Tock-categoria: Top Five

10 February 2010       Tock-Categoria: Top Five

5 fracassos da (ou na) Internet

Durante o dia de ontem, os twitteiros não paravam de falar do Google Buzz, o novo recurso que integra redes sociais como o próprio Twitter, YouTube e outros serviços de interação ao Gmail, fazendo com que o serviço de e-mails do Google fique ainda mais “sociável”. E os comentários eram, como sempre, nada construtivos: um terço dizia que estava com problemas para acessar suas mensagens depois da instalação do Buzz; o segundo terço entrava em parafuso com o fato de ter que aprender a comportar-se com seus e-mails de forma diferente; e o terceiro terço questionava veementemente a utilidade ou validade do serviço.

É claro que um primeiro dia de qualquer novidade, serviço ou tecnologia não é suficiente para dizer se o mesmo terá sucesso ou não, mas a rejeição inicial que este grupo de internautas manifestou me fez lembrar de outros lançamentos e acontecimentos pela Internet que foram verdadeiros tiros n’água. Só para citar alguns:

  • Google Wave – Eu sei que ainda há usuários ferrenhos que fazem uso desta “plataforma multi-tarefas faz tudo e ainda descasca batatas” do Google (nunca vou me acostumar em chamar “a” Google), mas o fato é que a grande maioria dos internautas ficou louca para conseguir um convite para esse negócio e, quando finalmente conseguiu passar pelos portões da novidade, disse: “Ah, então é isso. Legal. O que será que está rolando no Twitter agora?” e nunca mais voltou. Alguns acharam complicado demais, outros não viram utilidade no serviço exatamente por ter muitos recursos concentrados em um mesmo ambiente… Estou sendo crítico demais neste tópico, o Google Wave não pode ser considerado um fracasso: nós, internautas regulares, talvez não estejamos prontos para o conceito que ele apresenta e pode ser que, em alguns anos, torne-se realmente o padrão de comunicação e trabalho em grupo da Web, mas, por enquanto, é só mais um negócio sem explicação ou utilidade que fica muito bonito na estante dos internautas que se enchem de orgulho ao apontar para ele e dizer “eu tenho, você não tem”.
  • Campanhas desastrosas em redes sociais – Com a popularização das redes sociais, o Marketing viu uma chance única de aproximar seus produtos dos clientes de uma forma segmentada nunca antes imaginada. O que muitos amadores afobados com essa possibilidade não imaginaram é que essa ferramenta é uma faca de dois gumes: se for usada de modo indevido ou um erro diplomático ou de relacionamento for cometido neste ambiente, a imagem da empresa ou produto vai por água abaixo. Foi o caso do BestShopTV, que abalou as estruturas do Twitter no ano passado (clique aqui e leia a matéria da INFO para relembrar). A imagem da loja ficou tão arranhada por não conseguir atender à promoção que ela mesma lançou no Twitter que até hoje ela é sinônimo de fail nas redes sociais. Este é apenas um entre muitos outros “cases de fracasso” que existiram por aí.
  • Caça às bruxas do MP3 – Desde que o Napster foi condenado em 2001 e uma legião de artistas, encabeçada pelo Metallica, bradou aos quatro cantos a acusação de que “quem baixa música da Internet está roubando o dinheiro do artista”, a prática só aumentou vertiginosamente. O primeiro programa de compartilhamento de músicas foi fechado e, depois, tornou-se a plataforma de venda de música digital de uma major, mas, d lá pra cá, novos softwares, serviços virtuais e métodos ainda mais práticos e eficientes que o “gato de headphone” surgiram, disseminando cada vez mais novas e antigas obras de novos e antigos artistas. Os caçadores de internautas criminosos, com o apoio da Igreja da RIAA, bem que tenta, mas a nova ordem musical já se instaurou e boa parte dos músicos famosos e independentes já está se adaptando à nova realidade. O circo ainda continua sendo armado por muitas gravadoras, pela própria RIAA e por outros músicos e bandas, mas ninguém mais presta muita atenção nos milionários, ridículos e pontuais processos que eles aplicam em um ou outro internauta pelo mundo, rendendo notícias nos sites e blogs e incitando ainda mais antipatia pelo resto do mundo.
  • Segway – O patinete motorizado virou um artigo cult, mas sua campanha de lançamento na segunda metade dos anos 90 foi uma grande palhaçada. Eu era estagiário em uma grande revista de Internet quando recebemos a notícia de que, nos Estados Unidos, uma empresa fazia o maior alarde ao anunciar um lançamento que seria MAIS REVOLUCIONÁRIO QUE A INTERNET, com direito à caixa alta e tudo! Por semanas, ficamos desconfiados, incrédulos e, por que não dizer, ansiosos e empolgados com aquela novidade que prometeria virar o mundo de cabeça pra baixo, como a Web o fez. No esperado dia, em transmissão via streaming para todo o mundo, os jornalistas do planeta dão de cara com… Um patinete? Um patinete motorizado? É isso mesmo que vai revolucionar o mundo mais que a Internet? É alguma gozação, a grande novidade virá logo depois disso? Não? Ok, deixa eu conferir meus e-mails que ganho mais…
  • Tecnologia Push – Ainda na minha época de estagiário dessa revista, uma novidade que realmente me empolgou foi a tal tecnologia Push, também chamada de webcasting: através de um software, você poderia “assinar” o serviço que cada site de notícias proveria e esse mesmo software “empurrava” as notícias desse determinado site até você, sem precisar visitar a página a cada cinco minutos para ver se havia alguma novidade por lá. Sim, esse é exatamente o mesmo conceito do RSS como conhecemos hoje – acontece que os feeds são feitos com a linguagem XML que ainda não existia naquela época. O conceito de receber conteúdo on demand fez nossos olhos brilharem, só que o tal Push foi um fiasco: o software que os internautas deveriam instalar travavam os computadores, era pesadíssimo, o serviço era lento demais, poucos aderiram a ele… Enfim, tudo que tinha que dar errado, deu, e o tal de webcasting deixou todos nós, encantados com o conceito de receber conteúdo em vez de ir buscá-lo, na mão. Essa vontade só foi saciada mesmo anos mais tarde, com o surgimento do famoso ícone laranja com ondas brancas.

