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7 August 2009       Tock-Categoria: CDs

Fortes emoções e uma pitada de guitarra

Nando Reis[bb] deve ter passado maus momentos em sua vida pessoal de 2006 pra cá para escrever algumas das letras que ele apresenta em seu novo trabralho, Drês. Sem perder sua veia romântica e sentimental, esse é o trabalho mais pesado do artista, com bastante guitarra em vez de violão, desde que saiu dos Titãs e assumiu de vez sua carreira solo.

É normal um artista expressar em sua arte tudo que ele sente, vive e presencia. No caso de um músico, através das melodias e letras que compõe. Isso não é novidade na carreira de Nando, que escreve suas músicas como se o ouvinte fosse um amigo que está ouvindo as histórias – engraçadas, tristes ou simplesmente um desabafo do coração – de tudo que o cerca. Neste novo trabalho, conferimos algumas declarações de amor às ex-namoradas e/ou mulheres (cujos relacionamentos deram ou não certo), seus filhos e sua mãe em momentos delicados. Falar de felicidade é fácil, mas falar de sentimentos como saudade e a necessidade de dar a volta por cima após uma “porrada da vida” é um exercício e tanto de exposição de seu “eu” interior.

Não pense que, com isso, Drês é um trabalho depressivo – pelo contrário! Graças ao uso mais comum da guitarra que o do violão e as levadas mais rápidas, estamos falando de um trabalho mais “rock n roll” de Nando. Essas músicas trazem sentimentos deliciosamente antagônicos, que te deixam emocionado, empolgado e estranhamente feliz por sentir uma pontinha de melancolia – carapuça servindo em alguns momentos, talvez?

Em meio a essa pegada mais rock e um turbilhão de emoções, os fãs perceberão que tudo isso é matéria-prima para mais um delicioso e emocionante trabalho deste que eu sempre considerei o mais talentoso dos Titãs. Se Mick Jagger me permite uma pequena alteração em um de seus refrões mais famosos, Drês é apenas Nando Reis, mas eu gosto!

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15 July 2009       Tock-Categoria: CDs

Inspiração no próprio umbigo

E o Dream Theater[bb] lança mais um álbum que é tipicamente um “Dream Theater”. Eu adoro as passagens virtuosas da banda, aliadas a uma melodia que varia do pesado à balada e ao pop sem nem perceber. Por isso que Black Clouds & Silver Linings é um puta álbum desse quinteto americano.

Este lançamento é praticamente um presente da banda para os fãs mais antigos, aqueles que queriam a volta daquele som que explorasse mais suas inspirações, como Rush e Pink Floyd, assim como eles fizeram em álbuns como Images and Words e Awake. Músicas gigantescas, de 12 a 19 minutos, cheias de climas e levadas diferentes, onde os músicos exploram todo o talento individual em riffs e solos que grudam no ouvido.

O conjunto da obra é tão bacana que aqueles que prestam realmente atenção em todas as músicas da obra deste grupo quase desconsideram que eles têm “reciclado” partes diversas de várias músicas suas (principalmente dos discos Six Degrees of Inner Turbulence, Scenes from a Memory e Train of Thought), usando-as novamente como partes das canções do novo disco – mas tudo bem, a gente encara como referências vindas deles próprios. Destaques para A Rite of Passage, The Best of Times e The Count of Tuscany.

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24 June 2009       Tock-Categoria: CDs

Pés de galinha são lançamento do ano

Quando o cantor Sammy Hagar e, mais tarde, o baixista Michael Anthony foram convidados a se retirar do Van Halen, fiquei ansioso em saber se e quando eles apresentariam seus próximos projetos e se o fariam juntos. Minha expectativa aumentou muito quando anunciaram que a nova banda que estavam montando contaria ainda com o “guitar god” Joe Satriani e o baterista Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers, que tem uma pegada bem forte e nunca fez feio. Nem mesmo o cômico nome Chickenfoot foi suficientemente piadista para diminuir a expectativa por este projeto.

