Tock-categoria: Livros
…E todos por um!

Terminei de ler mais um clássico da literatura mundial – desta vez a obra mais conhecida do francês Alexandre Dumas, Os Três Mosqueteiros. Agora entendo porque a história do impulsivo e apaixonado D’Artagnan e seus amigos Porthos, Athos e Aramis foi explorada à exaustão pelo cinema, desenho animado e outras mídias de entretenimento: a aventura lançada em 1844 é um verdadeiro filme de ação dos dias de hoje, com todos os elementos necessários para prender o leitor: de intrigas a romances e pitadas de comédia!
Quem pensa que conhece a trajetória do garoto da Gascônia cujo destino o leva ao encontro dos três melhores homens que servem à guarda do Rei Luis XIII sem ler o original, não sabe o que está perdendo. É preciso esquecer absolutamente tudo que a mídia americana tenta empurrar da fábula ao resto do mundo e ler o livro de mente limpa para se impressionar ao ver como cada personagem tem sua cota de mistérios, um passado ou presente oculto e como tudo tem peso na trama principal. Ao mesmo tempo, a leitura é tão leve que você se sente lendo uma revista ou um daqueles folhetins que simplesmente não consegue parar até chegar ao fim!
Não pense, com isso, que se trata de uma história infantil: mulheres fatais, homens perigosos, uma guerra prestes a acontecer entre a França e a Inglaterra e muitos amores não correspondidos – e o destino de tudo isso nas mãos de quatro homens que, por mais diferentes que sejam uns dos outros, se divertem mais quando estão no meio da confusão – e um final dramático, longe dos “happy end” americanos. O Tio Sam tem muito a agradecer aos franceses: além de inventarem a tecnologia que originou a indústria do cinema, eles também criaram, antes mesmo do nascimento da sétima arte, o estilo de filme “blockbuster” com qual Holywood tanto fatura.
Uma estrada sofrida

Acabo de ler A Estrada, uma das mais recentes obras do aclamado escritor americano Comarc McCarthy. O livro conta a história pós-apocaliptica de um homem desesperado e seu pequeno filho em uma viagem totalmente sem esperanças pelas estradas de uma América que, como o resto do mundo, foi devastada pela última e derradeira grande guerra. McCarthy faz questão de não dar detalhes a respeito do que aconteceu ou qualquer outra informação “técnica” sobre o atual estado do mundo para explorar bastante todo o sentimento e drama dos personagens.
Quem espera uma história cheia de aventura e ação no estilo Mad Max vai se decepcionar. O tal cenário de um mundo devastado só serve de pano de fundo para o drama psicológico desta dupla de viajantes rumo ao litoral do país, na vã fantasia de que o mar irá salva-los de alguma forma. Não confie em ninguém, apenas um no outro, por amor e também por sobrevivência e como âncora de sua sanidade. Os poucos humanos que sobraram além de vocês não são confiáveis, não há mais animais ou indústrias ou comida de qualquer tipo ou mesmo casas inteiras para se abrigar do clima cada vez mais cinzento, ácido e perigoso. Sem dúvida, um drama psicológico que deixa o leitor desconfortável.
Entendi a idéia de Comarc ao omitir de propósito dados considerados importantes em qualquer história como, por exemplo, os nomes do homem e seu filho, para que o leitor sentisse toda a aflição de viver em um mundo onde nomes, identidades, integridade, moral e posses não mais importam quando até uma simples lata de Coca-Cola pode significar a salvação de sua vida. Não gosto muito desse tipo de leitura, mas devo admitir que, se o objetivo era o de incomodar o leitor ao despi-lo de todos esses conceitos, o escritor teve êxito. Para quem gosta de dramas psicológicos, é uma leitura interessante, mesmo que o final, apesar de não ser feliz, traga aquela pontinha de esperança no mundo como toda história americana.
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18 October 2007 Tock-Categoria: LivrosBelos plágios