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3 November 2009       Tock-Categoria: Top Five

As séries que mais me marcaram

A nova safra de séries está ganhando um gás e tanto com a popularização da TV à cabo e a possibilidade de baixar os episódios da Internet com suas respectivas legendas. Não faltam espectadores apaixonados por programas como House, Lost, 24 Horas e outros nomes ainda mais recentes por aí. Eu mesmo estou acompanhando algumas pela Web ou pela TV mesmo, mas tem algumas séries que fizeram minha alegria durante a infância e a adolescência. Acho que muitos se identificarão com esse Top Five:

Batman – Simplesmente um clássico! Quando era criança, acordava cedo todos os dias para assistir às aventuras de Adam West e Burt Ward nas peles do “Paladino da Justiça e seu fiel parceiro”. A série era uma paródia inocente (uma zoação mesmo!) do herói dos quadrinhos, tornando o sombrio Batman mais palhaço com suas tramas infantis, piadinhas infames e as onomatopéias que apareciam na tela a cada golpe que os personagens davam nas cenas de luta. Rio até hoje quando me deparo com isso na TV. Assista!

A Gata e o Rato – Uma das duas séries dos anos 80 que sinto muita falta até hoje: a ex-modelo Maddie Hayes, vivida por Cibyl Shepard, descobre que a única posse que restou foi uma agência de detetives e passa a tentar administrar a mesma ao lado do desleixado, cínico e inconsequente David Adisson, papel que apresentou Bruce Wills ao público. As diferenças das duas personalidades e a atração entre os personagens eram mostradas de forma muito interessante nos episódios, além das tramas engraçadas e um dos melhores elencos de apoio da história da TV. Assista!