E os caras realmente não decepcionaram. O Chickenfoot pode, muito bem, ser classificada como uma “superbanda”, daquelas formadas por músicos já consagrados que formam um verdadeiro “dream team” – e esse time bate um bolão dentro daquele jogo que eles praticam desde quando se lançaram ao sucesso: aquele hard rock enérgico, com guitarras limpas, baixo e bateria básicos, executando muito bem melodias alegres e edificantes, e vocais gritando letras que pregam diversão. Aquele tipo de hard rock da escola do Van Halen, onde você imagina um dia ensolarado da Califórnia e você dentro de um cadlac, acompanhado de uma ou duas loiras siliconadas de biquíni e cara de stripers.

Veja bem: eu disse que o Chickenfoot faz um hard rock “da escola” do Van Halen, mas longe de mim dizer que eles são uma cópia da banda de onde Sammy e Anthony saíram. Mesmo que o estilo seja o mesmo e o mestre Satriani tenha um jeito de tocar guitarra tão cristalino para compor e solar quanto o de Eddie Van Halen, esse quarteto mostrou que, além de talento, eles têm identidade própria para compor, e não se apegam ao que fizeram no passado. Definitivamente, um dos melhores lançamentos do ano até o momento, com grande chance de ocupar o topo da lista. Destaques para a alegre Sexy Little Thing, o refrão pegajoso (Arriba, Arriba!) de Get It Up e a empolgante My Kinda Girl, que seria perfeita para fazer parte da trilha sonora de um comercial de Hollywood, se esta marca de cigarros ainda fizesse seus famosos comerciais que embalaram muitos jovens nos anos 80.

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6 June 2009       Tock-Categoria: CDs

A metamorfose lhe cai bem

Sempre que eu ouço um novo trabalho daquelas bandas que intitulavam-se “Nü Metal”, sinto que elas estão evoluindo ao ponto de, aos poucos, abandonarem o rótulo, assumirem suas influências e sentirem-se mais confortáveis com a identidade sonora recém descoberta, cada vez mais simples e básica, exatamente como aconteceu com as bandas grunge nos anos 90. Um bom exemplo disso é o novo CD do Papa Roach, Metamorphosis.

Não sei se o título é intencional ou pura coincidência, mas caiu como uma luva para essa banda. O som deles está mais orgânico e direto, a energia das músicas vem realmente das composições, dos instrumentos e da interpretação do vocalista Jacoby Shaddix em vez do excesso de gritarias e barulhos desconexos como o estilo pregava no início dos anos 2000. Um ou outro elemento de sua bagagem anterior podem ser encontrados esporadicamente ao decorrer da audição, mas não é nada que o faça apertar o stop.

Os fãs do Papa Roach mais antigo poderão dizer que a banda “se vendeu”, “traiu o movimento” ou outras expressões batidas como essas por fazer um som mais “acessível” aos ouvidos de quem torcia o nariz pro Nü Metal com um som mais hard rock em alguns riffs e levadas, mas o fato é que o Papa Roach mostrou ser uma banda que soube amadurecer e fazer o que gosta sem perder a personalidade de seu som vigoroso. Quem gosta de um bom rock pode ouvir este CD tranqüilo de que encontrará algo por lá que o agrade, sem medo. Destaques para Change Or Die, Lifeline e Into The Light.

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8 May 2009       Tock-Categoria: CDs

Gritos dançantes

É uma tarefa estranha falar sobre o novo trabalho de Chris Cornell. Os fãs do cantor, acostumados a associá-lo ao rock pesado por sua história no Soundgarden e no Audioslave, além de seus dois excelentes discos solo que seguem a mesma linha, vão automaticamente repudiar Scream. O novo CD é uma experiência do artista no campo do pop dance, hip hop e daquilo que os americanos chamam atualmente de R&B, capitaneado pelo produtor Timbaland, a grande assumidade no assunto e “Rei Midas” deste cenário – os artistas mais bem sucedidos no estilo nos últimos anos passaram pelas mãos desse cara.

Em uma das várias entrevistas que Cornell já deu sobre seu novo trabalho, ele chegou a comentar que a idéia de gravar um disco de pop dance/”R&B” veio de seu cunhado, que é DJ e achou que a voz ácida e rasgada do marido de sua irmã caberia bem nesse estilo. Como rockeiro assumido e não-admirador desse tipo de som, é claro que o disco soou para mim, assim como para todos os fãs de Chris desde o Soundgarden ou do Audioslave, a grande decepção de 2009, principalmente porque sua voz forte e agressiva não combina em nada com as batidas eletrônicas que, normalmente, vêm acompanhadas de vozes mais suaves e “civilizadas”. Admito que minha opinião é totalmente irrelevante desta vez: por não gostar do estilo, não entendo do assunto, mas quem curte o pop dançante que os americanos fazem atualmente elogiou o trabalho.