Relí pela terceira vez um de meus livros preferidos, a história pré-apocalíptica de Neil Gaiman e Terry Pratchet, Belas Maldições – as belas e precisas profecias de Agnes Nutter, bruxa. Aqui eu “entrego o ouro” pra vocês: esta magnífica e engraçada obra foi minha principal inspiração para dar origem ao conto Seis bebês para o fim do mundo, escrito com Roberto Cassano e que abalou as estruturas deste blog em 2006.
Os senhores ingleses Gaiman e Pratchett colocaram em prática suas tendências pagãs e esculhambaram com o Apocalipse ao informar que o mundo acabaria no próximo sábado, pouco antes do jantar. Todos os detalhes estavam lá, registrados no livro de profecias de uma bruxa que viveu a três séculos atrás – este, por sinal, um dos maiores fracasssos editoriais da história da humanidade. Nos últimos dias da Terra, acompanhamos os esforços de um anjo e um demônio que, apaixonados pela humanidade, tentam impedir o Armageddon, bruxas e caçadores de bruxas com alfinetes de identificação, motoqueiros do Apocalipse em versões que você nunca imaginaria e o Anti-Cristo, um garoto feliz e levadamente adorável, vivendo em uma cidadezinha do interior da Inglaterra com seu cão infernal sem fazer a menor idéia de seu destino.
Durante a leitura, é impossível não visualizar todos os acontecimentos em um telão de cinema, o que pode tornar-se verdade, pois já rolam muitos rumores sobre o filme baseado na obra – já foram até escolhidos os atores para viver dois dos personagens principais. O ritmo do livro é tão contagiante e leve que você fica curioso para saber como diabos (ou deuses) o mundo vai acabar e quem ganhará a guerra final do Bem contra o Mal, tudo isso com tanto humor e ação que você passa a nem levar a sério essa história de fim da vida na Terra. Os personagens que surgem no decorrer da trama, mesmo que apareçam por apenas duas ou três páginas, têm presença garantida na memória de muitos (imagine uma versão americana do Bispo Macedo convidando-o, pela televisão, a cantar “Jesus é o técnico eletrônico da mesa telefônica da minha vida”)
Se você tem medo de livros com muitas páginas, não fique: Belas maldições é o que se poderia chamar de “livro grosso” sim (374 páginas), mas você nem sente o tempo passar. Quem conhece o estilo da narração e compara com a nossa versão (minha e de Cassano) do Apocalipse, é capaz de pensar (e estarão certos) que, mais do que “inspiração”, a idéia da minha parte do conto foi praticamente roubada da obra de Gaiman e Pratchett. Ah, quer saber? Que se dane o plágio – mundo vai acabar no sábado mesmo…
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27 June 2007 Tock-Categoria: LivrosA arte da guerra

Finalmente terminei de ler muitíssimo interessante livro A arte da Guerra, escrito pelo general chinês Sun Tzu no século IV antes de Cristo. Os textos deste que é considerado um dos mais brilhantes estrategistas militares até hoje ensinam todos os passos para se vencer batalhas e uma guerra, de preferência, desembainhando a espada somente em último caso – se não é o livro de cabeceira de qualquer militar em todo o mundo, devia ser.
Curioso é que, se você procurar nas livrarias, vai encontrar um monte de variações dessa “arte”, voltadas para os mais derivados assuntos: arte da guerra nas empresas, para concursos, na sua vida pessoal e até no amor, sempre usando como base de ensinamento o texto original do chinês, dando um sentido figurado às suas dicas de guerrilha para diversos assuntos. Mas como é que um tratado militar tão objetivo ao falar de guerras e batalhas acabou tornando-se a base para os livros de auto-ajuda do século XX?
Pode até ser que Sun Tzu estivesse referindo-se apenas ao aspecto militar quando escreveu seu tratado, mas, ao lê-lo séculos após sua autoria, é realmente interessante como podemos aplicar muito de seus ensinamentos no nosso dia-a-dia se transformarmos a vida numa guerra de modo figurado e cada dia torna-se uma batalha a ser vencida. Suas palavras podem orientá-lo a vencer as batalhas mais próximas, preparar-se para as seguintes e planejar toda a guerra que é sua vida para vencê-la cada vez mais a médio e longo prazo.
Como tratado militar, o livro ainda funciona magistralmente nos dias de hoje como deve ter funcionado em sua época. Se os grandes líderes mundiais o seguissem a risca, tenho certeza de que haveria muito menos guerras e mortes inocentes no mundo, uma vez que Sun Tzu prega que o combate só deve ser travado em último caso e que aquele que apela para o embate logo de cara é burro e não merece o posto de comandante de nada. A vitória mais honrosa que há é aquela obtida sem sacar arma alguma, e isso se dá com preparo, estudo e conhecimento do inimigo.
Sun Tzu era realmente um gênio: ele criou a bíblia para o militar de qualquer época e, ao mesmo tempo, um guia moderno para o civil vencer no seu dia-a-dia em um único texto que, apesar de ter sido escrito para tempos de guerra, prega a paz acima de tudo.
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26 February 2007 Tock-Categoria: LivrosEu pertenço a este lugar