Profissão: Perigo – Quem não queria ser o inventivo McGyver quando criança nos anos 80? O agente secreto não gostava de usar armas – e nem precisava! A criatividade do personagem era tanta que ele conseguia improvisar armas e utensílios diversos com o que tivesse por perto. Quem mais além dele conseguiria pensar que, com uma vara ôca de bambu, gás do pântano e terra pouco úmida, conseguiria criar um verdadeiro sinaleiro para serem localizados no pantanal fechado para serem salvos? As “mentiradas” eram tão criativas que “McGyver” tornaram-se sinônimo de pessoa inventiva, que consegue dar soluções criativas para problemas aparentemente insolúveis. Assista!

Friends - Um fenômeno! Não saía da frente da TV na noite em que passaria um novo episódio da série durante os 10 anos que foi exibida. As aventuras e desventuras amorosas, cotidianas e profissionais dos seis amigos refletiam muito aquilo que eu (assim como muitos) também vivia nos anos 90. Ver seu reflexo na série e entender, no meio das piadas e absurdos, que temos mais é que viver a vida de forma mais leve e não dar tanta importância a certas coisas que consideramos essenciais ou insubstituíveis na vida era o grande mérito de Friends. Por isso que a série nunca deixou de ser reprisada – e os mesmos espectadores de antes continuam vendo felizes! Assista!

NewsRadio – Não subestime as séries de claquete, com aqueles risos gravados à cada piada. Ritmo e timming são essenciais para uma boa comédia e, nesses quesitos, o elenco da série NewsRadio é imbatível até hoje. O dia-a-dia caótico de uma emissora de rádio mostrado na série mostrava tanto o talento dos roteiristas, que traziam situações insanas, e dos atores que decoravam textos difíceis e que me faziam arrastar da poltrona pro chão de tanto gargalhar. Imperdível! Assista!

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3 April 2009       Tock-Categoria: Top Five

5 coisas para fazer sem Internet

Pela primeira vez em anos, a NET fez uma lambança tão grande na minha conexão com a Internet aqui em casa que fiquei cerca de uma semana “banido” do mundo online a partir do meu computador. Muita dor de cabeça e burocracia depois, veio um técnico para resolver a “caquinha” que o primeiro havia deixado aqui, sem dar a descarga. Ok, de volta a nossa programação normal, mas durante esta semana offline, tive que pensar no que fazer no tempo em que estaria, normalmente, a frente do computador, para diminuir essa abstinência da Web (“webstinência”?):

  • Dormir – A diferença entre uma pessoa com conexão banda larga em casa e outra sem Internet residencial é que a primeira cultiva olheiras que crescem com a luz noturna do monitor. Durante esta semana offline, eu tive a estranha sensação de dormir mais de quatro horas em uma noite e acordar bem disposto, antes mesmo do despertador. Teria sido porque eu dormi durante a noite?
  • Ver televisão – vivo reclamando que não assisto mais séries, filmes e outros programas, seja na TV ou baixando-os da própria Web, por pura falta de tempo. Pois durante esta semana domesticamente offline, tive tempo de rever algumas das séries que eu sempre gostei e conhecer algumas das novas que todo mundo fala, sem falar nos filmes antigos e mais recentes. É estranho dizer isso, mas estava com saudades de não fazer nada em frente a uma tela maior, depois de passar tempos trabalhando na frente de outra menor.
  • Sair – quem trabalha com comunicação tem a péssima mania de trabalhar no fim de semana. Ora, se você não tem sábado e domingo, por que todo dia tem que ser segunda? Que seja sexta! Vá ver os amigos para tomar aquele chopp após o trabalho, coloque o papo em dia, exercite os olhos e a boca para e comunicar em vez de apenas os dedos. Bater papo numa mesa de botequim ou barzinho é muito mais agradável do que via MSN.
  • (Censurado) – Ao contrário do que muita gente pode achar, o computador não é uma boa companhia para fazer “aquilo” e a Internet, por mais anticoncepcional que seja, dá menos prazer que o método tradicional com camisinha. Se você for esperto o suficiente para pegar o telefone daquela garota com quem você anda digitando indecências pelo MSN, porque não liga pra ela para propor colocar em prática tudo aquilo que vocês idealizaram? Quer dizer, se a pessoa que está do outro lado do Messenger for aquilo que realmente diz ser…
  • Rezar – por mais que se redescubra o mundo offline, não adianta: o vício da Internet está lá, no sangue, gritando alto por bits e bytes e, em resposta, você grita com o atendimento do seu provedor, clamando, pedindo ou exigindo a solução do seu problema em meio a tanta burocracia. Claro que essa semana serviu para me ensinar a equilibrar melhor minha vida entre os dois mundos, mas, enquanto isso, tudo que você tem a fazer mesmo é rezar um terço ajoelhado no milho para que o “São Técnico” apareça logo para fazer seu milagre e abrir os portões da Web novamente para você. Ai, meus joelhos…