Em resumo, é isso: se você é rockeiro e não curte o trabalho do Timbaland, grite por sua mamãe e fuja de Scream como o diabo da cruz. Se você é “pop no último”, esse disco é um tiro no escuro e eu não garanto nada.

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22 April 2009       Tock-Categoria: CDs

Entendendo o soldado americano

Em tempos de “novo mundo digital”, onde os consumidores de música ouvem canções separadas e afastam-se cada vez mais do conceito de que determinadas músicas fazem parte de um determinado CD, chega o Queensryche com mais um álbum conceitual, daqueles onde todas as músicas da obra, juntas, contam uma história. E quer saber? Às vezes é legal nadar um pouco contra a maré, só para agitar um pouco mais as águas e ver no que dá.

O resultado foi, para mim, um dos melhores trabalhos do ano até o momento. O vocalista Geof Tate mergulhou fundo para escrever as letras de American Soldier, cujas músicas falam da guerra a partir da ótica dos soldados nas trincheiras. Para isso, o cantor entrevistou vários veteranos americanos, desde os mais velhos que estiveram na segunda guerra mundial até os mais recentes, que lutaram no Iraque – entre eles, seu próprio pai, militar reformado que lutou na Coréia e no Vietnã. Não é um tema novo, mas ver um americano refletir sobre os efeitos, as conseqüências e indagar sobre o que é realmente um cidadão daquele país “apoiar o país” é um indício de que existem cabeças pensantes nos EUA e que nem todos possuem a mentalidade tacanha de seu último presidente antes de Obama.

Uma das coisas mais legais do Queensryche é que, mesmo falando de aspectos tensos como as condições físicas e psicológicas dos soldados durante a batalha, convicções abaladas ou não e o retorno para casa, a banda não perde a característica que a acompanha desde o início, que é a de compor melodias elegantes, que te fazem viajar, mesmo que os arranjos estejam mais pesados e marcados para acompanhar o clima militar das letras.

Este era um trabalho muito esperado pelos fãs, que acharam desnecessário o grupo revisitar seu maior sucesso ao lançarem uma continuação do disco Operation Mindcrime em 2006 – de lá pra cá, eles só lançaram um EP de covers, deixando todo mundo na sede por um trabalho 100% original. A espera foi compensada com todas as honras concedidas a um herói de guerra com mais um excelente e impecável trabalho deste quinteto de Seattle.

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11 April 2009       Tock-Categoria: CDs

Originalidade além do horizonte

Às vésperas de lançarem No Line On The Horizon, o U2 dava declarações a quem quisesse ouvir, dizendo que iriam “reinventar o rock” com este novo trabalho. Sempre tenho medo de declarações como essa, pois normalmente são presságios de álbuns ruins. Bom, Bono e seus amigos passaram longe deste objetivo declarado, mas o presságio é falso desta vez: o CD é muito bom.

E o que faz de No Line On The Horizon um bom CD? Ele é parecido com How To Dismantle An Atomic Bomb? Não. Ele remete a clássicos da carreira da banda como The Joshua Tree, Boy e War? Também não. Ele é bom porque ele é original – em tempos de reinvenções e revisitações aos próprios umbigos, só isso já representa alguma coisa. Mas esta “alguma coisa” é uma boa coisa? Sim, é!

As músicas mais lentas de No Line On The Horizon têm um clima bem onírico, com melodias simples regidas por um teclado leve, enquanto o baixo e a bateria seguram o andamento (como sempre) e a guitarra de The Edge faz riffs e “barulhinhos” que encaixam muito bem com a voz de Bono, que experimenta umas linhas vocais muito interessantes, lembrando levemente o oriente médio. Essas mesmas músicas, aliás, devem ter alguma mensagem subliminar por injetarem rapidamente em seu cérebro belas imagens de paisagens arenosas no cair da tarde, como dunas ou cidades árabes das Mil e Uma Noites, mesmo que as músicas não tenham nenhum arranjo que remeta a esse clima de gênios e 40 ladrões.