Melancólico. Levemente poético, porém, pessimista como um todo. Por incrível que pareça, estou falando de um livro de Douglas Adams. Praticamente inofensiva conta a última aventura de Arthur Dent, o terráqueo sobrevivente da demolição da terra por uma raça de alienígenas burocratas, e seu amigo Ford Perfect, um dos mais loucos correspondentes do Guia do Mochileiro das Galáxias. O quinto e último livro da “saga do mochileiro” foi escrito mais de 10 anos depois do quarto volume, Adeus e obrigado pelos peixes, o que faz com que muitos não o considerem parte da obra – de qualquer forma, este é um livro inédito no Brasil. Não podia perder a chance de lê-lo.
Adams colocou-se em várias armadilhas: a primeira era saber onde estavam e o que estariam fazendo cada personagem desde a conclusão da “trilogia de quatro fascículos”, e a segunda era desmembrar o nó que ele foi fazendo ao longo do livro ao abordar um dos temas mais complicados da ficção científica de se escrever: viagem no tempo e entre dimensões. Esse é o pano de fundo para mais comparações e explicações sarcásticas que o autor sabe fazer tão bem, mas desta vez, dentro de uma história mais séria – ou tão séria quanto é possível ser uma história que envolva Arthur Dent e Ford Perfect.
O fato é que, depois de quatro livros cheios de aventuras e desventuras do azarado inglês que se sente deslocado no universo por ter perdido seu planeta, passamos a ter pena do pobre Arthur Dent e sofrer com ele em sua busca por um lar e feliz quando ele finalmente se sente “em casa” no meio de uma cultura alienígena. O final, apesar de inusitado e totalmente inesperado, é ao mesmo tempo, triste e um alívio, confirmando o tema principal desta obra: a busca de um lugar onde você onde você pertença e a importância que isso tem para você – bem maior, acredite, do que aquela que você dá.
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18 February 2007 Tock-Categoria: LivrosReis Magos brasileiros

Foi ainda em janeiro que, dentro do ônibus, apenas na viagem de ida para o trabalho, terminei o último dos quatro livros que ganhei da editora Desiderata, empresa que traz e volta o cartunista Jaguar para o ramo da edição de livros. Deixei para o final a coletânea de tiras do excelente Nani e seus personagens que tem tudo a ver com o natal de qualquer ano, Os Reis Magos.
Alguns jornais brasileiros já publicam as tirinhas da paródia que Nani faz com o momento do nascimento de Jesus Cristo, trazendo os famosos três reis magos da história (Melquior, Gaspar e Baltazar) como personagens principais, mas sem esquecer Maria, José e, claro, o menino que nasce em 25 de Dezembro.
O livro, lançado no Natal de 2006, traz uma série de tiras de humor baseadas nessa data comemorativa, o nascimento de Jesus, e coloca os Reis Magos em situações típicas do século XXI, tais como terem que entrar no cheque especial para comprar o ouro, a Mirra ser confundida com Antraz pelo exército americano que tomou conta de Belém e outras coisas mais.
Uma excelente pedida para quem curte quadrinhos do tipo tiras para jornal e humor refinado.
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11 February 2007 Tock-Categoria: LivrosAssim rasteja a humanidade

Em um dia, terminei o terceiro dos quatro que ganhei da editora Desiderata, empresa que trouxe de volta Jaguar para o mundo da edição de livros. O cartunista está a frente da coleção Sigmund de livros de humor, dentre os quais está Assim rasteja a humanidade, do ácido Allan Sieber.
Não é à toa que o blog deste cartunista gaúcho erradicado no Rio de Janeiro faz parte da lista de tock-vizinhos na coluna cinza aí do lado. Se eu já considerava o cara um novo Angeli, mestre do politicamente incorreto, esta coletânea de tiras e piadas ilustradas bem barra-pesada é o documento que fará com que qualquer pessoa concorde comigo.
Se você achar as piadas de Allan muito pesadas enquanto lê as páginas brancas do livro, é melhor nem chegar perto da surpresa que o editor Jaguar preparou para os leitores: uma coleção de paginas vermelhas, lacradas, com o selo “Proibidão do Jaguar” foi o jeito que o cartunista arranjou de publicar aquelas tiras REALMENTE picantes sem dar uma de censor e vetar de vez – é nessas páginas proibidas que você vai descobrir o quão perturbada é a mente de Allan.
Mantenha este livro longe do alcance das crianças (esse aviso é sério) e prepare-se para ser sentir sacaneado. Você vai se divertir enquanto descobre como a humanidade, aos olhos de Allan Sieber, ainda não vale p!@#$% nenhuma.
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3 February 2007 Tock-Categoria: LivrosMinistério de perguntas cretinas

