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4 March 2010       Tock-Categoria: Outros

A voz da mídia independente?

Então fundou-se a Altercon. A Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação foi criada por empresas e empreendedores para defender os interesses de mídias e empresas de comunicação independentes – por “mídias e empresas de comunicação independentes” podemos entender sites, blogs (e seus blogueiros) e produtoras diversas (de vídeo, rádio, de revistas, de jornais, etc.) que operem fora do círculo das grandes empresas de comunicação. Mas que empresas e empreendedores são essas? Ainda não sei, pois os detalhes dessa associação como estatuto, registro em cartório, escritório, direção e site devem ser definidos nos próximos 20 dias, como bem disse a nota no site Comunique-se.

Como tudo, existe o lado bom e o lado ruim. O lado bom, por enquanto, só é vislumbrado em tese: as pessoas comuns que produzem conteúdo de forma indepentende através de seus blogs, podcasts ou participando de comunidades nas diversas redes sociais que existem por aí teriam algum apoio quando acusados injustamente de qualquer atrocidade vista apenas pelos olhos do acusador e processados por uma grande empresa e sua matilha de advogados escolados nesses procedimentos. Já perdemos a conta de quantos processos foram noticiados – o mais recente que lembro foi o da blogueira Claudia Mello, condenada a indenizar um médico por simplesmente relatar em seu blog um episódio onde foi mal atendida (saiba os detalhes aqui), mas esta é uma gota no mar de casos que foram parar injustamente na Justiça só aqui no Brasil. Não vou dizer que todos os blogueiros são, unanimamente, uns santos. Pode haver sim aqueles que ofendem gratuitamente e divulgam inverdades graves e devem pagar por isso, mas aqueles de boa índole poderão ter (se a Altercom funcionar mesmo) um apoio na hora de brigar por seus direitos e liberdades contra seus rivais opressores ou oportunistas menos cotados.

O lado ruim é que a criação dessa associação toca ainda mais fundo em uma velha ferida que alguns não querem deixar fechar: “são, os blogueiros, jornalistas?” Com o vai-e-volta da obrigatoriedade do diploma de jornalismo que já virou piada e agora a criação de um órgão que defende “o direito de blogar” (seja lá o que for o verbo “blogar”), os blogueiros terão ainda mais argumentos para defender seu lugar ao sol – nada contra! Conheço muitos blogueiros não-jornalistas que fazem um excelente trabalho naquilo que se propõem fazer como, por exemplo, o blog Target HD do Eduardo Moreira, que é constantemente atualizado e fala muito bem de informática e tecnologia para o usuário final, gadgets, Internet e assuntos relacionados. O que me incomoda nessa questão é ver aquele moleque de 14 anos “excrever em miguxêx qui AVATHAR éh muuuuuuuitcho lindxu” e achar que já pode virar o próximo (coloque aqui o nome do seu crítico de cinema preferido). Qualquer um pode criar um blog, mas nem todo mundo pode ser um produtor de conteúdo relevante.

Estou, porém, me adiantando. Essa questão de ying/yang da Altercom é, na verdade, papo para daqui a alguns anos, quando a associação realmente ganhar força e pudermos analisar para onde ela estará indo. A pergunta mais urgente a fazer agora é: a Altercom vai mesmo ganhar força e decolar? Fará mesmo a diferença e conseguirá representar a “mídia independente”, defendendo os direitos dos blogueiros, dos sites menores e das produtoras de conteúdo em pé de igualdade com outras siglas mais tradicionais como ANER, Abert e ANJ?

Sinceramente, eu espero que sim. Como jornalista, eu defendo a existência e a preservação dos grandes veículos e empresas de comunicação como as Organizações Globo, o SBT, a Abril e a quem mais servir a carapuça, pois acho o povo ainda precisa de referências sólidas em conceitos mais tradicionais para se basear (se os grandes naipes de comunicação fazem ou não um bom trabalho, livre de tendências, interesses e manipulações, é outro papo muito, mas muito mais complexo), mas aprecio a “iniciativa independente” desde a época em que, quando adolescente, eu fazia fanzines de folhas de apapel A4 “xerocada” na papelaria da esquina para distribuir no colégio ou nos shows de bandas alternativas, cultura que foi digitalizada nos tempos da Interrnet e convertida para a era dos sites pessoais hospedados no GeoCities e, mais tarde, para os blogs.

