Tock-categoria: filmes

16 February 2010       Tock-Categoria: filmes

1001 maneiras (ou menos) de se matar um zumbi

Quando vemos o trailer de Zumbilândia, a primeira impressão que temos é a de que será uma comédia-paródia com todos os filmes de zumbi que existem por aí, desde os clássicos de Romero até os atuais, que correm e pulam sobre suas vítimas com uma fome de outro mundo. Pura diversão descerebrada para exercitar o humor negro e pensar em formas criativamente sádicas de se matar um morto-vivo.

Até que a primeira metade do filme é assim e é bem divertida enquanto mantém essa proposta. Os personagens sem nome, definidos apenas pelas cidades de onde vem, são os mais chavões possível dentro de um filme que seria uma paródia de chavões. O nerd virgem de Columbus (Jesse Eisenberg) é o nosso guia pelos Estados Unidos, um país vitimado por uma praga que transformou a maior parte da população em zumbis irracionais, que vivem atrás de carne humana fresca. Suas regras e inabilidade de se socializar com outras pessoas (vivas ou mortas-vivas) o mantiveram vivo, mas não prepararam para encontrar o valentão de Tallahassee (Woody Harrelson) que descobriu, nessa terra, sua verdadeira vocação: ser um bastardo safado sádico e criativo para matar pessoas – como elas já estão mortas mesmo, não é preciso ter remorso algum nisso. As irmãs de Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) são bem mais úteis para o filme e história que apenas posarem de beldades do que qualquer aparição de Megan Fox nos dois Transformers juntos. As aventuras e desventuras desse quarteto tentando se relacionar enquanto matam e escapam de zumbis é absolutamente previsível, mas seu cérebro está tão desligado quanto os dos mortos vivos, então tudo bem. A diversão é garantida.

A partir da segunda metade, parece que estamos assistindo uma versão tragicômica de eu sou a Lenda, aquele com Will Smith. Fora a piada do “Grande B.M.” (para entender o que quero dizer, assista o filme – mais que isso, vou acabar dando spoiler aqui), o filme dá uma caída para apresentar a parte sentimental da história, revelar um pouco do passado e motivação de alguns personagens e criar momentos românticos que devem haver em todo filme americano mas, caramba, isso é um filme de zumbi! Nós, espectadores que nos dispusemos a desligar nossos cérebros para ver carnificina de cadáveres começamos a ficar com fome típica de zumbi pelas atrocidades com esses mortos-vivos e começamos a achar que tem menos “matança” do que o trailer nos vendeu. Fome essa que é um pouco saciada ao final do filme, mas nos deixou um gostinho de quero mais. Tudo bem, o final do filme deixou em aberto a possibilidade para continuações mesmo…

As referências com outros filmes, séries da atualidade e a trilha sonora (destaque para a excelente abertura do filme ao som de For Whom the Bell Tolls, do Metallica) são atrações à parte, mas estão longe de segurarem o filme. Eu, que não gosto muito de temas como zumbis e vampiros, faço aqui uma metáfora sexual: senti-me como uma mulher que acreditou no papo do cara que diz ser AQUELE CARA que vai te deixar arrasada, mas, na hora H, morreu nos primeiros 15 minutos. Agora entendo vocês quando ficam em dúvida quanto a dar uma segunda chance à figura.

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12 January 2010       Tock-Categoria: filmes

“Elementar, my f***in’ Watson”

Sou fã do diretor Guy Ritchie e, desde Homem de Ferro[bb], passei a admirar o trabalho de Robert “Tony Stark” Downey Jr – mas, até aí, quem não passou? Mesmo assim, não levei fé no filme de Sherlock Holmes quando surgiu o trailer. A prévia já mostrava uma evidente e radical desvirtuação do personagem em relação àquele que lia nos livros de sir Conan Doyle. a primeira coisa que me passou foi “Isso tem cara de ser um novo Van Helsing…”

O primeiro blockbuster do ano superou minhas expectativas: é divertido, tem cenas de ação interessantes, uma ambientação bonita, a “química” entre Downey Jr e Judy Law, que interpreta o leal amigo Dr. John Watson, funciona bem e o filme, no geral, é infinitamente superior àquela bomba vivida por Hugh Jackman em 2004, mas, mesmo assim, eu estava certo: definitivamente, este NÃO É o Sherlock Holmes que Arthur Conan Doyle criou em clássicos como O Cão dos Baskervilles[bb].

