de se testemunhar, os filmes são feitos com esmero e capricho, mas não me encantei a ponto de virar fã. Digamos que sou um simpatizante e um admirador distante da franquia.

Com isto em mente, lá fui eu assistir Harry Potter e o Enigma do Príncipe, assim mesmo, de cabeça limpa e sem saber o que esperar dele, mesmo ciente de seu dramático final (sim, os amigos “Pottermaníacos” me contaram, de luto, o final do livro na época em que saiu – como ficar alheio a este acontecimento que chocou o mundo?). Devo dizer que, de toda a série, este foi o único que me deixou curioso para ver o próximo e último da saga que, pelo que li por aí, será dividido em duas partes.

O filme anterior deixa bem claro que a escola de magia de Hogwarts começaria a viver, na película seguinte, o momento mais negro de sua história e que o talentoso e poderoso aprendiz de feiticeiro é a única esperança do lado do bem sair vitorioso. O Enigma do Príncipe deixa bem claro que os vilões não vieram para brincadeira nos momentos de ação e drama, que realmente convencem, mas a história é bem equilibrada com momentos distintos de comédia e romance. A autora J.K. Rowling e o diretor David Yates não esqueceram que, a esta altura, nossos heróis Harry, o atrapalhado Rony Weasley e a perfeccionista Hermione Granger são, agora, adolescentes, com hormônios à toda e corações acelerados. Junte isso àquelas confusões amorosas de adolescentes tipo “fulano gosta de beltrana, que gosta de cicrano” e você se sente assistindo a um filme de John Hughes como Clube dos Cinco ou Gatinhas e Gatões ambientado em uma escola de magia.

Por mais que os filmes anteriores de Potter tenham sido, para mim, “uma agradável diversão momentânea e nada mais”, admito aqui que valeu a pena ter acompanhado a série para testemunhar esse clímax da vida do personagem principal. Aqueles que leram o livro devem sentir falta de muitos detalhes descritos na história de aproximadamente mil páginas que, obviamente, não caberiam em um filme, mesmo que este tenha duas horas e meia de duração. Espero que, mesmo assim, os fãs leitores entendam isso e curtam a experiência de assistir a esse que é, até o momento, o capitulo mais emocionante da saga nas telonas.

Como é dito em toda a série, os humanos que sequer sabem que magia existe são chamados pelos magos de “trouxas” – em nosso mundo de espectadores, é uma interessante analogia pensar que os “trouxas” são aqueles que, como eu, só conhecem o universo de Harry Potter através dos filmes, sem terem lido os livros. Neste momento, não me importo de ser um trouxa, pois isso me fez curtir bastante o filme. Em certas horas, a ignorância é uma dádiva…

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7 August 2009       Tock-Categoria: CDs

Fortes emoções e uma pitada de guitarra

Nando Reis[bb] deve ter passado maus momentos em sua vida pessoal de 2006 pra cá para escrever algumas das letras que ele apresenta em seu novo trabralho, Drês. Sem perder sua veia romântica e sentimental, esse é o trabalho mais pesado do artista, com bastante guitarra em vez de violão, desde que saiu dos Titãs e assumiu de vez sua carreira solo.

É normal um artista expressar em sua arte tudo que ele sente, vive e presencia. No caso de um músico, através das melodias e letras que compõe. Isso não é novidade na carreira de Nando, que escreve suas músicas como se o ouvinte fosse um amigo que está ouvindo as histórias – engraçadas, tristes ou simplesmente um desabafo do coração – de tudo que o cerca. Neste novo trabalho, conferimos algumas declarações de amor às ex-namoradas e/ou mulheres (cujos relacionamentos deram ou não certo), seus filhos e sua mãe em momentos delicados. Falar de felicidade é fácil, mas falar de sentimentos como saudade e a necessidade de dar a volta por cima após uma “porrada da vida” é um exercício e tanto de exposição de seu “eu” interior.

Não pense que, com isso, Drês é um trabalho depressivo – pelo contrário! Graças ao uso mais comum da guitarra que o do violão e as levadas mais rápidas, estamos falando de um trabalho mais “rock n roll” de Nando. Essas músicas trazem sentimentos deliciosamente antagônicos, que te deixam emocionado, empolgado e estranhamente feliz por sentir uma pontinha de melancolia – carapuça servindo em alguns momentos, talvez?