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5 March 2009       Tock-Categoria: Top Five

Os empregos mais legais do mundo

Então, um dia, me disseram “Afinal, eu ainda não sei o que você faz”. Pois é, nem eu. São tantas coisas, e cada uma delas e meio difícil de explicar, que eu perderia um bom tempo falando de cada uma delas. São trabalhos legais, eu curto muito fazer tudo que faço – senão, não os faria. Mas aí bateu novamente a minha “síndrome de Rob Gordon” e a cabeça começou a ferver: quais seriam os cinco empregos mais legais do mundo? Eu estaria fazendo um deles? O próprio personagem de John Cusack fez essa lista em Alta Fidelidade, mas dane-se. Minha inspiração para criar a minha lista foi outra e, depois de pensar um pouco nisso, segue a minha lista, sem ordem de preferência:

Testador de brinquedos: um raciocínio infantil, ma que continua valendo depois de grande: brincar o dia inteiro com novos brinquedos que inventam, só pra dizer se as crianças vão se amarrar neles ou não. Carrinhos de controle remoto, jogos diversos, robôs maneiros, armas de brinquedo, e você é pago para brincar com tudo isso! Os aficionados por videogame podem transformar este tópico para “testador de videogame” e imaginar-se jogando novos jogos antes deles irem para o mercado que o prazer é o mesmo.

Dono de uma loja legal bem freqüentada: quando eu era adolescente, freqüentava duas ou três lojas diferentes: uma de CDs/ acessórios de rock (até trabalhei nela durante um tempo), uma de quadrinhos e uma locadora. Adorava aquele fenômeno social de vários clientes dessas lojas aparecerem por lá, puxarem papo com o dono e com os outros clientes e assim, sem querer, formava-se uma roda de amigos que se encontrava por lá praticamente todos os dias, mesmo que ninguém comprasse nada naquele dia. Lidar com o tema que você ama, que seria o tema de sua loja, e formar/ manter inúmeras redes de amigos que têm aquilo em comum com você é uma boa forma de passar o dia-a-dia, além de criar um bom networking para criar outras coisas como eventos, encontros, etc.

Crítico de coisas nerds: É uma era de ouro pros nerds, já que a Indústria do Entretenimento descobriu que eles são um público com dinheiro e que é ávido consumidor de seus hobbys. Filmes, quadrinhos, livros, mais quadrinhos, desenhos animados, mais e mais quadrinhos, bonecos action figures (eu já disse quadrinhos?)… Tudo isso está sendo produzido em abundância especificamente para eles, gerando verdadeiras obras. Já pensou você ser um crítico oficial de tudo isso e poder assistir a filmes antes de todos de graça, receber todo esse material em casa e receber para consumir tudo isso para depois falar a respeito? Você, nerd profissa, já faz isso de graça desde adolescente mesmo…

Jornalista de uma grande e conceituada revista de rock: Segue o mesmo raciocínio do crítico de coisas nerds, só que voltado para rock. Acompanhar turnês, entrar em shows, receber CDs e DVDs para resenhar. Para um apaixonado pelo estilo musical, viver assim é como viver no paraíso, mesmo que o dia-a-dia louco de todo jornalista (não importa de que editoria) seja um inferno.