Bem contrário ao original, o Sherlock de Guy Ritchie e Downey Jr. é um anti-herói sujo, charmoso, bom de briga (participa até da versão da época de Ultimate Fithing) e mulherengo, daqueles que atrai as mulheres por seu jeito “acabei de acordar” tal qual o rabugento médico Gregory House da série House[bb]. As semelhanças entre esse Holmes e o personagem vivido por Hugh Laurie na série médica vão além: assim como House, o Sherlock do filme é mal-humorado, anti-social, irritante, sua mente nunca pára de trabalhar e só tem um amigo no mundo – no caso, Watson, que, por sua vez, deixou de ser o pacato e ingênuo médico das clássicas histórias para se tornar valente, ousado e viciado em jogatina na pele de Law. O criador de House, David Shore, já disse ser fã do grande detetive e que se baseou na mente analítica de Holmes para criar o “jeito de pensar” do personagem principal – e quem assiste a série nota, nas telonas, como o jeito de ser do médico de bengala foi roubado pelos roteiristas para ser aplicado no investigador do fim do século XIX e começo do século XX, fechando um ciclo curioso.

O mais surpreendente para quem conhece a obra literária é ver como a dupla de distintos, elegantes e quase celibatários cavalheiros transformam-se em verdadeiros aventureiros descolados e sedutores no universo de Ritchie.  O diretor britânico, por sua vez, arrisca-se sair daquela fórmula de filmes “histórias paralelas bizarras de diversos criminosos que se encontram no final” que o consagrou para dirigir um filme padrão – divertido e bem feito, sim, mas padrão. Definitivamente, não é uma obra de Ritchie, nota-se que ele foi apenas contratado para conduzir os cavalos dessa carruagem.

Se você é fã dos contos e livros de Sherlock Holmes, tenha em mente de que você verá uma aventura vivida por personagens inéditos, nunca apresentados antes em qualquer obra e que, por mera coincidência, foram batizados com nomes que você já leu em algum lugar. Assim, você vai curtir as duas horas de boa diversão que Guy Ritchie lhe oferece. Se você nunca leu nada de Sherlock Holmes, não fará diferença: compre sua pipoca com refrigerante e divirta-se.

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29 October 2009       Tock-Categoria: filmes

Ao ver um não-humano, denuncie!

Não sou um fã de ficção científica – aliás, percebo que nunca fui um fã do gênero. Gosto de Guerra nas Estrelas e semelhantes porque a história é mais um “capa-e-espada” ambientado no espaço sideral do que ficção científica propriamente dita. Sendo assim, pode acreditar quando digo que é um grande feito um filme como Distrito 9 tirar de mim um adjetivo como “interessante”.

O filme está sendo vendido para o público em geral como a nova empreitada de Peter “Senhor dos Anéis” Jackson, desta vez na produção, mas os grandes méritos da obra são realmente o roteiro de Terri Tatchell e Neill Blomkamp, diferente de tudo que já vi em matéria de filmes de alienígenas, e a direção do mesmo Blomkamp, que mistura o estilo documentário (ou mockumentary, como estão chamando hoje em dia) com a narrativa tradicional, mas nunca caindo no lugar comum.

Se você espera algo como um Independence Day ou Marte Ataca, onde os tiros e batalhas aéreas de naves espaciais acontecem a todo instante, no melhor estilo hollywoodiano, esqueça. Distrito 9 tem uma missão mais profunda e crítica que isso: a de jogar na nossa cara como a espécie dominante deste planeta é irracional, preconceituosa, medrosa e ignorante com nossa própria raça – imagine então como seríamos com uma raça alienígena que fica presa em nosso planeta e não consegue voltar pra casa. Antes que você pense, não há absolutamente nehuma relação com o E.T. de Spielberg.