O fortalecimento dessa visão absolutamente livre de amarras editoriais ou comerciais é muito importante para todos, inclusive para a própria indústria da mídia. Ela serve como termômetro para que todos nós saibamos o quanto os grandes veículos e seus leitores, que agora também são “produtores de conteúdo livre”, estão alinhados ou não e onde eles discordam. Se esses pontos de conflito são relativamente poucos e pequenos, quer dizer que a imprensa tradicional estará caminhando na direção correta, olhando para a mesma direção que o público a quem atende. Para que os resultados deste termômetro sejam realmente confiáveis, era mesmo necessário que: a) fosse criada uma associação que defenda os direitos da mídia independente e zele pela sua qualidade; e b) que essa associação funcione corretamente e ganhe força para representar essa mídia independente em pé de igualdade. A primeira parte está feita. Vamos ficar de olho na Altercom e garantir para que a segunda parte também seja cumprida.

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24 February 2010       Tock-Categoria: Outros

Timidez em tempos de Internet social

Outro dia pipocou pelo Twitter uma matéria sobre o Flitters, uma festa criada nos EUA para os twitteiros flertarem uns com os outros associando o “passarinho azul” para vencer a timidez do primeiro contato e a proximidade física de estarem todos no mesmo local para continuarem esse papo aqui no mundo offline. Quem sabe temos mais um casal nerd que venceu a timidez com o auxílio da informática e se forma para montarem sua casinha cheia de action figures e DVDs de ficção científica?

Essa não é a primeira, décima, centésima ou milésima vez que vemos a Web servindo de escudo para pessoas tímidas (sejam elas nerds ou não) conseguirem dar aquele primeiro passo para chegar perto daquela outra pessoa que despertou interesse. Quem não tem um “alvo” em vista, sai à caça pelas diversas redes sociais. Sentindo–se protegida pelo seu monitor, a pessoa toma coragem em mandar uma primeira frase, um gracejo, um “oi, você é muito bonito(a)” que seja. Se rolar alguma rejeição, o ego não sentirá o golpe como sentiria se fosse cara-a-cara. Isso acontece desde os tempos do “oi, q tc?” das salas de chat do UOL e dos mIRC lá pelos idos de 1996. Será que não estamos percebendo uma epidemia cada vez maior de timidez no ser humano ou é só impressão minha mesmo?

Pode ser que a humanidade seja sempre assim desde o início da civilização, afinal, quem nunca teve aquela sensação de pernas tremendo, frio na barriga e a repentina gagueira na hora que você está em frente daquela figura que te faz sonhar acordado? Só a idéia de comunicar a ela que a mesma tem esse estranho poder sobre você te deixa apavorado, com vontade de colocar a cabeça na terra como um avestruz. Se não fosse essa reação comum a todos nós, não haveria roteiro para as comédias românticas.  Talvez seja só uma evidência maior do assunto, mas me parece que os tímidos de hoje são muito mais tímidos que os das gerações anteriores, com medos muito maiores de sofrerem uma rejeição e reações muito mais drásticas a isso, de modo que eles só conseguem dar esse primeiro passo através da Web, incapazes de, ao serem apresentados a alguém interessante por um amigo em comum, não conseguirem desenvolver um diálogo com mais de três palavras.

Eu mesmo estou atirando pedra sem olhar pro meu teto de vidro: sim, eu já fui aquele moleque que sentia as pernas congeladas na frente de uma garota e não conseguia falar mais de três palavras. A vida me ensinou a não ser mais assim – hoje, só os pés ficam gelados e eu consigo falar quase seis palavras. Não é nenhum avanço, mas ainda estou no lucro quando comparado a muitos que, se não estiverem atrás do teclado, sofrem um curto-circuito mental e cardíaco.

Ok, a Internet ajuda, a galera está mesmo “na pista pra negócios” e essa pista pode ser o Orkut, o Facebook, o Twitter ou qualquer outra rede social à sua escolha, mas não vamos fazer dessa pista única plataforma para se chegar a alguém. Caso contrário, teremos uma geração de supertímidos que não conseguirão chegar perto de quem está ao seu lado na festa, com o mesmo objetivo, se a figura não tiver uma “@” antes do nome. Usemos a Web como uma ferramenta, não como único meio para se chegar a um fim comum.

Timidez é uma merda, superá-la é uma tarefa que parece ser impossível e a Internet parece ser um placebo muito sedutor para tal finalidade, mas no fim das contas, não passa disso: um placebo. É inegável que a Web aumenta a possibilidade de relações interpessoais, mas que tal usar essa experiência adquirida para aprimorar também a sua capacidade própria de gerar e cultivar essas relações interpessoais sem a muleta dos bits e bytes? Esse é um exercício dificílimo que venho me forçando a praticar e vejo resultados nisso. Se eu consegui tirar minha cabeça da terra, tenho certeza de que você também pode. Deixa de timidez e experimente dar a cara à tapa – dói menos do que parece…

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1 February 2010       Tock-Categoria: Outros

Rock pesado e metal para toda a família

Quando comprei o ingresso mais barato para o show do Metallica[bb] do dia 31 de janeiro, para a arquibancada laranja do estádio do Morumbi, em São Paulo, já fui conformado de que assistiria ao show em uma localidade ruim para quem gosta de curtir eventos como esse no gargalo. Qual não foi minha surpresa quando o portão para a tal localidade estava fechado e todos os pagantes para o setor foram transferidos para o gramado do estádio mesmo! Não sou eu quem vai reclamar dessa falha na organização.