Viver[bb] de renda: definitivamente a melhor das opções. Ganhar na loteria acumulada e jogar tudo em algum lugar que renda juros, como a poupança (ou a aplicação que você quiser, estou pensando baixo só pra citar como exemplo). Digamos que os juros que aquele bolão rende na poupança te dá cerca de 10 mil por mês – para quem ganha muito abaixo disso hoje, eu ficaria feliz da vida em ganhar 10 mil todo mês sem fazer p!@#$% nenhuma pra isso! Aí é só passar o resto do dia curtindo a vida e inventando projetos doidos, como abrir uma loja de coisas legais, participar de um site voltado para nerds, fazer trabalhos como free-lancer para uma revista conceituada de rock…

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28 November 2008       Tock-Categoria: Top Five

Coisas que me fazem lembrar da escola

Cara, o Kichute está de volta! Nem acreditei quando recebi o link de seu site, mostrando o retorno do tênis-chuteira de cadarços longos ao mercado. A palavra “kichute” automaticamente me fez lembrar da época de primário ou até mesmo antes disso, quando a marca era “aceitável” pela diretoria do colégio como parte do uniforme ou mesmo “sugerida” para as aulas de educação física. Peguei o embalo e montei essa lista de Top Five de outras coisas que apertam o botão das minhas lembranças pré-escolares na mente:

  • Kichute – Um clássico. A garotada calçava aquilo e se sentia o Zico, craque da época. Todo mundo tinha uma técnica diferente de amarrar o maldito cadarço longo pelo tornozelo e alguns davam volta pelo próprio tênis (tênis não, pô: chuteira!) para assegurar que o calçado não voasse do pé na hora de chutar a bola. Era confortável pra caramba, mas a primeira coisa que eu fiz quando ganhei meu primeiro Kichute foi trocar aquele cadarço. Eu não gostava de jogar futebol mesmo…
  • Conga – Enquanto o Kichute era o calçado preferido dos professores de educação física para os alunos, a diretoria preferia que usássemos o bom e velho tênis Conga para as demais aulas. Também feito de lona e borracha, o “Conguinha”, como era chamado, era outra febre entre a criançada. Lembro que o que eu tinha que usar para o colégio era vermelho (?) e, enquanto troquei o cadarço do Kichute por um normal, eu tirei o do Conguinha para colocar… Nenhum. O Tênis ficava bem no pé sem precisar ser amarrado e, quando todo mundo passou a fazer isso, rapidamente veio a geração do tênis tipo “sapatilha”, sem nenhum cadarço.
  • Mochilão – Como pesava aquela maldita mochila cheia de livros e cadernos e tudo mais que os alunos daquele tempo precisavam levar para a escola. Na minha época não existia esse negócio de rodinha na mochila não: era aquele troço retangular e meio duro, quase uma mala com alças para botar nas costas e dane-se a coluna da criança. Por isso que todo mundo da minha geração possui um ou outro pequeno desvio na coluna. “É igual à espinha na adolescência: todo mundo tem. É inevitável.” me disse um médico uma vez.
  • Faber Castel – Esse era o termômetro de Status dentro da sala de aula. Quem tivesse o maior e mais variado conjunto de canetinhas e lápis de cor da Faber Castel era, sem sombra de dúvida, o mais cool. Alguns “riquinhos” humilhavam e levavam aqueles conjuntos que vinham em uma maletinha que sequer cabia na mochila e tinham que ser carregados à parte mesmo – e o moleque ostentava sem pudor, fazendo todo mundo babar. Outros desses mesmos riquinhos não podiam mostrar seus kits porque o papai e a mamãe não os deixavam levar o “conjunto grande” para o colégio, porque os coleguinhas iam detonar pegando lápis e canetinhas emprestados e não devolvendo mais. Os papais e mamães, como sempre, tinham razão.
  • Bala Juquinha – Nunca gostei de bala, mas fala sério: quem é que nunca provou uma bala Juquinha na hora do recreio? E nem estou falando dessa nova não, o negócio era mesmo a bala daquela época que, de tão doce, era toda grudenta e o maldito papel vegetal usado para embalar a bala por baixo da embalagem de plástico era praticamente “fagocitado” pelo doce. Ou você tinha uma paciência de chinês para tirar na unha todos os pedacinhos do papel que ficavam grudados na bala (e o recreio acabava antes de você conseguir) ou comia com papel mesmo, fingindo que nem sente o gosto da embalagem. As balas Juquinha e os dentistas deviam algum tipo de conchavo secreto, pois como aquilo deve ter dado cárie na criançada…

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29 October 2008       Tock-Categoria: Top Five

Os cartoons que mais me influenciaram

O cartunista Charles Schultz, criador do Snoopy, ficou entre as celebridades mortas que mais ganharam dinheiro no ano passado, segundo essa notícia na Folha Online. Não estou impressionado, afinal, Charlie Brown e sua turma são sucesso garantido e influenciaram gerações de jovens e adultos até hoje, como vários outros personagens e títulos.