Em meio a essa pegada mais rock e um turbilhão de emoções, os fãs perceberão que tudo isso é matéria-prima para mais um delicioso e emocionante trabalho deste que eu sempre considerei o mais talentoso dos Titãs. Se Mick Jagger me permite uma pequena alteração em um de seus refrões mais famosos, Drês é apenas Nando Reis, mas eu gosto!

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15 July 2009       Tock-Categoria: CDs

Inspiração no próprio umbigo

E o Dream Theater[bb] lança mais um álbum que é tipicamente um “Dream Theater”. Eu adoro as passagens virtuosas da banda, aliadas a uma melodia que varia do pesado à balada e ao pop sem nem perceber. Por isso que Black Clouds & Silver Linings é um puta álbum desse quinteto americano.

Este lançamento é praticamente um presente da banda para os fãs mais antigos, aqueles que queriam a volta daquele som que explorasse mais suas inspirações, como Rush e Pink Floyd, assim como eles fizeram em álbuns como Images and Words e Awake. Músicas gigantescas, de 12 a 19 minutos, cheias de climas e levadas diferentes, onde os músicos exploram todo o talento individual em riffs e solos que grudam no ouvido.

O conjunto da obra é tão bacana que aqueles que prestam realmente atenção em todas as músicas da obra deste grupo quase desconsideram que eles têm “reciclado” partes diversas de várias músicas suas (principalmente dos discos Six Degrees of Inner Turbulence, Scenes from a Memory e Train of Thought), usando-as novamente como partes das canções do novo disco – mas tudo bem, a gente encara como referências vindas deles próprios. Destaques para A Rite of Passage, The Best of Times e The Count of Tuscany.

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27 June 2009       Tock-Categoria: filmes

MUITO mais do mesmo

Michael Bay é um segundo Roland Emmerich. Enquanto o diretor alemão sempre avisou para nunca ser levado à sério através de seus filmes como Independence Day e O Dia Depois de Amanhã, a mesma visão deve ser aplicada aos filmes da série Transformes, feita pelo americano. Como toda continuação de um blockbuster, Transformes – A Vingança dos Derrotados tem MUITO mais do mesmo: neste caso, mais robôs, mais ação, mais lutas, mais destruição, mais briga, mais piadas e mais Megan Fox em poses e closes dignas de fotos do Paparazzo.

A sensação que tive ao ver o segundo filme da franquia é a de que ele está mais próximo do desenho que animava minhas manhãs de domingo na Globo do que o primeiro, pois vários elementos da atração estavam lá: o falso puxa-saquismo do avião Startscream sobre o líder Megatron, o espião Soundwave, agora um satélite espacial, mandando protótipos de robôs para vigiarem seus inimigos e dedurarem informações e localizações, Optimus Prime partindo pra porrada como nunca visto antes e até os Constructicons (Decepticons que se transformavam em veículos de obra) que se juntavam para formar o gigantesco Devastador. Você espera alguma profundidade ou coerência em um desenho animado oitentista baseado em uma linha de brinquedos? Claro que não! O público alvo desse desenho só quer ver os robôs virando veículos e virando robôs de novo e caindo na mão e virando veículos de novo e…

É essa a mentalidade que você tem que ter ao entrar na sala de cinema, pois se procurar alguma substância em meio às piadas, ao cenário mal feito ou nas mensagens americanizadas de família, dever e responsabilidade, lutar pelo que acredita, etc., você vai sentir que jogou seu dinheiro fora. O negócio mesmo nesse é ver porta-aviões destruído no meio e a pancadaria acontecendo em vários ambientes, desde entre as pirâmides egípcias até no meio da cidade grande, com robôs gigantes destruindo viadutos, estradas e prédios como em um moderno filme de Godzila.

Reparou que, até agora, não falei nada da história do longa ou se algum personagem tem importância crucial ou destaque na película, nem que seja a do protagonista Sam Witwicky, vivido pelo atual queridinho de Hollywood, Shia LaBeouf? Pois é… Nem o fato de agora o destino da Terra estar nas mãos (ou na mente) dele deixa o personagem mais relevante do que antes. Este é o segredo para se assistir Transformers 2: não leve Michael Bay a sério, assim como já deve ter aprendido a não considerar os filmes de Emmerich um exemplo de coerência. Você vai rir bastante com os absurdos e as piadinhas de todo o inexpressivo elenco do primeiro filme, que está de volta.