As músicas mais agitadas não ficam atrás. Mesmo com uma pegada mais rock, com guitarras mais rápidas e riffs mais marcantes, elas conseguem se manter no clima do restante do CD, mostrando-se desde já presenças obrigatórias no setlist dos shows da banda. Todas bem simples e que funcionam muito bem.

Se a banda fez aquele tipo de comentário para gerar marketing de interesse em cima do novo trabalho, posso dizer que foi totalmente desnecessário: No Line On The Horizon fala por si só. Sem precisar reinventar nada, ele entra, fácil, na lista dos melhores e mais inspirados trabalhos dos irlandeses. Destaque para a emocionante White As Snow, a divertida Stand Up Comedy e a viajante Breathe.

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24 March 2009       Tock-Categoria: CDs

Dando a mão à palmatória

Quem mandou entrar em uma loja de CDs e DVDs depois e tantos anos? Foi só bater os olhos na estante e estava lá, me esperando o DVD triplo de Snakes & Arrows Live, da melhor banda do mundo de todos os tempos (vocês já sabem de quem estou falando, certo?). Não resisti e comprei – fazia tempo que não comprava música ou um show assim, na forma de uma mídia, mas isso é papo pra outro dia.

Este texto é, na verdade, uma espécie de auto-flagelo por ter duvidado do Rush: o DVD traz um show gravado na Holanda, da turnê do último disco da banda, Snakes & Arrows, que eu comentei negativamente por aqui tempos atrás – natural, então, que os caras enchessem a apresentação de músicas novas. E foi o que fizeram. Já eu, vítima da modernização do cotidiano, há tempos só venho ouvindo música “no caminho”, ou seja, via MP3 no celular enquanto me dirijo de um lugar para outro ou enquanto estou fazendo outra atividade (enquanto escrevo este texto, por exemplo, ouço o DVD rolando no computador). Isso é um show do Rush, caramba, é algo que merece total atenção. Ao parar tudo para focar-me inteiramente em ver e ouvir a apresentação, prestei a devida atenção às músicas de S&A pela primeira vez.

Mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa! Como pude cometer a heresia de dizer que Snakes & Arrows está aquém da banda? A empolgante Far Cry continua sendo um “novo clássico” do trio, mas as outras músicas atingiram um nível tal de lirismo, melodia e letra que só mesmo 30 anos de estrada e uma brilhante carreira poderiam dar. São músicas feitas por músicos que já não precisam provar mais nada pra ninguém, que estão fazendo o que querem e quando querem, apenas para se divertir, preocupados em fazer algo que agradem aos seus ouvidos. E os caras têm realmente um grande bom gosto. Entre as novas canções, dou destaque a The Larger Bowl, Armor and Sword e à instrumental Malignant Narcisism, além da óbvia e já citada Far Cry, claro.

Quanto ao show, é simplesmente fantástico! Ao contrário do que se pode imaginar de um show de rock, as apresentações do Rush são muito bem humoradas e engraçadas – não em suas músicas, que tratam de temas ora sérios e reflexivos, ora voltados para histórias fantásticas, mas nas brincadeiras que Geddy Lee (baixo, teclado e voz), Alex Liefison (guitarras) e Neil Peart (bateria) fazem a todo tempo entre si e com o público como se estivessem em casa, nos vídeos que rolam no telão (como os garotos de South Park tentando tocar Tom Sawyer para anunciar a música) e até na decoração de palco como os fornos de assar frango, no melhor estilo “televisão pra cachorro”, que contam até com um figurante vestido de cozinheiro ou de frango (???) entrando no palco no meio do show para ver se estão prontos.

As músicas antigas do setlist são um espetáculo a parte: desde 2003 o trio vem incluindo nas apresentações músicas que pouquíssimas vezes tocaram ao vivo e nunca foram gravadas em outros discos live deles. Desta vez, além de clássicos como YYZ, Spirit of Radio e Passage to Bangkok, vemos Circumstances, a belíssima Entre Nous (que eles nunca tocaram em um show) e Between the Wheels, um dos mais belos refrões que eles já fizeram.