Levei mais tempo do que imaginava para terminar o segundo livro dos quatro que ganhei da editora Desiderata, empresa que trouxe de volta Jaguar para o mundo da edição de livros. O cartunista está a frente da coleção Sigmund de livros de humor, dentre os quais está o grande Millôr Fernandes e seu Ministério de perguntas cretinas.
Trata-se de uma coleção de perguntas infames, cheias de trocadilhos e ditados corrompidos por uma mente que entende de humor e de língua portuguesa como ninguém. É o tipo de coisa que deve sair quando sentam ele e o colega Jaguar num bar, e Millôr resolveu compilar tudo isso no papel.
A reação de estar lendo um livro inútil como esse é tão evidente que o próprio autor sabe o que está provocando e atiça mais ainda. Depois que você não acredita ter lido alguém perguntar se a roda dentada lava os dentes, ainda se indigna a ler as questões a seguir: “Nós somos bobos?” “E você, que está lendo?”
Em suma, o livro é divertido, engraçado e de um mestre do humor brasileiro, mas é o tipo de coisa que não me enche os olhos – se não o tivesse ganho, jamais compraria. Se, no entanto, você é fã de Millor, do Jaguar ou de livros humorísticos em geral, é uma boa aquisição para sua estante.
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25 January 2007 Tock-Categoria: LivrosDicionário dos sexos

Outro dia ganhei, de presente, quatro livros da editora Desiderata, empresa que trouxe de volta Jaguar para o mundo da edição de livros. O cartunista está à frente da coleção Sigumnd de livros de humor e o primeiro deles que li tinha o curioso nome de Dicionário dos sexos, do jornalista Gustal.
Com 17 anos de carreira trabalhando em rádio, jornal e TV, Gustal arranjou um tempinho no seu trabalho no jornal O Globo para juntar essa coleção de “frases feitas” ditas por homens e mulheres, revelando o verdadeiro significado delas. Algo como “Ele me usou” (gostei muito de dar pra ele) e “Eu te ligo” (Você nunca mais vai me ver nessa existência terrena) são exemplos do que você encontrará nessas 78 páginas que você termina como se fosse uma revista.
Gustal foi curto e grosso nas explicações de cada frase, o que faz com que as pessoas se ofendam com uma o outra delas exatamente porque a carapuça serve – e, por isso mesmo, esse dicionário fica ainda melhor. As ilustrações retiradas de fotonovelas mexicanas dos anos 50 só ajudam a tornar o livro ainda mais engraçado e ultrajante.
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16 January 2007 Tock-Categoria: LivrosAs lições de Chico Xavier

No mesmo dia, comecei e terminei o último livro da trilogia de Marcel Souto Maior sobre Chico Xavier e o espiritismo. As lições de Chico Xavier é fino, pequeno e ainda mais fácil de ler, mas não é por isso que ele tem grandes possibilidades de ser considerado o preferido dos três por muitos leitores. Enquanto a biografia de Chico conta a história do médium com total imparcialidade e o segundo livro se propõe ser uma investigação jornalística sobre o assunto, neste terceiro livro Marcel conta o que o leitor realmente quer saber dele: suas “experiências com o outro mundo” e suas conclusões finais a respeito do espiritismo e da comunicação entre vivos e mortos.
O jornalista conta “causos” e repete algumas lições pregadas por Chico, já apresentadas nos outros dois livros, e, afinal, expressa o quanto foi perturbadora e estressante essa pesquisa e investigação, enquanto testemunhava as dores diferentes da perda de um ente querido. Deu de cara com muitos farsantes que o frustravam e foi personagem de acontecimentos inexplicáveis, mas nunca se converteu a essa ou qualquer outra religião – ao mesmo tempo, não pôde deixar de acreditar que algo existe.
Se você procura por um livro de auto-ajuda em As lições de Chico Xavier, me desculpe pelo aviso seco, mas vai quebrar a cara. A pequena encadernação é a reflexão de quem passou três anos investigando imparcialmente (ou o máximo possível disso) este universo tão cercado de crenças e descrenças. Ainda assim, é uma leitura interessantísima, principalmente se você tiver lido os outros dois livros logo antes.

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