De repente, me toquei: que personagens me influenciaram e me marcaram durante a infância, adolescência ou até mesmo hoje em dia? Botando a cabeça pra pensar, cheguei ao seguinte Top Five:

Charlie Brown – Primeiro lugar, disparado. Dos desenhos que passavam no SBT às tirinhas de jornal, era impossível, quando criança, não me identificar com o azarado, tímido e melancólico Charlie Brown e, em menor escala, com um ou outro personagem a mais da galerinha de Peanuts. Era meu dia-a-dia descrito na tela ou no papel: as trapalhadas, os esforços que nunca davam certo, os amores platônicos não correspondidos, os rompantes de bravura que não davam em nada… E como tudo isso tinha uma importância tão grande, tão “fim do mundo” naquela época. Charles Schultz me espionou como um Big Brother e roubou minha infância para escrever as histórias de Charlie Brown – e quer saber? Fico muito feliz com isso.

Garfield – Não podia ser um Charlie Brown pra sempre. À medida que crescia, sentia que precisava ter uma nova postura pra encarar a vida e o mundo – e foi aí que eu comecei a andar com más companhias. Não por acaso, esse gato gordo, cínico, preguiçoso, egoísta, resmungão, convencido e guloso tem adjetivos que também podem ser aplicados a mim (tirando o convencido, não preciso disso pra saber que sou bom). É uma postura nada honrosa de se adotar para viver a vida, mas ela ficou muuuuito mais divertida depois das aulas deste filósofo da lasanha.

Calvin – Conheci as histórias deste garoto hiperativo e seu tigre de pelúcia quando já era adolescente, mas um saudável sentimento de nostalgia sempre batia quando via aquela imaginação fértil em ação. Naves espaciais, monstros destruindo cidades, aventuras cinematográficas… Igualzinho às horas que eu passava brincando com meus bonecos e brinquedos ou saia andando de bicicleta pela rua. Foi muito saudável acompanhar as tirinhas de Calvin e Haroldo.

Turma da Mônica – Falem o que quiser do Maurício de Sousa, dizer que a Turma da Mônica é ruim ou o que for: eu aprendi a ler com os gibis do Cebolinha, da Mônica e do Cascão, ria muito com os planos infalíveis, com as aparições do Louco e a adrenalina subia quando o Capitão Feio entrava em cena. Foi o melhor incentivo que eu poderia ter na época para aprender a ler e escrever e recomendo, até hoje, essa mesma experiência para quem tiver filhos pequenos.

Dilbert – Quadrinhos para adultos. Quando comecei a trabalhar e viver esse dia-a-dia de escritório, prazos, clientes, tecnologia, informática, etc., vi que não estava sozinho no mundo quando conheci as histórias de Dilbert. Naquele universo onde o personagem principal vive, com um chefe burro, um cachorro que é mais esperto que todos os humanos, duendes de demônios na área de contabilidade, dinossauros que cuidam da burocracia, atitudes corporativas imbecis e completos insanos na área de marketing, tudo que eu (e milhões de leitores pelo mundo) pude dizer é “cara, isso parece a empresa onde trabalho!”

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16 October 2008       Tock-Categoria: Top Five

Os filmes musicais que mais me influenciaram

Alta Fidelidade está, facilmente, na minha lista de filmes favoritos de todos os tempos – veja bem, não estou falando de filmes bem feitos ou épicos da história do cinema ou algo assim, mas sim de filmes com que me identifico, me vejo ali em algum aspecto (mais de um, talvez?). Uma pessoa que teve uma breve, mas marcante, passagem em minha vida disse-me uma vez algo que eu apenas aspirava: minha personalidade lembra bastante a de Rob Gordon, o aficionado por música e dono da loja de discos vivido por John Cusack na película.