Como não faço questão de assistir ao Sepultura[bb], cheguei faltando poucos minutos para a banda entrar no palco, o que me fez ficar lá atrás, na rampa de entrada – tudo bem, ainda aproveitei o show melhor que se eu estivesse na tal arquibancada laranja e a localização também me deu a oportunidade de dar uma olhada no público presente: era o mais heterogêneo possível. Ao lado da boa e velha tribo dos camisas-pretas que marcavam presença em massa, conviviam bem patricinhas, nerds de camisa social, porra-loucas de todos os tipos e até famílias com crianças – não apenas famílias “metaleiras”, com mamãe e papai vestindo camisa do Metallica, mas aqueles que representam o estereótipo dos pais convencionais e que, mesmo assim, estampavam na cara o entusiasmo pelas músicas. Seja boa ou ruim, o fato é que a “era Load” da banda realmente os popularizou. Metallica agora é uma banda pesada para toda a família. E isso é uma coisa boa.

Mesmo tendo conquistado essa simpatia de todos, eles anda sabem fazer um grande show e, nesse domingo, eles mostraram que não vieram para brincar. Logo depois da introdução do tema do filme Três homens e um destino com direito a cenas do filme, o quarteto começa logo com Creeping Death e emenda com Ride the Lightning, ambas do disco que leva o nome dessa segunda música, um dos mais pesados e dos meus preferidos! Em seguida, eles entram com Fuel, do CD Reload – e essa é a única música que eles tocam da fase que compõe os três discos que os fãs mais antigos não gostam, Load, Reload e St. Anger. O resto do repertório é composto apenas por músicas do último trabalho, Death Magnetic, e do “álbum preto”para trás. Porradas como Fight Fire With Fire, Master of Puppets e Welcome Home – Sanatarium marcaram presença e músicas do album preto, como Sad But True (que o grupo dedicou ao Sepultura) e Nothing Else Matters foram excelentes respiros para ajustar a adrenalina entre tantos clássicos antigos e novas porradas como That Was Just Your Life, The End of the Line e My Apocalypse.

Dois pontos altos do show, com direito a fogos de artifício e chamas gigantes nas laterais do palco, foram a clássica One, quando o telão ficou todo em preto e branco como o clipe da música, e Enter Sandman, que fechou a parte principal da apresentação. James Hetfield (guitarra base e vocal), Lars Ulrich (bateria) e Kirk Hammett (guitarra solo), apesar de estarem em boa forma, mostram-se velhos e cansados no palco, sem aquela energia que demonstravam nos anos 80, mas eles continuam se divertindo muito, principalmente ao lado do baixista Robert Trujillo, recém-chegado para dar uma rejuvenescida no grupo com sua cara de latino psicótico enquanto empunha seu baixo com fúria.

Após voltarem ao palco para mais duas covers, eles fecham o show com Seek and Destroy, do primeiro disco, Kill em All, encerrando a apresentação com chave de ouro para os fãs antigos, que prezam pelos álbuns dos anos 80, e para os novos, que mostraram ter gostado das “porradas” que, em tempos idos, nunca tocariam em seus CD Players. Definitivamente, Metallica é pop. E Metal. E isso combina com eles.

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28 January 2010       Tock-Categoria: Outros

A redação jornalística mais divertida do mundo

Nesses dois últimos dias da Campus Party, senti-me como se estivesse de volta às redações dos jornais: bancadas enormes onde todos produzem conteúdo feito loucos, gritando, conversando, planejando e executando infinitas idéias que não param de brotar na imaginação de cada “campuseiro” por aqui. Todo mundo está tentando (e conseguindo) produzir conteúdo em texto, vídeo, áudio e outras mídias em meio a muita bagunça, que quase não dá pra se concentrar direito. As grandes diferenças são que: a) estamos todos nos divertindo muito com isso; b) não temos nenhum compromisso editorial além de nossos próprios canais de conteúdo – blogs, podcasts, videocasts, mídias sociais, o que for; c) nenhuma redação onde estive tinha uma estrutura e conexão em banda larga à Internet tão estável quanto a que estamos usando aqui no Centro de Exposições Imigrantes.

Mas não é só de produção de idéias e conteúdos que vivem os viajantes que vieram até aqui para aproveitar a conexão de 10 Gb do evento: uns colocam seus downloads de filmes, séries, músicas e games em dia, outros exibem CPUs estilizadas e muitos se divertem nas áreas de jogos e ciência, com seus projetos de robótica que resultaram até em torneios de robôs. Na madrugada, a zorra impera com brincadeiras e gritarias por parte da organização e dos participantes – parece uma verdadeira revolução com flashmobs de gritaria, cadeiras levantadas, pessoas fantasiadas, buzinas, cornetas… É, acho que não é mesmo muito diferente de uma redação de jornalismo.