O filme ganha a atenção de quem procura por originalidade na telona ao trocar a guerra entre nós e os alienígenas pela tensa situação das duas espécies convivendo de forma tensa no meio da África do Sul (está pensando que os ETs só vão para os Estados Unidos, é?), em uma grande favela conhecida como distrito 9, onde os alienígenas se viram para sobreviver, vítimas do preconceito dos nativos que não os querem por perto. A campanha de divulgação do filme, com cartazes espelhados pela cidade indicando que os pontos de ônibus e outros locais são proibidos para não-humanos, assim como é mostrado no filme, foi uma grande sacada. Adicione isso à burocracia dos órgãos públicos para lidar com isso, diversas questões sociais e culturais e você tem os ingredientes para um bom filme cheio de mensagens fortes, que fica ainda melhor quando começa o drama do franzino e inofensivo Wikus Van De Merwe (vivido por Sharlto Copley), funcionário da A Multi-National United (MNU) encarregado de transportar os aliens para o Distrito 10, menor, mais distante dos humanos e com menos condições de vida. Confesso que, ao ver Sharlto fora de seu personagem em entrevistas para divulgar o filme, quase não o reconheci. Se Hollywood não o fisgar logo esse talento, vai marcar bobeira.

Distrito 9 não é um filme blockbuster. É um filme para refletir, pensar e te inspirar a fazer algo mais produtivo para a sociedade ao redor. É um filme que te faz não querer ser um alien aos olhos de seus próximos e sentir vergonha de ser humano o suficiente de querer mudar isso. Como toda boa ficção científica. E olha que não sou assim um fã do gênero…

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9 September 2009       Tock-Categoria: filmes

O que acontece em Vegas fica em Vegas. Ainda bem!

Essa máxima já foi usada em vários filmes que abordam a mitologia (ou é a verdade nua e crua?) de que tudo MESMO pode acontecer – e acontece – na cidade de Las Vegas, estado de Nevada, Estados Unidos. Já vemos, nas telonas, muitas histórias de uma pessoa ou grupo de amigos que partem para o “parque de diversões da América” (normalmente para uma despedida de solteiro) e passam por tanta coisa que voltam totalmente mudados. Quando pensava que esse plot já estava saturado, me aparece Se beber, não case.
O roteiro não é diferente do padrão que descrevi acima: noivo mais três amigos farão despedida de solteiro em Las Vegas, bebem todas, lapso de memória, acordam com a suíte revirada e não se lembram de absolutamente nada – as besteiras que aprontaram durante esse lapso de memória vêm batendo às suas portas à medida que o filme segue, enquanto eles tentam descobrir o que fizeram e consertar o rastro. O que diferencia Se beber, não case dos outros filmes do gênero são as seqüências de besteiras que eles vão descobrindo em ordem cronológica inversa e os tipos de conseqüências que elas trazem: sem poder entrar em detalhes para não estragar surpresas, são absurdos quase possíveis de acontecer que tiram seu fôlego, sem apelar para certas humorísticas de maus gosto muito usadas nas comédias sem graça dos últimos tempos, como escatologia, menções a sexo bizarro ou diálogos carregados de palavrões sem sentido com a intenção de chocar.
Foi um grande prazer encontrar no telão uma comédia inteligente e espirituosa que prova que é possível fazer rir com um tema tão batido como “porre em Las Vegas” sem apelar para o mau gosto. Está na minha lista particular de melhores filmes de 2009, com todos os méritos!
PS: isso não é um aviso, mas uma constatação: você VAI acompanhar os créditos no final do filme e concordará comigo que, ao acompanhar um dos melhores créditos de filme de todos os tempos, o que acontece em Vegas deve mesmo, definitivamente, para o bem da humanidade, permanecer em Vegas.

Essa máxima já foi usada em vários filmes que abordam a mitologia (ou é a verdade nua e crua?) de que tudo MESMO pode acontecer – e acontece – na cidade de Las Vegas, estado de Nevada, Estados Unidos. Já vemos, nas telonas, muitas histórias de uma pessoa ou grupo de amigos que partem para o “parque de diversões da América” (normalmente para uma despedida de solteiro) e passam por tanta coisa que voltam totalmente mudados. Quando pensava que esse plot já estava saturado, me aparece Se beber, não case.