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24 June 2009       Tock-Categoria: CDs

Pés de galinha são lançamento do ano

Quando o cantor Sammy Hagar e, mais tarde, o baixista Michael Anthony foram convidados a se retirar do Van Halen, fiquei ansioso em saber se e quando eles apresentariam seus próximos projetos e se o fariam juntos. Minha expectativa aumentou muito quando anunciaram que a nova banda que estavam montando contaria ainda com o “guitar god” Joe Satriani e o baterista Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers, que tem uma pegada bem forte e nunca fez feio. Nem mesmo o cômico nome Chickenfoot foi suficientemente piadista para diminuir a expectativa por este projeto.

E os caras realmente não decepcionaram. O Chickenfoot pode, muito bem, ser classificada como uma “superbanda”, daquelas formadas por músicos já consagrados que formam um verdadeiro “dream team” – e esse time bate um bolão dentro daquele jogo que eles praticam desde quando se lançaram ao sucesso: aquele hard rock enérgico, com guitarras limpas, baixo e bateria básicos, executando muito bem melodias alegres e edificantes, e vocais gritando letras que pregam diversão. Aquele tipo de hard rock da escola do Van Halen, onde você imagina um dia ensolarado da Califórnia e você dentro de um cadlac, acompanhado de uma ou duas loiras siliconadas de biquíni e cara de stripers.

Veja bem: eu disse que o Chickenfoot faz um hard rock “da escola” do Van Halen, mas longe de mim dizer que eles são uma cópia da banda de onde Sammy e Anthony saíram. Mesmo que o estilo seja o mesmo e o mestre Satriani tenha um jeito de tocar guitarra tão cristalino para compor e solar quanto o de Eddie Van Halen, esse quarteto mostrou que, além de talento, eles têm identidade própria para compor, e não se apegam ao que fizeram no passado. Definitivamente, um dos melhores lançamentos do ano até o momento, com grande chance de ocupar o topo da lista. Destaques para a alegre Sexy Little Thing, o refrão pegajoso (Arriba, Arriba!) de Get It Up e a empolgante My Kinda Girl, que seria perfeita para fazer parte da trilha sonora de um comercial de Hollywood, se esta marca de cigarros ainda fizesse seus famosos comerciais que embalaram muitos jovens nos anos 80.

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6 June 2009       Tock-Categoria: CDs

A metamorfose lhe cai bem

Sempre que eu ouço um novo trabalho daquelas bandas que intitulavam-se “Nü Metal”, sinto que elas estão evoluindo ao ponto de, aos poucos, abandonarem o rótulo, assumirem suas influências e sentirem-se mais confortáveis com a identidade sonora recém descoberta, cada vez mais simples e básica, exatamente como aconteceu com as bandas grunge nos anos 90. Um bom exemplo disso é o novo CD do Papa Roach, Metamorphosis.

Não sei se o título é intencional ou pura coincidência, mas caiu como uma luva para essa banda. O som deles está mais orgânico e direto, a energia das músicas vem realmente das composições, dos instrumentos e da interpretação do vocalista Jacoby Shaddix em vez do excesso de gritarias e barulhos desconexos como o estilo pregava no início dos anos 2000. Um ou outro elemento de sua bagagem anterior podem ser encontrados esporadicamente ao decorrer da audição, mas não é nada que o faça apertar o stop.

Os fãs do Papa Roach mais antigo poderão dizer que a banda “se vendeu”, “traiu o movimento” ou outras expressões batidas como essas por fazer um som mais “acessível” aos ouvidos de quem torcia o nariz pro Nü Metal com um som mais hard rock em alguns riffs e levadas, mas o fato é que o Papa Roach mostrou ser uma banda que soube amadurecer e fazer o que gosta sem perder a personalidade de seu som vigoroso. Quem gosta de um bom rock pode ouvir este CD tranqüilo de que encontrará algo por lá que o agrade, sem medo. Destaques para Change Or Die, Lifeline e Into The Light.

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