Os painéis de palestras, atrações à parte apresentadas durante o dia, abordam de tudo: desenvolvimento, software livre, blogs, podcasts, música digital e muito mais. A organização não esperava que o sucesso da Campus Party neste ano fosse tanto, prova disso é o fato de os espaços para as palestras quase não comportaram a quantidade de interessados nos assuntos apresentados. O som também foi mal projetado, fazendo com que aqueles que ficassem lá atrás não conseguissem ouvir o que saía das caixas de som. Nada disso foi problema: a conexão em super-banda larga está aí mesmo para podermos assistir todas as palestras por streaming, no conforto de nossas bancadas direto do computador. Você, da sua casa, também pode assistir em tempo real!

Muito mais coisas acontecem por aqui, mas estou ocupado demais, curtindo o evento e as amizades, outrora virtuais que tornaram-se reais, para ter tempo de sentar em frente ao notebook e escrever sobre isso. Se quiserem saber mais detalhes sobre o que anda rolando por aqui, recomendo que vocês ouçam o hotsite especial do Metacast, onde a galera podcaster (eu entre eles) está gravando drops especiais sobre a Campus Party e os sites Target HD e Baú Pirata, que também lançam seus olhares sobre o evento. Agora dá licença, que tem um monte de coisa acontecendo por aqui e não quero perder nada. See ya!

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25 January 2010       Tock-Categoria: Outros

Campus Party: minhas primeiras impressões

Logo no primeiro dia, a Campus Party Brasil 2010 já contabilizou números impressionantes: são 15 mil inscritos no evento que reúne palestras, discussões e áreas diversas relacionadas à tecnologia e comportamento – entre eles, 6 mil acamparão no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, e cerca de mil jornalistas estão inscritos para cobrir esta semana, chamada pela organização de “a maior festa da Internet”. É verdade: com esses números, a edição brasileira da Campus Party torna-se, oficialmente, a maior Campus Party do mundo! Como esta é a minha primeira vez por aqui, pretendo fazer uma modesta cobertura, à minha maneira, sobre as impressões que venho tendo por aqui, indicando também os sites e blogs dos amigos que destinam-se a apresentar tudo que acontece no evento com mais detalhes.

Só que esta festa não começou assim tão divertida para muitos. Os portões abriram às 9 da manhã, três horas mais cedo que o planejado, para comportar a grande quantidade de pessoas que já estavam na porta desde cedo.

Quem chegou depois do meio-dia teve que amargar mais de duas horas do lado de fora, só para conseguir chegar à portaria e fazer seu cadastro e pegar o crachá que dá acesso à área de campus, reservada para aqueles que pagaram os 140 reais de taxa de inscrição. Os mais afortunados conseguiram entrar sem problemas, mas centenas de campuseiros foram surpreendidos pela (falta de) organização que não encontrou seus dados cadastrais, orientando-os a entrarem em uma nova fila, a de incidências, para tentar regularizar a situação. Cada campuseiro que teve o azar de encontrar problemas em seu cadastro teve de passar cerca de duas horas nesta segunda fila somente para ser atendido. Depois de tudo isso, mais duas rápidas filas: uma para cadastrar seu computador (seja ele notebook ou desktop) e outra para você pegar sua barraca, caso seja um dos 3 mil primeiros campuseiros que se inscreveram a tempo, solicitando.

Inconvenientes e filas à parte, o clima não poderia ser mais próspero e festivo. As pessoas chegam empolgadas para instalarem-se, conectarem seus computadores à rede de 10 Gb liberada para os inscritos e aproveitarem para baixar filmes, séries e programas e, mais ainda, subirem conteúdo na forma de texto, áudio ou vídeo para seus blogs, sites e redes sociais. A estrutura também é bem melhor do que eu esperava: as barracas estão montadas em um grande galpão com ventiladores e exaustores para controlar o clima do ambiente e é equipado com inúmeros banheiros para atender a todos. O “bandeijão”, temido por aqueles que relutaram em pagar a taxa de alimentação de 165 reais, é um excelente restaurante onde os inscritos podem encher o prato com o quanto quiserem – só não podem repetir. Quem se arrependeu de não pagar a taxa que dá direito às três refeições por dia podem pagar 16 reais por cada refeição.