O roteiro não é diferente do padrão que descrevi acima: noivo mais três amigos fazem despedida de solteiro em Las Vegas, bebem todas, lapso de memória, acordam com a suíte revirada e não se lembram de absolutamente nada – as besteiras que aprontaram durante esse lapso de memória vêm batendo às suas portas à medida que o filme segue, enquanto eles tentam descobrir o que fizeram e consertar o rastro. O que diferencia Se beber, não case dos outros filmes do gênero são as seqüências de besteiras que eles vão descobrindo em ordem cronológica inversa e os tipos de conseqüências que elas trazem: sem poder entrar em detalhes para não estragar surpresas, são absurdos quase possíveis de acontecer que tiram seu fôlego, sem apelar para certas humorísticas de maus gosto muito usadas nas comédias sem graça dos últimos tempos, como escatologia, menções a sexo bizarro ou diálogos carregados de palavrões sem sentido com a intenção de chocar.

Foi um grande prazer encontrar no telão uma comédia inteligente e espirituosa que prova que é possível fazer rir com um tema tão batido como “porre em Las Vegas” sem apelar para o mau gosto. Está na minha lista particular de melhores filmes de 2009, com todos os méritos!

P.S.: isso não é um aviso, mas uma constatação: você VAI acompanhar os créditos no final do filme, um dos melhores de todos os tempos,  e concordará comigo que o que acontece em Vegas deve mesmo, definitivamente, para o bem da humanidade, permanecer em Vegas.

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13 August 2009       Tock-Categoria: filmes

Ação, drama, magia e hormônios

Com isto em mente, lá fui eu assistir Harry Potter e o Enigma do Príncipe, assim mesmo, de cabeça limpa e sem saber o que esperar dele, mesmo ciente de seu dramático final (sim, os amigos “Pottermaníacos” me contaram, de luto, o final do livro na época em que saiu – como ficar alheio a este acontecimento que chocou o mundo?). Devo[bb] dizer que, de toda a série, este foi o único que me deixou curioso para ver o próximo e último da saga que, pelo que li por aí, será dividido em duas partes.
O filme anterior deixa bem claro que a escola de magia de Hogwarts começaria a viver, na película seguinte, o momento mais negro de sua história e que o talentoso e poderoso aprendiz de feiticeiro é a única esperança do lado do bem sair vitorioso. O Enigma do Príncipe deixa bem claro que eles não vieram para brincadeira nos momentos de ação e drama, que realmente convencem, mas a história é bem equilibrada com momentos distintos de comédia e até romance. A autora JK Rowling e o diretor David Yates não esqueceram que, a esta altura, nossos heróis Harry, o atrapalhado Rony Weasley e a perfeccionista Hermione Granger são, agora, adolescentes, com hormônios à toda e corações acelerados. Junte isso àquelas confusões adolescentes de “fulano gosta de beltrana, que gosta de cicrano” e você se sente assistindo a um filme de John Hughes como Clube dos Cinco ou Gatinhas e Gatões ambientado em uma escola de magia.
Por mais que os filmes anteriores de Potter tenham sido, para mim, “uma agradável diversão momentânea e nada mais”, admito aqui que valeu a pena ter acompanhado a série para testemunhar esse clímax da vida do personagem principal. Aqueles que leram o livro devem sentir falta de muitos detalhes descritos no livro de aproximadamente mil páginas que, obviamente, não caberiam em um filme, mesmo que este tenha duas horas e meia de duração. Espero que, mesmo assim, os fãs leitores entendam isso e curtam a experiência de assistir a esse que é, até o momento, o capitulo mais emocionante da saga nas telonas.
Como é dito em toda a série, os humanos que sequer sabem que magia existe são chamados pelos magos de “trouxas” – em nosso mundo de espectadores, é uma interessante analogia pensar que os “trouxas” são aqueles que, como eu, só conhecem o universo de Harry Potter através dos filmes, sem terem lido os livros. Neste momento, não me importo de ser um trouxa, pois isso me fez curtir bastante o filme. Em certos momentos, a ignorância é uma dádiva…