Outro dia resolvi matar a saudade e rever o filme só para, ao final dele, lembrar-me por que não posso vê-lo: assim como Rob, eu também tinha a mania de fazer rankings de tudo – no filme, as famosas top five. Assistir Alta Fidelidade[bb] só me faz atiçar este “cacoete mental”. Agora estou eu aqui com a cabeça fervilhando de vontade de fazer listas sobre tudo e qualquer coisa. Não sei se agradeço ou amaldiçôo a hora em que fui assistir ao filme de novo, mas em homenagem a isso, segue a milha lista dos cinco filmes que trazem a música como tema principal em seus roteiros e que me influenciaram muito.

  1. Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Blrothers, 1980) – Por favor, não ria. Essa comédia pode ser, talvez, o filme mais importante da minha vida, pois foi ela que despertou em mim o gosto pela música quando o assisti pela primeira vez, aos quatro anos de idade. E que batismo eu tive: Ray Charles[bb], James Brown[bb], Cab Caloway, Aretha Franklin[bb] e os próprios John Belushi e Dan Arkroyd que, quando estavam nas peles dos irmãos “Joliet” Jake Blues e Elwood Blues, apresentavam um repertório simplesmente fantástico de blues e soul. Pastelões a parte, o filme é uma coleção de maravilhosas interpretações musicais, responsável pelo pontapé inicial de minha apreciação musical.
  2. Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000) – Acho que o que falei a respeito deste filme alguns parágrafos acima e o fato de estar fazendo uma lista de Top Five onde ele faz parte já explica o motivo de estar aqui, não?
  3. Quase Famosos (Almost Famous, 2000) – Ser jornalista de uma conceituada revista musical como a Rolling Stone em plena década de 70 e ter, como trabalhos, entrevistar bandas como Led Zeppelin[bb], The Who[bb] e os próprios Stones, entre outras, e cobrir seus shows. É ou não é o emprego dos sonhos de qualquer fã de rock como eu? Pois o personagem principal do filme consegue esse emprego e vai pra estrada cobrir a turnê de uma banda fictícia que reproduz na telona alguns momentos de várias bandas verdadeiras que se tornaram “lendas do rock”. Esse filme tem um significado todo especial pra mim, pois é a época e o tipo de rock preferido de um primo que me ensinou tudo que sei de cultura musical. Impossível não assistir a isso sem me lembrar com carinho e saudades…
  4. A Encruzilhada (Crossroads, 1986) – Desde pequeno eu tinha em mente que não existe melhor escola para aprender a tocar um instrumento do que a estrada. À medida que crescia, aprendi que a estrada é a melhor escola para se aprender a viver. Fantasias a parte, foram as aventuras do jovem guitarrista vivido pelo ator Ralph “Karatê Kid” Machio, ao lado de uma velha lenda do blues pelo Mississipi neste filme que me fizeram ter vontade de botar o pé na estrada e começar a viver. Depois que fiz isso, não parei mais…
  5. The Commitments – Loucos pela Fama (The Commitments, 1991) – Mais uma trilha Sonora impecável, interpretada por uma banda afinadíssima. O dia-a-dia de uma banda desde sua formação me lembrou muito os tempos em que eu, adolescente com um baixo nas costas e boné pra trás, estava sempre tocando por aí com várias bandas  ao mesmo tempo. Os primeiros ensaios, o processo de “afinação” dos integrantes, arruma equipamento, conserta equipamento, os primeiros shows em casas caindo aos pedaços, a estrada… Tudo isso é gostoso demais e o filme mostra bem isso.

Talvez eu esteja mais sentimental hoje, talvez o Alta Fidelidade tenha me deixado assim, mas eu gostei de voltar a fazer as famigeradas listas. Na pior das hipóteses, são boas opções de filmes com excelentes trilhas sonoras para você procurar pelas locadoras e pelas lojas de CDs. Eu recomendo.

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