Falando em social, engana-se quem pensa que, na Campus Party, todos se sentam na frente de seus computadores para conversar pelo MSN com a pessoa à sua frente. As pessoas combinam assistir juntas as diversas palestras que acontecerão durante esta semana, trocam dicas e informações sobre diversos assuntos e combinam de realizar passeios e eventos por São Paulo, fora do Centro de Exposições. Descontando os aborrecimentos iniciais por conta da desorganização para atender a grande demanda de público, as primeiras impressões são muito boas. Mal posso esperar para ver o que a Campus Party me reserva para os próximos dias.

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10 January 2010       Tock-Categoria: Outros

Ano novo, servidor novo


2010 está chegando forte aqui neste blog – e os bons ventos do ano novo trazem bem mais que as mudanças de estrutura e visual que você está vendo aqui. Este é o primeiro post criado para o Tocks após sua migração para outro servidor. Quem entregou as chaves da nova casa foi a empresa i4B do Roney Blhassof, o cara mais gente boa e querido da Internet brasileira, que ralou por três dias direto para garantir que todos os aplicativos e bancos de dados fossem transferidos em toda sua integridade (muito obrigado pela atenção 100%, professor!).

Esta era uma mudança fundamental que estava esperando acontecer por aqui antes de voltar a atualizar o Tocks freqüentemente e colocar em prática todas as mil e uma idéias que venho “temperando” em minha mente com o objetivo de apresentar todas elas por aqui. É claro que a mudança de servidor exigiu uma pequena reestruturação de layout, que “resetou” uma série de configurações como a criação de um novo feed de RSS (aproveite para clicar aqui e copiar o novo endereço para você trocar no seu leitor de feeds favorito), imagens que não aparecem mais em alguns posts, links quebrados e eventuais caracteres estranhos em alguns textos. Tudo isso será consertado tão logo o tempo permita e cada um dos problemas seja detectado – se você descobrir algum, é só mandar um e-mail ou deixar um comentário e eu correrei para averiguar o mais rápido possível.

Satisfação dada, vamos reiniciar os trabalhos, que 2010 já começou feroz e impiedoso, com muitas idéias, inspirações e tarefas que já estão atrasadas. Apertem os cintos!

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2 January 2010       Tock-Categoria: Outros

Diga como passa o réveillon e eu te direi como será seu ano

Uma pessoa supersticiosa me disse certa vez que a forma como passa o seu réveillon dará um vislumbre de como o ano vindouro será para você – por isso mesmo é que, conscientemente ou não, todos nós procuramos passar a meia noite de 31 de dezembro para 1º de janeiro da forma mais festiva e alegre possível: ao lado dos amigos, familiares, seu grande amor, com muitas risadas, alegria e a celebração da chegada de mais uma volta da Terra[bb] ao redor do Sol – você pensa que isso é pouca coisa? O esforço para o planeta é tão grande que ele leva 365 dias para completar esse percurso, sem parar um instante sequer, nem mesmo para beber água.

Meu réveillon de 2008 para 2009 foi um verdadeiro filme de Sessão da Tarde: muitas confusões sobre onde eu estaria ou não quando o relógio batesse a esperada zero hora. Como resultado, acabei sendo convidado de última hora (literalmente) a passar a virada do ano na casa de uma amiga e um monte de simpáticos desconhecidos para atravessarmos a noite bebendo, rindo e assistindo a shows de rock no DVD até o amanhecer. Posso dizer que meu ano de 2009 foi assim: um monte de tiros no escuro, sem saber pra onde ir ou se estava no caminho certo, mas dane-se. No fim da estrada, verei o resultado. As coisas podem não ter saído exatamente como imaginava em alguns casos, mas sim, o final de cada filme sempre foi feliz, assim como todo filme de Sessão da Tarde que se preze.
Se o que a pessoa supersticiosa falou é verdade, a julgar pela forma como passei a virada para 2010, os próximos 12 meses me trarão muita dor de cabeça. Ter um médico desconhecido ao seu lado para desejar feliz ano novo no momento em que ele e sua equipe estão socorrendo dois parentes repentinamente enfermos não é algo que você planejou para seu réveillon e muito menos algo que se pode chamar de “ter dado certo”. Mas a cena traz algumas leituras interessantes para serem interpretadas: os ventos de 2010 trarão problemas que me farão acordar para a vida, como um tapa na minha cara enquanto me mandam parar de nadar com a maré e me farão tomar decisões, afinal. Se as mudanças que esses problemas trarão serão benéficas ou não, só eu saberei quando as conseqüências das minhas decisões surgirem – eu e os astros, pois, de acordo com a pessoa supersticiosa, grandes viradas positivas e decisivas estão reservadas para mim tanto no campo profissional quanto no sentimental, todas abruptas.
Sempre gostei de mudanças, mas somente quando eu as programo. Sinais como esse me fazem sentir como se uma grande onda viesse em minha direção e a maré me puxa pra ela. Não adianta tentar correr: o “caixote” é inevitável. Não gosto da idéia, mas já que é assim, que venha 2010 com todas as lições que me tornarão ainda mais forte para o resto da minha vida.
Alguém tem uma prancha de surf pra me emprestar?