Deixe-me, primeiro, tentar explicar minha relação com Harry Potter: nunca li os livros do menino-bruxo, pois o personagem e seu universo nunca me interessaram muito. Inevitavelmente, acabei assistindo todos os filmes, um ou outro no cinema, mas a grande maioria no DVD, e minha opinião não mudou – é um universo divertido de se testemunhar, os filmes são feitos com esmero e capricho, mas não me encantei a ponto de virar fã. Digamos que sou um simpatizante e um admirador distante da franquia.

Com isto em mente, lá fui eu assistir Harry Potter e o Enigma do Príncipe, assim mesmo, de cabeça limpa e sem saber o que esperar dele, mesmo ciente de seu dramático final (sim, os amigos “Pottermaníacos” me contaram, de luto, o final do livro na época em que saiu – como ficar alheio a este acontecimento que chocou o mundo?). Devo dizer que, de toda a série, este foi o único que me deixou curioso para ver o próximo e último da saga que, pelo que li por aí, será dividido em duas partes.

O filme anterior deixa bem claro que a escola de magia de Hogwarts começaria a viver, na película seguinte, o momento mais negro de sua história e que o talentoso e poderoso aprendiz de feiticeiro é a única esperança do lado do bem sair vitorioso. O Enigma do Príncipe deixa bem claro que os vilões não vieram para brincadeira nos momentos de ação e drama, que realmente convencem, mas a história é bem equilibrada com momentos distintos de comédia e romance. A autora J.K. Rowling e o diretor David Yates não esqueceram que, a esta altura, nossos heróis Harry, o atrapalhado Rony Weasley e a perfeccionista Hermione Granger são, agora, adolescentes, com hormônios à toda e corações acelerados. Junte isso àquelas confusões amorosas de adolescentes tipo “fulano gosta de beltrana, que gosta de cicrano” e você se sente assistindo a um filme de John Hughes como Clube dos Cinco ou Gatinhas e Gatões ambientado em uma escola de magia.

Por mais que os filmes anteriores de Potter tenham sido, para mim, “uma agradável diversão momentânea e nada mais”, admito aqui que valeu a pena ter acompanhado a série para testemunhar esse clímax da vida do personagem principal. Aqueles que leram o livro devem sentir falta de muitos detalhes descritos na história de aproximadamente mil páginas que, obviamente, não caberiam em um filme, mesmo que este tenha duas horas e meia de duração. Espero que, mesmo assim, os fãs leitores entendam isso e curtam a experiência de assistir a esse que é, até o momento, o capitulo mais emocionante da saga nas telonas.

Como é dito em toda a série, os humanos que sequer sabem que magia existe são chamados pelos magos de “trouxas” – em nosso mundo de espectadores, é uma interessante analogia pensar que os “trouxas” são aqueles que, como eu, só conhecem o universo de Harry Potter através dos filmes, sem terem lido os livros. Neste momento, não me importo de ser um trouxa, pois isso me fez curtir bastante o filme. Em certas horas, a ignorância é uma dádiva…

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27 June 2009       Tock-Categoria: filmes

MUITO mais do mesmo

Michael Bay é um segundo Roland Emmerich. Enquanto o diretor alemão sempre avisou para nunca ser levado à sério através de seus filmes como Independence Day e O Dia Depois de Amanhã, a mesma visão deve ser aplicada aos filmes da série Transformes, feita pelo americano. Como toda continuação de um blockbuster, Transformes – A Vingança dos Derrotados tem MUITO mais do mesmo: neste caso, mais robôs, mais ação, mais lutas, mais destruição, mais briga, mais piadas e mais Megan Fox em poses e closes dignas de fotos do Paparazzo.