As filmagens do show agradam principalmente os fãs que tocam algum instrumento: o vídeo é mais concentrado na banda, na interação entre os três e em suas mãos, demonstrando a maestria e a tranqüilidade com que executam as melodias complexas que tornaram-se características de suas músicas – praticamente uma grande resposta à pergunta “caramba, mas como é que eles fazem ISSO???” que Alex, Geddy e Neil (principalmente este, com seu solo de bateria, obrigatório em toda apresentação da banda) provavelmente ouvem a 30 anos. Se você ainda não conhece nada de Rush ou nunca mais ouviu os caras depois do antológico Moving Pitcures e quer saber como estão hoje, este é o seu ponto de partida. Recomendação máxima!

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30 January 2009       Tock-Categoria: CDs

Nem tão eletrônico assim

Quando os sites noticiosos brasileiros jogaram aos quatro ventos que o terceiro disco do Franz Ferdinand teria elementos eletrônicos, eles enfatizaram tanto o detalhe que deram aos fãs a impressão de que o quarteto escocês estava preparando o terreno para tornarem-se um novo New Order da época do Blue Monday e do Bizarre Love Triangle. Ainda bem que não foi nada disso.

Tonight: Franz Ferdinand não é muito diferente de seus dois discos anteriores, mesmo que tenha sido produzido por Dan Carey, o cara que produziu a banda brasileira Cansei de Ser Sexy. Os elementos eletrônicos? Sim, eles estão lá, mas apenas como detalhes a mais, que ficam mais em evidência em faixas como Live Alone e, principalmente, Lucid Dreams, mas não descaracterizam o som que já nos acostumamos a encontrar nos trabalhos da banda.

De resto, é um “mais do mesmo” que deixa os fãs aliviados e felizes: aquele indie elegante, ora empolgante, ora viajante, mas que agrada a gregos que gostam de dançar e troianos que curtem uma guitarra. Mesmo que não tenha um hit tão marcante quanto foi Take me out em 2004, o CD como uma obra completa é bem interessante e consolida aquilo que eu chamo de “identidade musical” da banda, coisa tão difícil de se construir nos dias de hoje. Vale a pena! Destaques para Bite Hard, Can’t Stop Feeling e What She Came For.

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9 December 2008       Tock-Categoria: CDs

Certificado de qualidade

Eu adorei o show do Police no Maracanã em 2007 – foi mais uma prova de que o tempo e a estrada amadurecem os músicos, que mostraram um show impecável e elegante. Por isso fiquei empolgado quando eles anunciaram que lançariam o CD/DVD da tal turnê que reuniu os três músicos novamente.

Certifiable, lançado em novembro deste ano, traz a apresentação do grupo no estádio do River Plate, na Argentina, em dezembro de 2007, mas o show é exatamente o mesmo daquele que vimos aqui no Rio de Janeiro, em outubro de 2007. As únicas diferenças são os poucos momentos em que Sting comunica-se em “portunhol” com os hermanos e a ausência dos Paralamas do Sucesso abrindo a noite.

De resto está tudo lá: o mesmo palco, a mesma seleção de músicas escolhidas à dedo e a performance dos músicos que deu uma nova sonoridade àqueles sucessos dos anos 80. Desde a abertura do show, com Message In A Bottle até o encerramento com a indispensável Every Breath You Take e o primeiríssimo hit da banda, Next To You, o espetáculo varia seu ritmo entre canções mais agitadas e aquelas com cadência mais lenta, como a belíssima Wrapped Around Your Finger. Mesmo essas não diminuem a empolgação dos espectadores, que entram no clima de “viagem” nesses momentos.

Quem acha que as músicas (e os músicos) estão velhas demais para empolgar ou para mostrar cometência musical, é só ouvir um dos pontos altos da noite, quando abusam dos improvisos em Roxane. Nessa onda de bandas que voltam ou que se reencontram mais uma vez para “matar a saudade”, a reunião do Police para comemorarem os 30 anos de início de carreira valeu muito a pena, pelo menos para nós, os fãs – e nem o fato de o CD/DVD ter sido gravado na Argentina estragou o prazer dos brasileiros de assistir de novo a esse espetáculo.

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