Uma pessoa supersticiosa me disse certa vez que a forma como passa o seu réveillon dará um vislumbre de como o ano vindouro será para você – por isso mesmo é que, conscientemente ou não, todos nós procuramos passar a meia noite de 31 de dezembro para 1º de janeiro da forma mais festiva e alegre possível: ao lado dos amigos, familiares, seu grande amor, com muitas risadas, alegria e a celebração da chegada de mais uma volta da Terra ao redor do Sol – você pensa que isso é pouca coisa? O esforço para o planeta é tão grande que ele leva 365 dias para completar esse percurso, sem parar um instante sequer, nem mesmo para beber água.

Meu réveillon de 2008 para 2009 foi um verdadeiro filme de Sessão da Tarde: muitas confusões sobre onde eu estaria ou não quando o relógio batesse a esperada zero hora. Como resultado, acabei sendo convidado de última hora (literalmente) a passar a virada do ano na casa de uma amiga e um monte de simpáticos desconhecidos para atravessarmos a noite bebendo, rindo e assistindo a shows de rock no DVD até o amanhecer. Posso dizer que meu ano de 2009 foi assim: um monte de tiros no escuro, sem saber pra onde ir ou se estava no caminho certo, mas dane-se. No fim da estrada, verei o resultado. As coisas podem não ter saído exatamente como imaginava em alguns casos, mas sim, o final de cada filme sempre foi feliz, assim como todo filme de Sessão da Tarde que se preze.

Se o que a pessoa supersticiosa falou é verdade, a julgar pela forma como passei a virada para 2010, os próximos 12 meses me trarão muita dor de cabeça. Ter um médico desconhecido ao seu lado para desejar feliz ano novo no momento em que ele e sua equipe estão socorrendo dois parentes repentinamente enfermos não é algo que você planejou para seu réveillon e muito menos algo que se pode chamar de “ter dado certo”. Mas a cena traz algumas leituras interessantes para serem interpretadas: os ventos de 2010 trarão problemas que me farão acordar para a vida, como um tapa na minha cara enquanto me mandam parar de nadar com a maré e me farão tomar decisões, afinal. Se as mudanças que esses problemas trarão serão benéficas ou não, só eu saberei quando as conseqüências das minhas decisões surgirem – eu e os astros, pois, de acordo com a pessoa supersticiosa, grandes viradas positivas e decisivas estão reservadas para mim tanto no campo profissional quanto no sentimental, todas abruptas.

Sempre gostei de mudanças, mas somente quando eu as programo. Sinais como esse me fazem sentir como se uma grande onda viesse em minha direção e a maré me puxa pra ela. Não adianta tentar correr: o “caixote” é inevitável. Não gosto da idéia, mas já que é assim, que venha 2010 com todas as lições que me tornarão ainda mais forte para o resto da minha vida.

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22 November 2009       Tock-Categoria: Outros

Chega logo, fim do mundo!

Não aguento mais ouvir falar no fim do mundo em 2012. O que sempre foi pauta para comentários espirituosos, teorias conspiratórias e buscas por previsões em fundo de copo de chopp, agora virou um assunto dos mais explorados desde o ano passado para tentar ganhar dinheiro de todas as formas. Do novo filme de Roland “Independence Day” Enmerich aos novos best-sellers das livrarias, que formam até mesmo uma coleção inteira de livros sobre o fim do mundo, todos querem engordar suas contas com o assunto antes que o céu caia sobre nossas cabeças.

O assunto está tão na moda que ele impede que os brasileiros, ufanistas que somos, falemos com mais empolgação da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016, ambas marcadas para acontecer por aqui – para que nos preocupar com isso agora? O mundo inteiro vai acabar antes mesmo! Finalmente encontramos um tema que nem mesmo a força do pensamento positivo d’O Segredo é capaz de reverter – que outro tema você conhece que seja mais influente nas cabeças do “povo popular” desse país do que futebol, sexo e auto-ajuda?

O fim do mundo não é novidade pro ser humano há muito tempo. Esse planetinha azul já foi para os ares tantas vezes em diversas previsões que até eu já perdi a conta de quantas profecias infalíveis já vivi sem sucesso – e olha que tenho apenas 34 anos! Quantas outras estão relatadas nos infinitos livros que a humanidade já escreveu? É realmente muito otimismo por parte daqueles que acreditam que a Terra[bb] ou a humanidade vá pelos ares justamente na sua vez de caminhar pela terceira esfera ao redor do sol. Não pense que esse tipo de pessoa não existe, leitor: o tal do O Segredo, seja em livro ou DVD, não foi um dos títulos mais vendidos na época de seu lançamento por conta dos céticos. Será realmente uma grande decepção quando, no dia 22 de dezembro de 2012, essas pessoas acordarem e verem que seus problemas, suas dívidas, suas desilusões e seus assuntos inacabados continuarão tão intactos quanto no Dia do Juízo Final.