A sensação que tive ao ver o segundo filme da franquia é a de que ele está mais próximo do desenho que animava minhas manhãs de domingo na Globo do que o primeiro, pois vários elementos da atração estavam lá: o falso puxa-saquismo do avião Startscream sobre o líder Megatron, o espião Soundwave, agora um satélite espacial, mandando protótipos de robôs para vigiarem seus inimigos e dedurarem informações e localizações, Optimus Prime partindo pra porrada como nunca visto antes e até os Constructicons (Decepticons que se transformavam em veículos de obra) que se juntavam para formar o gigantesco Devastador. Você espera alguma profundidade ou coerência em um desenho animado oitentista baseado em uma linha de brinquedos? Claro que não! O público alvo desse desenho só quer ver os robôs virando veículos e virando robôs de novo e caindo na mão e virando veículos de novo e…

É essa a mentalidade que você tem que ter ao entrar na sala de cinema, pois se procurar alguma substância em meio às piadas, ao cenário mal feito ou nas mensagens americanizadas de família, dever e responsabilidade, lutar pelo que acredita, etc., você vai sentir que jogou seu dinheiro fora. O negócio mesmo nesse é ver porta-aviões destruído no meio e a pancadaria acontecendo em vários ambientes, desde entre as pirâmides egípcias até no meio da cidade grande, com robôs gigantes destruindo viadutos, estradas e prédios como em um moderno filme de Godzila.

Reparou que, até agora, não falei nada da história do longa ou se algum personagem tem importância crucial ou destaque na película, nem que seja a do protagonista Sam Witwicky, vivido pelo atual queridinho de Hollywood, Shia LaBeouf? Pois é… Nem o fato de agora o destino da Terra estar nas mãos (ou na mente) dele deixa o personagem mais relevante do que antes. Este é o segredo para se assistir Transformers 2: não leve Michael Bay a sério, assim como já deve ter aprendido a não considerar os filmes de Emmerich um exemplo de coerência. Você vai rir bastante com os absurdos e as piadinhas de todo o inexpressivo elenco do primeiro filme, que está de volta.

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3 May 2009       Tock-Categoria: filmes

Origem “pipocão”

Era muita expectativa sobre o filme “solo” do mutante mais invocado e querido do universo de quadrinhos da editora Marvel. X-Men Origins: Wolverine traz de volta Hugh Jackman no papel que lhe deu destaque na franquia e Liev Schreiber interpretando um Dentes-de-Sabre (o arqui-inimigo do herói nos quadrinhos) bem mais substancial que a versão mongolóide que apareceu em X-Men, o filme, de 2000.

A avalanche de críticas negativas que recebi me prepararam para assistir a uma verdadeira bomba, mas não foi bem isso que encontrei. Para os fãs, o filme é ruim sim: a tal origem conturbada e cheia de detalhes do personagem nos quadrinhos é espremida na apresentação e nos primeiros minutos do filme, a forma encontrada no final da película para que ele perdesse a memória é ridícula e um monte de mutantes que não apareceram nos filmes anteriores de X-Men foram empurrados na história para atrair mais leitores para a sala de cinema em um esforço desnecessário. Mesmo assim, o filme é um “pipocão” bem divertido de se ver.

O diretor Gavin Hood fez questão de estabelecer várias ligações com o segundo filme da franquia X-Men, que aborda parte da origem de Logan, e deixou o passado do personagem cheio de buracos – não porque o passado de Wolverine é obscuro, mas para ir logo para a aventura que prenderá a atenção dos não-leitores. Essa aventura, no entanto, não é das piores e ver alguns mutantes bem adaptados nas telonas como Gambit e Blob, mesmo vendo que era uma jogada descaradamente comercial, não me desagradou.

Se você espera um “divisor de águas” na história dos filmes de quadrinhos ou mesmo da franquia dos heróis mutantes, esqueça. Assista de cabeça limpa, sem esperar muita coisa disso, e você vai se divertir com um filme de ação apenas legal e não terá jogado seu dinheiro fora.

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19 April 2009       Tock-Categoria: filmes

Como matar um espírito

Tenho que pedir desculpas a vocês: não consegui chegar ao fim de The Spirit. O filme, dirigido por Frank Miller, é uma adaptação da obra prima do grande mestre dos quadrinhos Will Eisner – ou pelo menos deveria ser.