Enquanto isso, a mídia corre contra o tempo, pois, em 21/12/2012 chega o fim – não do mundo, mas dessa emergente fonte de renda de pouca duração, com filmes, livros, documentários, camisetas com os dizeres “Fim do Mundo – Eu Fui!”, acalorados discursos que inflamarão ainda mais a questão ambiental, entrevistas com especialistas em calendário maia cujos nomes nunca ouvimos falar antes e jamais ouviremos novamente e a repentina moda latino-silvícola estampada nas roupas femininas e no vocabulário da galera – o que? A Glória Perez ainda não escreveu uma novela se passando em Comalcalco, transformando os espanhóis nos grandes vilões da vez? Está marcando bobeira…

Que venha logo o reveillon de 2012! Assim podemos acabar logo com o mundo de uma vez para, enfim aliviados, podermos pensar nos preparativos das festas de 2014, um ano em que o Brasil, com certeza, acabará, pois ninguém conseguirá trabalhar nesse país enquanto persistir o Calendário da Copa – esse sim, a partir de 2013, será mais poderoso aqui do que qualquer calendário maia, inca ou asteca…

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21 November 2009       Tock-Categoria: Outros

Os melhores álbuns da década

Estava demorando para aparecer uma lista de “melhores álbuns” que listassem os trabalhos lançados nesta primeira década dos anos 2000. Finalmente alguém – no caso, a publicação inglesa New Musical Express – assumiu a tarefa de entrar em contato com músicos, produtores e outras personalidades da indústria musical contemporânea para elaborar esse ranking.

Não me surpreendeu encontrar o primeiro trabalho dos Strokes na cabeça dessa lista, pois realmente não lembro de um disco que, nos últimos anos, tenha feito tanto barulho por seu lançamento que Is This It. A lista de 50 itens só traz mesmo nomes de bandas ou artistas que surgiram nos anos 2000 ou, quando muito, nos anos 90 – a “musa dos alternativos” PJ Harvey[bb], que aparece em quarto lugar com o perfeito Stories From the City, Stories From the Sea, é praticamente uma Rita Lee[bb] perto dos outros nomes, uma vez que seu primeiro disco é de 1992.

Com esses 50 nomes da música atual juntos em uma única relação, a lista da New Music Express é o primeiro documento que vejo a mostrar a cara da cena roqueira no início do século XXI. Para quem, nos anos 90, tinha medo de que a música eletrônica pesada de sons como Prodigy e Chemical Brothers tomassem conta do cenário com suas “composições de computador”, podem respirar aliviados (ou não) ao presenciar a predominância do estilo que, até o fim do século XX, era considerado alternativo, com levadas que misturam os anos 50 com os 80. Confiram abaixo e veja se você gosta (ou, pelo menos, conhece) alguns desses nomes:

1. Is This It, The Strokes[bb]
2. Up the Bracket, The Libertines[bb]
3. XTRMNTR, Primal Scream
4. Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, Arctic Monkeys[bb]
5. Fever to Tell, Yeah Yeah Yeahs[bb]
6. Stories From the City, Stories From the Sea, PJ Harvey
7. Funeral, Arcade Fire[bb]
8. Turn On the Bright Lights, Interpol[bb]
9. Original Pirate Material, The Streets[bb]
10. In Rainbows, Radiohead[bb]
11. Relationship of Command, At The Drive In
12. The Sound of Silver, LCD Soundsystem[bb]
13. Wincing the Night Away, The Shins[bb]
14. Kid A, Radiohead
15. Songs for the Deaf, Queens Of The Stone Age
16. A Grand Don’t Come for Free, The Streets
17. Illinoise, Sufjan Stevens[bb]
18. Elephant[bb], The White Stripes[bb]
19. White Blood Cells, The White Stripes
20. Think Tank, Blur[bb]
21. The Coral[bb], The Coral
22. The Blueprint, Jay-Z[bb]
23. Myths of the Near Future, Klaxons[bb]
24. The Libertines, The Libertines
25. Echoes, The Rapture[bb]
26. Boy in da Corner, Dizzee Rascal
27. Back to Black, Amy Winehouse[bb]
28. Man Comes Around, Johnny Cash[bb]
29. Rings Around the World, Super Furry Animals
30. Asleep in the Back, Elbow
31. I’m Wide Awake, It’s morning, Bright Eyes[bb]
32. Show Your Bones, Yeah Yeah Yeahs
33. Neon Bible, Arcade Fire
34. The Sophtware Slump, Grandaddy
35. Down in Albion, Babyshambles[bb]
36. Let It Come Down, Spirtualized
37. Silent Shout, The Knife[bb]
38. Silent Alarm, Bloc Party[bb]
39. Crystal Castles[bb], Crystal Castles
40. Gold, Ryan Adams[bb]
41. Two Dancers, Wild Beasts
42. Vampire Weekend[bb], Vampire Weekend
43. Yankee Hotel Foxtrot, Wilco[bb]
44. Loveboxxx/The love Below, Outkast
45. Since I Left You, Avalanches
46. The Great Eastern, The Delgados
47. Lapalco, Brendan Benson
48. Bows and Arrows, The Walkmen
49. Absolution, Muse[bb]
50. Arular, MIA

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6 November 2009       Tock-Categoria: Outros

Não perca a fé na boa música

Os balzaquianos tomaram conta do Citibank Hall na noite de 05 de novembro, com uma aparente calma que escondia a ansiedade e a saudade de assistir a mais um show do Faith No More[bb]. A banda que fez as cabeças desses então adolescentes nos anos 90 deixou muita saudade quando encerraram suas atividades após a turnê do CD Album of the Year, de 97. O frontman Patton trabalhou como um louco lançando projetos mil através de sua gravadora, a IPECAC, mas não era a mesma coisa para quem não resistia à tentação de arrancar os próprios órgãos internos com os dentes ao ouvir From Out of Nowhere ou Diging the Grave, entre outras músicas da banda.

Não sei quem era a banda de abertura e também não me interessa. Quando entrei durante a penúltima música do grupo nacional, estranhava o hall vazio, com um público apático. Não estranhei a apatia pela banda de abertura, mas não havia nos olhos aquela chama de ansiedade de ver nosso querido FNM de volta após 10 anos separados. Parecia uma gigantesca reunião de ex-alunos de colégio que não se viam desde os tempos do uniforme escolar e da espinha na cara. Havia sim uma molecada que, mesmo não tendo pego a época em que a banda estava na ativa, conhecia (acredito eu, através dos torrents e P2Ps) e gostava do Faith No More e dos projetos mais famosos de Patton como Mr. Bungle e Fantomas, e algumas figuras que não disfarçavam a cara de “que diabos estou fazendo aqui?”. O pessoal entre os quase 30 e pouco mais que isso era maioria. “Será que estamos velhos demais para isso?”, pensava eu.

Apagam as luzes. Mike Patton (voz), Billy Gould (baixo), Roddy Bottum (teclado), Mike Bordin (bateria) e Jon Hudson (guitarra) entram no palco tocando uma lentra introdução que já deixa todos extasiados mas, ao começar a eufórica From Out of Nowhere, não teve jeito: os balzaquianos voltaram a ter 16 anos no primeiro acorde e o Citibank Hall, agora lotado, vinha abaixo! Os cinco caras, alguns com uma proeminente barriguinha que vem de brinde com a idade, outros com cabelos grisalhos, tocavam ferozmente enquanto Patton se esguelava e o público urrava toda a letra da música junto com ele.

O domínio de Patton sobre o público, como se fosse um velho conhecido de todos nós, já era sabido pelos brasileiros, mas esse velho e doido camarada trouxe algumas surpresas na bagagem desta vez, como uma interpretação totalmente em português de Evidence (diga-se de passagem, Mike conversou com o público em bom português com pouco sotaque de gringo durante todo o show) e uma surpreendente interpretação “jazz/ lounge” de Midlife Crisis no finalzinho desta música. O setlist, para quem conhece todos os CDs do FNM, foi matador: desde clássicos como Epic, a baladinha Easy, a estranha Caffeine e a forte Ashes to Ashes até porradas absolutas como The Gentle Art of Making Enemies, a terrível (no bom sentido) Surprise! You’re Dead!, a impossível-ficar-parada We Care a Lot no bis e a belíssima King of a Day, com direito a uma viagem altamente psicodélica, entre tantas outras. Para fechar a noite, atendendo a pedidos da galera, eles voltam ao palco mais uma vez (“Só porque estamos tocando no Rio”, disse Mike) para se despedir de nós com Falling to Pieces.

Na última vez que pisei no Citibank Hall antes dessa, a casa de shows ainda se chamava “Metropolitan” e foi justamente para ver Faith No More na turnê do CD King for a Day, Fool for a Lifetime. Saí de lá rouco, com o corpo dolorido, pescoço duro, pernas dormentes e um enorme sorriso no rosto que não conseguia desfazer. Dez anos depois, os efeitos colaterais deste show, no mesmo lugar, foram exatamente os mesmos. Isso é para eu aprender que, não importa a idade, sou ingênuo se, em algum segundo, não tive fé de que um show como esse fosse enlouquecer os brasileiros como sempre fez há quase 20 anos.

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