Quando sai um filme baseado em uma história em quadrinhos, não sou de ficar fazendo comparações da história nas duas mídias , pois defendo as adaptações de uma para outra,  mas o que Miller fez não pode ser chamado de “adaptação”, mas sim de “desrespeito à obra”. Como renomado escritor / desenhista de quadrinhos, criador de algumas das histórias que revolucionaram o gênero, fã confesso de filmes noir e amigo e discípulo do “mestre” Eisner até sua morte, Frank seria realmente um nome mais que cotado para levar ao cinema a história do detetive Danny Colt, dado como morto em uma ação policial, mas que mantém sua sobrevivência em segredo, fazendo-se passar por um espírito justiceiro que assombra os bandidos de Central City. Por mais que essa descrição o faça parecer um Batman dos anos 20, Colt é bem mais humano que o homem morcego: ele continua sendo só um policial bonitão que sente atração por qualquer rabo de saia tanto quanto as mulheres que caem de amores por ele.

O grande problema é que, ao ser convidado a co-dirigir, ao lado de Robert Rodriguez, a transcrição para as telonas de uma de suas maiores obras dos quadrinhos, Sin City, Miller deve ter imaginado que pode se tornar aquele tipo de diretor de um estilo só, usando a plástica de filmes preto-e-branco superpostos em seu estilo de desenhar Sin City em qualquer filme – e foi isso que ele fez em The Spirit. O resultado é desastroso para ambos os públicos. Quem conhece a obra de Eisner não consegue ver, naquele Danny Colt obcecado, cuja personalidade mais parece uma mistura de Batman com o truculento Marv, a leveza e o clima que mistura inocência com sensualidade que sempre foi o grande atrativo do “Espírito de Central City”. Quem nunca leu os quadrinhos vai encontrar uma paródia muito mal feita daquele sucesso de 2005 com Bruce Willis e Mickey Rourke: personagens ridículos, caricatos de si mesmos e com uma história que, além de fazer o velho Will revirar em sua tumba, é uma ofensa à inteligência do espectador.

Ainda não vi Dragonball Evolution mas, por enquanto, esta fica sendo, pra mim, a bomba do ano.

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8 April 2009       Tock-Categoria: filmes

Grande roubada é não ver

Não me lembro de o último filme do diretor Guy Ritchie, RocknRolla – A Grande Roubada, ter passado nos cinemas. Por isso que só o assisti agora que chegou nas locadoras. E o que se pode esperar dele? Um filme de Guy Ritchie, oras!

Isso quer dizer: uma história de bandidos muito doida, que envolve dezenas de personagens excêntricos dentro de uma trama canalha cheia de subtramas interligadas que vão se desenrolando  ao final da película, te levando a um final tão natural que você nunca imaginaria que seria assim depois de tudo que viu acontecer na sua frente. Custou para entender este parágrafo? Meus parabéns, você está se sentindo como eu me sinto quando vejo um filme deste diretor.

Ritchie usou seu estilo de direção mais uma vez para, desta vez, nos mostrar o submundo do mercado imobiliário de Londres ao acompanhar o capanga de um gangster que consegue agilizar licenças para construções. Esse tipo de gente atrai pessoas como bandidos de categoria duvidosa, contadoras entediadas e a procura de emoções fortes e empreendedores russos com práticas de negócios não muito saudáveis para seus sócios. Mas o que um rockeiro de sucesso, muito doido, viciado, revoltado e morto em um acidente de lancha e um misterioso quadro da sorte tem a ver nessa história toda? Só assistindo o filme pra descobrir, mas garanto que tudo faz o maior sentido antes da metade do filme, sem perder a adrenalina.

Como bom europeu, Guy sai um pouco do circuito hollywoodiano ao investir em um elenco que não é muito conhecido ao público brasileiro – das caras que aparecem na tela, podemos (não) reconhecer Gerald Butler, o barbudo e selvagem Leonidas de 300, como o mal humorado ladrão “One Two” e Tom Wilkinson, que fez uma rápida e marcante aparição em Batman Begins como o gangster Carmine Falcone, no papel do gangster imobiliário Lenny Cole. O resto do elenco eu não reconheci, mas nada que uma olhada no IMDB não responda.

É diversão garantida para assistir em casa. Se você, como eu, perdeu a exibição nos cinemas (se é que teve, porque eu não me lembro de ter anunciado), separe um tempo para assistir que não será em vão – e se você não conhece os outros filmes deste diretor, como Snatch: Porcos e Diamantes e Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, providencie agora mesmo e veja tudo num tiro só. Só não me responsabilizo se, ao fim de tudo, você começar a sofrer de ansiedade crônica, insônia e falar cada vez mais rápido.

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17 March 2009       Tock-Categoria: filmes

Um caso curioso

Sim, eu sei, todo mundo já assistiu ao Curioso Caso de Benjamin Button, mas vamos lá, antes tarde do que mais tarde. Até a festa do Oscar, o filme estrelado por Bradd Pitt e Cate Blanchett era um dos favoritos, levando pra casa as estatuetas de melhor maquiagem e direção de arte. Saí do cinema achando dois Oscars muito merecidos, mas que não bastaram.

Sim, é verdade, a transformação de Brad Pitt em velho está excelente e quase sempre convincente, fora a ousadia em mostrar na tela o ator, motivo de suspiros da mulherada em todo o mundo, que preferem manter a imagem do ator imortalizada em seu estado jovem atual, em um velho em fim de carreira logo no início do filme. Também digo “sim” para a direção de arte, com imagens tocantes, belas e singelas cenas e jogos de luz e sombras que realçaram as atuações, principalmente as de Julia Ormond e Cate Blanchett, já no hospital, durante os momentos finais de Daisy, personagem de Cate.

O que mais me surpreendeu, no entanto, foi ver que, em meio a uma era de escassez de criatividade de Hollywood, veio de lá uma história tão singela, ainda que simplória. Há alguns anos que não fico antenado no circuito cinematográfico (americano ou de qualquer outro país), mas do jeito superficial que leio a respeito, só vejo os estúdios americanos preocupados em fazer adaptações de outras mídias para fazer os filmes que estourarão nas telonas: videogame, quadrinhos, remakes de séries antigas de TV, quadrinhos, remakes de filmes antigos, quadrinhos, brinquedos de parque de diversões, quadrinhos… Foi uma tremenda satisfação sentir que todos os envolvidos neste curioso caso trataram a história com carinho para que ela se tornasse um conto de fadas que atravessaria o século XX. Uma verdadeira “história da Mamãe Ganso” sobre um a vida deste homem que nasce velho e está fadado a morrer jovem, com todas as vantagens e os dramas que sua “circunstância incomum” lhe proporciona. Sem precisar de efeitos pirotécnicos, computação gráfica de última geração ou outros recursos indispensáveis para encher os olhos dos cine-espectadores, o filme traz, sem ser piegas, belas mensagens sobre como devemos aproveitar nossa curta passagem neste mundo, curtir todas as pessoas que cruzam nossa vida e tudo que elas podem nos ensinar e estar preparado para tudo que a vida lhe oferecer – as coisas boas e as ruins também, pois tudo é aprendizado e tem um objetivo na sua vida.

Antes de encerrar este texto, devo acrescentar que foi uma injustiça que Cate Blanchett não tivese sido ao menos indicada ao Oscar por seu brilhante trabalho neste filme. É incrível ver a transformação de sua pessoa à medida que a personagem envelhece, não apenas de corpo e rosto por conta da maquiagem, mas seus gestos, olhares e tons de voz diferentes que ela conseguia extrair nas diferentes décadas que a “camaleoa” Daisy atravessa em seus encontros e desencontros com Benjamin. Foi uma das raras vezes que vi uma atriz falar com todo o seu corpo no cinema – e seu corpo fala alto.

Depois de não ter me empolgado em nada com Watchmen, assistir O Curioso Caso de Banjamin Button foi uma excelente experiência para mostrar que eu ainda estou vivo por dentro e que a indústria americana de cinema ainda pode produzir coisas interessantes. Ainda bem que deixei para assisti-lo depois…

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